# 'Passar a boiada'| Governo Lula vê oportunidade, de sobre o pretexto de combater a pedofilia, regular as redes sociais:

A denúncia feita pelo youtuber Felca sobre a crescente adultização de crianças nas redes sociais revelou um cenário perturbador: menores expostos a conteúdos sexualizados, incentivados a interações impróprias e até aliciados para práticas criminosas. É um problema que repugna a todos, independentemente de ideologia, e que exige resposta imediata e firme.
A verdade é que a regulação contra conteúdo pedófilo é urgente e inadiável. Não existe argumento de liberdade de expressão que justifique a circulação de material que explora sexualmente menores. Combater isso não é pauta da esquerda, da direita ou do centro — é pauta da civilização.
No entanto, a comoção legítima que une o país começa a ser usada como trampolim para projetos de lei que vão muito além do combate à exploração infantil. Há uma articulação para incluir, no mesmo pacote, regras de controle sobre outros tipos de conteúdo, como opiniões políticas e debates públicos. Essa mistura perigosa ameaça transformar um consenso moral em instrumento de censura.
O problema é claro: quando se coloca tudo no mesmo texto legal, o que deveria ser discutido e aprovado rapidamente com apoio quase unânime acaba se arrastando, pois embute temas rejeitados pela maioria da população. Em vez de proteger as crianças com urgência, abre-se uma disputa política sobre liberdade de expressão, travando a solução de um problema que não admite demora.
O combate à pedofilia online precisa ser tratado como questão separada, com lei própria, clara e objetiva, votada de forma célere. Misturar essa pauta com agendas regulatórias mais amplas é desrespeitar as vítimas e instrumentalizar um crime hediondo para outros fins.
Proteger nossas crianças não pode ser pretexto para silenciar vozes. A urgência é real, o crime é intolerável, e a resposta precisa ser tão rápida quanto firme.