Embora a terra e todas as criaturas inferiores sejam comuns a todos os homens, cada homem possui a "propriedade" sobre a sua própria "pessoa". A esta, além dele mesmo, ninguém tem direito algum. O "trabalho" do seu corpo e a "obra" das suas mãos, pode-se dizer, são devidamente seus. Então, qualquer coisa que ele retire do estado em que a Natureza a proveu e colocou, com que misture o seu trabalho e a que adicione algo que é seu torna-se a sua "propriedade". Sendo por ele retirada do estado comum em que a Natureza a deixou, a essa coisa se agrega, por meio desse trabalho, algo que exclui o direito comum dos demais homens. Sendo esse "trabalho" a sua propriedade inquestionável, nenhum homem exceto ele pode ter direito àquilo que tal labor se agregou, pelo menos quando o que resta é suficiente para os outros tanto em quantidade quanto em qualidade.

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