O Senhor das Armas - Filme 2005
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**Análise Marxista de *Lord of War***
**1. Capitalismo e a Mercantilização da Violência**
*Lord of War* expõe a lógica implacável do capitalismo, onde o lucro supera a ética e a vida humana. Yuri Orlov, ao vender armas para ditadores e milícias, personifica a figura do capitalista que prospera na exploração de conflitos. Sua máxima — "*Não fabrico as guerras, apenas as armo*" — revela a indiferença do sistema para com as consequências humanas, desde que haja acumulação de capital. A indústria bélica, retratada como um mercado globalizado, é um produto direto da busca incessante por expansão e dominação econômica, alinhada à visão marxista de que o capitalismo alimenta crises para manter seu ciclo de lucro.
**2. Estado e Hipocrisia Imperialista**
O filme critica a cumplicidade dos Estados capitalistas no tráfico de armas. A revelação final — de que os maiores produtores de armas são os membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU — desmascara a hipocrisia de nações que lucram com a guerra enquanto se apresentam como guardiãs da paz. Isso reflete a teoria marxista do Estado como instrumento da classe dominante, que protege interesses econômicos (como contratos bilionários de armas) sob o disfarce de "segurança nacional". A libertação de Yuri, apesar de suas atrocidades, simboliza como o sistema protege seus agentes quando servem aos objetivos geopolíticos das potências.
**3. Exploração e Alienação**
A relação entre Yuri e Vitaly ilustra a dinâmica de exploração burguesia-proletariado. Vitaly, inicialmente cúmplice, torna-se vítima do vício e da alienação, representando o trabalhador que é descartado quando não mais útil. Sua morte, após tentar sabotar um carregamento de armas, reflete a repressão violenta a qualquer resistência ao sistema. Yuri, por outro lado, aliena-se de sua própria humanidade: sua identidade como "Heisenberg das armas" é uma máscara que esconde a vacuidade moral de sua existência, reduzida à acumulação de riqueza.
**4. Guerra como Negócio e Materialismo Histórico**
O filme retrata a guerra como um empreendimento econômico, não como um conflito ideológico. A queda da União Soviética, por exemplo, é mostrada como uma oportunidade para Yuri saquear arsenais e alimentar novos conflitos na África. Isso ecoa o materialismo histórico de Marx, que entende os eventos políticos como produtos de condições materiais — neste caso, a desintegração de um sistema rival e a ascensão do capitalismo neoliberal. A venda de armas a ambos os lados dos conflitos (como na Libéria) demonstra como o capitalismo prospera na destruição mútua das nações periféricas.
**5. Crítica à Globalização Capitalista**
A produção do filme, que usou armas reais compradas no mercado negro, metaforiza a acessibilidade da violência em um mundo globalizado. A cena do avião Antonov, usado tanto para filmar quanto para transportar armas, sintetiza a imbricação entre entretenimento e exploração real. A globalização, sob a ótica marxista, é um mecanismo de expansão capitalista que padroniza a exploração, tornando até a morte uma commodity negociável em bolsas de valores.
**Conclusão**
*Lord of War* é uma alegoria sombria do capitalismo em sua forma mais predatória. Yuri Orlov não é um vilão isolado, mas um sintoma de um sistema que transforma vida humana em lucro. A incapacidade de Jack Valentine de prendê-lo permanentemente simboliza a falência das instituições em frear a máquina capitalista. O filme reforça a tese marxista de que, enquanto houver lucro na guerra, a paz será uma ilusão mantida por aqueles que lucram com a miséria alheia. A mensagem final é clara: em um mundo onde os *lords of war* são também os *lords of capital*, a violência não é uma anomalia, mas o produto inevitável do sistema.