Quando eu fiz engenharia de produção só existia um único livro da escola autríaca de economia na biblioteca inteira com milhares de títulos. Era o Caminho da Servidão. Eu só tinha isso e livros do Milton Friedman que comprava em sebos (estudante é quebrado). Depois no mestrado eu estudei a fundo Schumpeter e muito depois só que fui estudar Mises, que não gosto muito, porque parece um homem do século XIX. Eu prefiro Hayek, tem um sentido mais contemporâneo em suas palavras, ainda que geral diz que ele deu uma esquerdada no final da vida.
Discussion
Acho que há um pouco de incompreenção no caso de Hayek. A “esquerdada” que falam é, creio, em função do quanto ele tentou compreender a questão do conhecimento difuso na sociedade. Muitos achavam que ele estava indo na direção do controle, mas não vejo bem assim. Ele estava apenas mostrando que mais e mais se saberia de cada ação feita por cada indivíduo no futuro.
Pior que estava certo. O PIX, por exemplo, coloca nas mãos de poucos dados sem fim de ações tomadas por indivíduos. Mas não acho que ele dizia que jsto seria bom ou ruim, necessariamente. Estava estudando o assunto e vendo como as forças econômicas funcionariam neste tipo de ambiente.
Nossa, é a primeira pessoa que me esclarece sobre as pesquisas que o Hayek fez no fim da vida. Sempre ouvia o Paulo Kogos falando que ele tinha meio que virado socialista no fim da vida e geral concordava. Fico feliz de saber que o Hayek seguiu sempre com seu entendimento da disseminação do conhecimento pela sociedade, ainda que tenha pago um preço alto de se ver isolado do meio científico.
Bom, essa é a minha visão, mas sei que muita gente foi na linha de chamá-lo de socialista… Acho que a maior parte diz sem ter lido, mas apenas “foi na onda” de alguém.
O problema de concentrar aprendizado via vídeos é esse: pegq-se informação curada, editada, escolhida.
Acho importante o vídeo, mas nada substitui a leitura, em especial aquela feita na fonte.
As novas “inteligências” artificiais serão ainda mais destrutivas: afinal, geral está achando que, “se tá no ChatGPT então é verdade”. Se saiu no “Twitter files” então é verdade.
Não: não necessariamente. Twitter “files” não tem nada de files. São apenas fotos de tela escolhidas por um curador. Cadê os dados crus, ou seja, cadê os FILES?
ChatGPT nem se fala. Já foi pêga mentindo descaradamente para “provar” uma falácia. Citou um estudo científico como prova, sendo que tal estudo não existe, ou seja, foi tirado do anus da “inteligência” artificial.
Não digo que a tecnologia não seja útil: ela é.
O problema é que será usada tão mal que emburrecerá ainda mais a já estúpida humanidade.
Eu também acho isso sobre o uso do ChatGPT. Sou um pesquisador da área de inteligência senciente e tenho um livro publicado a partir desse ramo da filosofia. Cada vez seremos menos sencientes, ou seja, nossa inteligência perderá cada vez mais a dimensão da sensibilidade, se entregando ao saber conceitual que é o oposto. Esse saber é o concipiente que tenta entender o mundo a partir de matriz de conceitos desligadas da realidae. O ChatGPT vai acelerar ainda mais essa porra e a gente vai ficar parecendo que está vivendo num filme como o Ghost in the Shell, obra-prima que mostra a merda da exacerbação de sistemas informacionais. Tentar adequar a realidade a partir do que se leu de algo tirado do fiofó é a pior merda que vem acontecendo. Eu não sei se o Fórum Econômico Mundial está de alguma forma influenciando isso. Sei que isso está favorecendo pra caramba esses canalhas.