Oi Ana. Não te bloqueei. Acho que sua dúvida é válida, só fiquei chateado pq, mesmo diante do meu esforço enorme pra te explicar um assunto que visivelmente você não entendeu, você me atacou de forma gratuita (disse q eu tinha alguma espécie de agenda oculta defendendo o protocolo).
As pessoas pensam que por Nostr ser a prova de censura, então todo mundo vai acessar qualquer coisa. Essa propriedade do Nostr é apenas a ponta do iceberg.
Vou novamente tentar de explicar.
1) Nostr é o protocolo de comunicação com autenticação das mensagens, e não uma plataforma conteúdo em si. A diferença entre as duas coisas é proxima do que seria a diferença entre o Chrome, o navegador, e o TikTok, a plataforma.
2) Nós só estamos conversando aqui porque estamos usando as mesmas "plataformas de conteúdo", que são os relays. Se não tivéssemos um relay sequer em comum, não teríamos nem a ciência da existência um do outro.
3) Nostr é muito recente, então a maioria dos relays é genérica e aberta a todo mundo, por isso você vê spam e pornografia. Da mesma forma, a maioria dos aplicativos foi feita pensando em adultos e deixa você colocar qualquer relay que quiser.
4) Relays abertos para todo mundo não são e não serão os únicos tipos de relay. Relay é um software qualquer transmite o conteúdo que você quiser e do jeito que você quiser. Trocando os relays você transforma o Nostr em mundos totalmente distintos.
Alguns casos de uso:
- Um jeito mais seguro de usar o Nostrr seria deixar só certas pessoas postarem conteúdos em algum relay. Ou, como já existe hoje, ter um relay que só quem paga pode usar.
- Outro exemplo, mas mais maluco: suponhamos que queremos fazer um clone do TikTok mas só com milionários. Bastaria ter um relay que só aceita postagens de quem pague 100 BTC para usar o relay. É provável que irá ter aderência? Não, mas é um exemplo possível.
5) Os clientes do Nostr, como o Amethyst, também poderiam ser de múltiplos jeitos. O que estamos fazendo aqui agora é interagir a partir de aplicativos clones do Twitter. Mas isso está longe de ser todo o universo Nostr. Já existem aplicativos parecidos com o Spotify, por exemplo, destinados somente a música.
- Hospitais podem ter relays e aplicações próprias para que pacientes conversem com a equipe médica ou que equipamentos de saúde que estão conectados aos pacientes enviem informações relevantes (batimento cardíaco, por exemplo)
- Um aplicativo para a venda de produtos agrícolas pode usar o Nostr para juntar diferentes lojas e clientes no mesmo ambiente.
- Uma escola pode usar o Nostr para construir uma rede social interna (acho bem bosta, mas é algo q já existe em algumas escolas e que poderia ser reconstruído usando o Nostr)
5) Ninguém naquela thread advogou para que as crianças usem o Amethyst da forma que está e com a possibilidade de acessar relays abertos e não curados.
6) A internet é perigosa mesmo, e eu não daria um smartphone para o meu filho antes de uma certa idade. Mas a grande realidade é que 99% dos pais vão deixar os filhos de 4 anos o dia inteiro no YouTube ou TikTok. Com o Nostr, seria possível reconstruir algo parecido com essas redes, mas colocando os pais para gerenciar todo e qualquer tipo de conteúdo que irá aparecer, e não os algoritmos da Google e do Partido Comunista Chinês.
Portanto, todos aqueles receios levantados (de aparecer pornografia para o seus filhos, de eles serem contactados por pedófilos etc) nada disso é crível.
Vão existir pais e mães que deixam os filhos verem o que quiserem em qualquer aplicativo e qualquer relay? Sim, mas será responsabilidade dos pais essa permissividade, e nada difere do que hoje a internet já permite.