Replying to Avatar Dante

A TV brasileira começou mostrando vários absurdos como piadas, curiosidades ou como algo impactante, e com isso foi normalizando todas essas coisas para a população, de forma que algo muito específico que havia em um local passou a ser reproduzido em todo o país.

Lembro de pessoas repetindo frases de efeito e comportamentos de filmes, novelas, reality shows, propagandas e etc...

E mesmo com o crescimento da internet, muitos produtores de conteúdo só vieram difundindo cada vez mais esses padrões e até os piorando para ter cliques, mesmo sem ganharem nada com isso.

As redes sociais também filtraram muitos conteúdos valorosos de atingirem maiores públicos e tem reforçado conteúdos cada vez mais baixos e alienantes, fáceis de serem assimilados pelo grande público.

Mas antes disso tudo, os jornais e a rádio já tinham essa capacidade de criar falsos consensos, valores e comportamentos massificados na sociedade. Em fontes centralizadas de informação que reforçavam o modo de pensar de cada governo e dos próprios grupos produtores dessas informações.

E mesmo hoje, com meios descentralizados de comunicação como nunca antes, nossas visões de mundo ainda estão impregnadas e podadas conforme valores artificiais que muitas vezes sequer percebemos que estão na nossa forma de pensar, como muitas vezes vejo em uma espécie de 'neomalthusianismo' que crê haver gente demais e não querer mais ter filhos, em buscar reformas no Estado, em buscar sempre que alguém indique como devemos pensar ou agir, e em frequentemente deixarmos de nos opor e de agir contra o que nos é direta ou indiretamente prejudicial e etc...

Refletir profundamente sobre essas coisas é difícil, e é ainda mais difícil usar a reflexão para mudar efetivamente de comportamento. Sei disso porque noto comigo mesmo o quanto é fácil só repetir críticas e comportamentos, ou só juntar argumentos, mas não ter uma base clara e própria para conectar tudo isso, e ainda mais para agir sobre o que realmente quer que seja fundamentalmente mudado.

Será que a anamnese de Socrates/Platão não ajudaria nisso? Leia Platão. É, no mínimo, curioso ver o quão inconscientes as pessoas (nós mesmos, inclusive) são.

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Discussion

Não tenho noção disso, vou procurar.

O que eu entendo é que o nosso entendimento parte do nosso instinto natural, depois da nossa subjetividade, se desenvolve por meio de consensos sociais (intersubjetividade) e por fim para lógicas e princípios.

Mas temos outras ferramentas de conhecimento também e que estão mais na esfera da sensação interna sobre as coisas do que diretamente em associações ou relações lógicas.

Acho que esse tipo de conhecimento tem sido muito renunciado nos dias de hoje e tem tornado as pessoas ainda mais confusas e passivas sobre o que de fato acreditam.