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Católico.

Paternidade, família e educação

Por: Ir. Jean-Domenique, O.P.

1) O papel do pai de família

Pe. Jean-Dominique inicia seu livro chamado Padres! contando-nos a história de um homem que perdeu a Fé mais tarde na sua vida e relacionando-a com o facto de que, quando criança, quando fazia uma pergunta ao seu pai sobre a Fé, o pai respondia: "Vá perguntar à sua mãe. " Quando lhe faziam a mesma pergunta, a mãe dizia: "Vá perguntar ao Padre". Isto nos mostra a importância que ambos os pais têm na educação do filho, e principalmente no que diz respeito à educação na Fé.

Ao olhar para os Mandamentos de Deus, podemos reconhecer imediatamente que os três primeiros Mandamentos nos falam dos nossos deveres para com Deus. Os próximos sete falam dos nossos deveres para com o próximo. Curiosamente, o primeiro destes sete mandamentos trata de honrar os nossos pais e, em primeiro lugar, o nosso pai: "Honra a teu pai e a tua mãe".

O economista francês Frederic Le Play, depois de estudar o declínio de várias nações na história, chegou a esta conclusão: "As nações que vêem o seu poder diminuir cometeram todas o erro de diminuir a autoridade do Pai da Família." Assim podemos refletir sobre os danos causados ​​nas nossas sociedades pelo feminismo. O feminismo não é apenas uma destruição da identidade das mulheres, é também e sobretudo uma forma de destruir toda a ordem que preside as nossas nações e, com isso, aniquilá-las progressivamente.

Onde está o segredo de tamanha grandeza do pai de família? Encontramos uma resposta na Epístola de São Paulo aos Efésios (3;14): "Portanto, dobro os joelhos diante do Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, de quem toda paternidade no céu e na terra tem nome".

O pai deve lembrar-se então que a sua paternidade não lhe pertence. Pelo contrário, nada mais é do que um reflexo do Todo-Poderoso. O pai não consegue lidar com seu papel paterno como pretende. Ele deve lembrar que será julgado por Deus e solicitado a responder sobre como ele fez o seu melhor para refletir a paternidade de Deus:

"Por suas virtudes, por sua linguagem, por sua compostura, o pai deve inspirar respeito e refletir algo da beleza do Pai Eterno. Pela sua oração, ele procura viver constantemente nas mãos do seu mestre." (Pe. JD)

Nenhum egoísmo, portanto, nenhum excesso de poder, mas também nenhuma falta de coragem no exercício do poder que recebeu: tudo deve ser feito à luz do princípio acima.

As funções da paternidade humana são iguais às funções da paternidade divina. Ora, a paternidade se cumpre em Deus de duas maneiras:

Quanto ao seu Filho, o Pai gera um Filho na unidade da mesma substância. O mistério da Santíssima Trindade dá uma bela luz sobre a natureza e o dever da paternidade humana.

No que diz respeito às criaturas, a paternidade de Deus deve ser dividida em três aspectos diferentes. Escutemos o ensinamento do Catecismo de Trento: "Como este nome Pai é apropriado a Deus? É algo fácil de ensinar aos fiéis, falando-lhes dos mistérios da Criação , da Providência e da Redenção ."

Se voltarmos às funções da paternidade humana, descobrimos que elas são iguais ao segundo aspecto da Paternidade de Deus mencionado acima (funções da Paternidade de Deus em relação às criaturas).

Um homem participa na obra da Criação através da procriação e educação dos seus filhos.

Um homem participa no governo do mundo ( Providência ) através do seu trabalho e da sua autoridade .

Um homem participa da obra da Redenção por meio de seu ministério espiritual em seu lar.

2) Procriação

É óbvio, mas é bom sublinhar que um homem se torna pai quando a sua esposa dá à luz um filho.

Após a criação de Adão e Eva, Deus poderia ter continuado a criar seres humanos adultos. Mas ele quis associar o homem e a mulher à extensão da humanidade. Esta é uma honra imensa que é dada às suas criaturas. Cada vez que há a concepção de um novo ser humano, Deus intervém diretamente para criar uma alma humana. É por isso que chamamos à geração de filhos pelos pais «procriação». Os pais são os instrumentos do Criador. Podemos comparar esta dignidade da visão cristã sobre a procriação à feiúra do vício que foi introduzida, especialmente hoje em dia, numa das coisas mais belas que Deus fez.

Ora, o papel do homem e da mulher é diferente na procriação:

A mulher recebe a vida do homem. Ela o abriga, nutre e desenvolve.

O homem é o princípio humano da vida. "O pai segundo a carne participa de maneira particular da noção de princípio que se encontra de forma universal em Deus", diz São Tomás de Aquino.

O Pai é a fonte da vida. Esta é uma responsabilidade terrível, porque, como acontece na vida natural, se a fonte estiver contaminada, todos os rios estarão. O Pai imprime às futuras gerações que dele provêm a sua orientação geral e um estilo particular. São João Crisóstomo, no século IV, disse: "Se você criar bem o seu filho, ele também criará bem o seu filho, e este o seu filho. Será como uma corrente sucessiva e esta educação se espalhará por todos, tendo em você sua origem e suas raízes, e assim você dará frutos abundantes graças ao cuidado que tem com seu filho".

São Pio X, no início do século XX, falando da destruição da educação católica nas famílias, disse: "Uma queixa altamente motivada e universal é encontrada nos nossos dias nos lábios de todos os tipos de pessoas sobre a imoralidade e a corrupção, não só dos jovens adultos, mas também das crianças na sua mais tenra idade, que infelizmente vemos desde o momento em que a sua razão se desenvolve: vemos estas crianças levadas a vícios horríveis, por tendências verdadeiramente más que tornam todos aqueles que têm alguma autoridade na sociedade tremer. A que podemos atribuir esta desordem universal, esta malícia precoce nas crianças? O Espírito Santo disse que os filhos se parecem com os pais. Exceto alguns raros ramos malignos que não correspondem à natureza da árvore a que estão unidos, o mal dos filhos deve ser imputado à negligência, ao descuido, etc., e, Deus me livre!, à malícia dos pais. É por isso que se devemos esperar algo de bom para a sociedade, devemos esperá-lo especialmente da família". (São Pio X, 27 de outubro de 1907)

Portanto, o verdadeiro líder da família deve ter senso de responsabilidade . Os homens devem pesar seriamente o fardo que carregam sobre os ombros quando se casam. A solução é não cair no medo excessivo e duvidar da Providência Divina. Mas é definitivamente para considerar seriamente os nossos deveres.

"Deus criou o homem à Sua imagem e não concedeu esse favor a outros seres vivos. Portanto, é bem verdade que por este privilégio, por este privilégio único que ele concedeu à humanidade, a Santa Igreja o chama de Pai de todos, tanto dos fiéis quanto dos infiéis" diz o Catecismo do Concílio de Trento.

Qual será o papel do Pai na obra educativa? Muitas vezes as pessoas pensam: o marido deve fornecer a comida e a esposa deve educar os filhos. Não há nada mais falso. A esposa tem um papel importante a desempenhar na educação, mas trabalha como associada do marido. «O pai é o princípio ao mesmo tempo da geração, da educação, da disciplina, de tudo o que diz respeito à perfeição da vida humana.» (São Tomás de Aquino). A mãe, diz Pe. Jean-Dominique adapta a cada filho a orientação do pai, mas atua em nome do marido.

"Não é porque os pais desistiram, porque abandonaram aos respectivos cônjuges a educação dos filhos, que os filhos se tornaram instáveis, pusilânimes, liberais e naturalistas? Falta à nossa geração a coragem, o prestígio e o cuidado do chefe de família." (Pe. J.-D.)

Pio XII, ao falar do papel dos pais, dá o exemplo da cabeça e do coração. Ambos são necessários. Mas a cabeça está em primeiro lugar.

O Apóstolo São Paulo dá um bom resumo da educação cristã: "Como vocês sabem de que maneira, suplicando e confortando vocês (como um pai faz com seus filhos), testemunhamos a cada um de vocês, que vocês caminhariam dignos de Deus, que vos chamou para o seu reino e glória." Eu Tess. 2, 11-12

Três condições são essenciais para permitir ao pai cumprir adequadamente o seu papel: o exemplo , a presença e a generosidade .

Exemplo

Uma criança naturalmente admira seu pai e o toma como modelo. "Que influência teria um pai que, tendo exortado o filho ao sacrifício e à educação, se mostraria a ele como um viciado em televisão? Será a religião do meu pai verdadeira, quando nunca o vejo ajoelhado, quando nunca o vejo fazendo ações de graças depois da missa, quando nunca ouço conversas profundas vindo dele?" (Pe. J.-D.)

Presença

O chefe da família deve amar a sua casa. Ele deve fazer dela o seu principal centro de interesse. "Basta considerar os vários aspectos da missão educativa do pai para se convencer dela: brincar e cantar com os filhos, orientá-los nos trabalhos escolares, associá-los ao seu trabalho se estiver trabalhando no jardim ou trabalhos manuais pela casa, vigiar suas amizades para orientá-los desde tenra idade contra os falsos amigos, usar sua autoridade para corrigir seus defeitos e formar seu caráter, especialmente para os meninos, inculcar-lhes o sentido de sacrifício e ao serviço do bem comum. É fácil ver nestes poucos exemplos o que a missão do pai de família exige em relação à sua presença e ao seu cuidado". (Pe. J.-D.)

Recompensa

Sendo ele a fonte, o pai também deve ser o mais generoso. Ele deve ser bom. "Quando um bom pai de família, com toda a força que o Senhor lhe deu e com a coroa que colocou na testa, exerce sua autoridade e mostra bondade, é impossível que aqueles que dependem dele não o façam. assemelham-se a ele em todas as suas ações", diz o Papa São Pio X.

3) O trabalho

O trabalho é querido por Deus como instrumento privilegiado da paternidade do pai. No mundo de hoje, infelizmente, o trabalho tornou-se com demasiada frequência uma força irresistível que expulsa o homem do seu lar.

Os objetivos do trabalho

Qual é o primeiro objetivo do trabalho? É obviamente o trabalho concreto a ser cumprido. O trabalhador é ministro da Divina Providência para completar a natureza e servir o bem do homem. Por isso o pai deve trabalhar com zelo e atenção . Ele deve dar aos filhos o exemplo de honestidade, perseverança e disciplina. Portanto, não deve haver trabalho malfeito, desordem ou trabalho pela metade. "Tudo o que merece ser feito, merece ser bem feito."

A segunda meta do trabalho é o salário legítimo que o pai recebe. Que o pai lembre que esse salário é bem merecido pelo seu trabalho. Mas que ele não se torne escravo de Mamom e fale sobre dinheiro o tempo todo, principalmente na frente dos filhos. Devem ver no seu pai o ministro da Divina Providência e o servidor dos seus irmãos. Como São José, um pai deve incutir nos filhos o seu amor pela pobreza. Isto é especialmente verdadeiro nos nossos dias, onde tão poucas pessoas conseguem proteger-se dos perigos do materialismo.

Trabalhe para sua família

O primeiro beneficiário do trabalho do pai é a família, e não só a sua subsistência material, mas também a alma da família, as suas virtudes e a educação dos filhos. É dever do pai fazer tudo o que estiver ao seu alcance para ter um trabalho que sustente a família.

Quão importante é que o homem não tenha duas vidas separadas, reunidas apenas pela sua carteira! Enquanto está no trabalho, o homem deve pensar que está ao lado da família. Ele deve ser capaz de falar com sua esposa sobre o que está acontecendo no trabalho e também fazer com que os filhos se interessem pelo que ele está fazendo.

A oração de São Pio X a São José não é uma boa forma de encerrar este capítulo?

"Glorioso São José, modelo de todos os que se dedicam ao trabalho, obtende-me a graça de trabalhar em espírito de penitência na expiação dos meus muitos pecados; trabalhar conscientemente, colocando o amor ao dever acima de minhas inclinações; considerar com gratidão e alegria uma honra empregar e desenvolver pelo trabalho os dons que recebi de Deus, trabalhar metodicamente, pacificamente, com moderação e paciência, sem nunca recuar por cansaço ou dificuldade de trabalhar; acima de tudo, com pureza de intenção e altruísmo, tendo incessantemente diante dos olhos a morte e a conta que devo prestar do tempo perdido, dos talentos não utilizados, do bem não realizado e da vã complacência no sucesso, tão nefastos para a obra de Deus. Tudo por Jesus, tudo por Maria, tudo para te imitar, ó Patriarca São José! Este será meu lema para a vida e a eternidade."

4) Autoridade

Mas Deus não apenas fornece a cada criatura o que ela necessita, Ele também governa, Ele tem autoridade. " Autoridade é o poder de vincular a vontade dos seus subordinados, de fazê-los servir, com estabilidade, ao bem comum e, ao fazê-lo, fazê-los atingir o seu pleno florescimento ", diz o Padre Jean-Dominique.

Deus quer estabelecer o homem como chefe da família. Mas esta autoridade não será a mesma sobre a sua esposa e os seus filhos.

Autoridade sobre os filhos

Uma planta precisa de um pedaço de pau. Uma criança precisa de uma direção firme e, às vezes, de uma correção energética. Isso lhe dará estabilidade para ser bom e estabelecerá ordem em suas paixões. Lembre-se o pai de que ele não é o dono das almas que lhe foram confiadas, mas apenas o administrador. Deixe-o cumprir seu dever de uma forma que agrade ao seu Divino Mestre.

Autoridade sobre a esposa

" As mulheres sejam sujeitas aos seus maridos, como ao Senhor: porque o marido é o cabeça da esposa, como Cristo é o cabeça da Igreja. " (Efésios, 5, 22-23) Pio XII dá belos conselhos aos maridos: " Maridos, vocês foram investidos de autoridade. Na sua casa, cada um de vocês é o chefe com todas as suas obrigações, com toda a responsabilidade que este título acarreta. Não hesite, portanto, em exercer esta autoridade. Não se afastem deste dever, não fujam deste dever, desta responsabilidade. Nunca deixe que a preguiça, a negligência, o egoísmo ou os hobbies abandonem o leme do navio familiar confiado aos seus cuidados. " E, de fato, a falta de autoridade dos homens em nossos dias é um desastre ainda maior do que a desobediência das mulheres.

Uma boa esposa entende muito bem o quanto precisa que o marido exerça sua autoridade sobre a família. Todos nós temos os defeitos das nossas qualidades. Deus dotou à mulher virtudes particulares que a tornam apta para a grande obra da maternidade. " São a gentileza, a perseverança, a resistência à dor, o dom de si, a intuição particular para adivinhar o sofrimento do mais fraco e uma compaixão ardente para aliviar o sofrimento. Mas esta sensibilidade muito apurada pode muito bem tornar-se uma deficiência. E então surgirão instabilidade, ansiedade, desânimo, precipitação de julgamento e problemas de nervosismo. Como prevenir-se contra estes defeitos tão naturais senão, tal como o próprio homem, por uma conduta firme e, portanto, pela autoridade do marido? "(Pe. J.-D.) A esposa deve amar a autoridade do marido como a Bem-Aventurada Virgem Maria amou a autoridade de São José. Ela deveria colocar toda a sua habilidade, toda a sua delicadeza psicológica para fazer crescer a autoridade do marido aos olhos dos filhos.

A autoridade do marido sobre a esposa é uma autoridade de amor. " Mas para com a esposa que você escolheu como companheira de sua vida, que delicadeza, que respeito, que carinho você deve demonstrar em cada exercício de sua autoridade, seja ele feliz ou triste! Deixe que o seu comando, acrescenta o grande Bispo de Hipona mencionado há pouco, seja tão gentil quanto um bom conselho: e, deste conselho, a obediência extrairá encorajamento e força. Num lar cristão onde se vive pela fé e ainda é peregrino da cidade celestial, mesmo aqueles que comandam servem aqueles a quem parecem comandar, pois não comandam por qualquer desejo de governar, mas de aconselhar, não por orgulho de autoridade, mas através de uma previsão cuidadosa. "(Papa Pio XII)

Que o pai tenha gratidão por tudo que sua esposa faz diariamente por ele. No trabalho educativo, muitas vezes ela está sozinha como Daniel no meio de leões; diariamente, ela realiza muitas tarefas ingratas e encontra palavras, depois de um dia agitado, para sustentá-lo com seu amor. Deixe o pai se interessar pelo que a esposa faz. Deixe-o tentar o seu melhor para aliviar o fardo dela. Deixe-o encontrar tempo para ela, pois ela é aqui na terra a sua ajuda mais preciosa.

5) Um profeta: o pai

Consideremos agora o papel do pai de família como líder religioso, isto é, como ministro de Deus para a redenção de sua família. Este papel de redenção não é pequeno. O Santo Concílio de Trento diz: "É pela obra da Redenção que o nosso Deus infinitamente bom, que é ao mesmo tempo nosso Pai, atinge o limite de toda a sua bondade".

A família tem uma dimensão sobrenatural: é certamente o ninho que acolhe a vida natural, mas é também um templo onde floresce a vida sobrenatural. O pai de família é, tanto quanto um leigo pode ser, o sacerdote deste templo. No Antigo Testamento, o pai costumava levar a família ao templo. Também entre os pagãos, o pai oferecia os sacrifícios aos (falsos) deuses no altar da casa.

No Cristianismo, o pai não é investido do Santo sacerdócio como tal. O santuário das almas está fechado para ele. Ele não é o diretor espiritual nem o confessor da sua família. Mas ele participa de modo muito especial dos três poderes de Cristo: é profeta , rei e sacerdote .

Façamos aqui duas observações antes de começarmos a contemplar estes três aspectos da paternidade cristã.

Em primeiro lugar, recordemos que a família não é uma paróquia e não pode substituir a Igreja. Sua função é preparar e conduzir seus membros aos ofícios litúrgicos, especialmente à missa dominical. A família nasceu aos pés do altar. Do altar tira a sua virtude e a sua vivacidade.

Em segundo lugar, se o pai é de certo modo o sacerdote da família, deve viver em harmonia e amizade com aqueles que estão investidos do sacerdócio ministerial. A divisão e a crítica injustificada ao pároco só podem levar à diminuição da ordem sobrenatural na alma dos filhos.

Um profeta é aquele cujo papel é falar em nome de outra pessoa, e aqui, esse outro alguém é Deus. O pai participa da obra da Redenção. Ele é, portanto, um "profeta" no sentido de que fala à sua família em nome de Deus. "Ouça, meu filho, a instrução de seu pai, pois é uma coroa de graça para sua cabeça e um enfeite para seu pescoço." (Provérbios 1,8)

Sobre este papel profético do pai, que é o seu papel de representar Deus diante dos filhos, lemos também no livro de Tobias (1, 9-10): " Mas quando era homem, tomou por esposa Anna desta própria tribo, e teve um filho com ela, a quem chamou pelo seu próprio nome. E desde a infância ele o ensinou a temer a Deus e a se abster de todo pecado."

Ouçamos finalmente São João Crisóstomo: "Quando saírem da Igreja e entrarem em suas casas, preparem duas mesas, uma para os pratos do corpo e outra para os pratos da Sagrada Escritura. Deixe o marido repetir o que foi dito. Deixe a esposa ser instruída. Que os filhos ouçam, que o servo não se frustre com as leituras da Bíblia. Cada um de vocês faça da sua casa uma igreja. Não te foi confiada a salvação dos teus filhos e dos teus servos e não terás que prestar contas um dia? Como nós mesmos, pastores, teremos que prestar contas de suas almas, da mesma forma, os pais de família deverão prestar contas diante de Deus de todo o pessoal de sua casa: esposa, filhos, servo. Depois de alimentar seu corpo, portanto, tenha muito cuidado em servir esta mesa espiritual quando voltar para casa, onde reproduzirá o tema de nossas palestras." (Comentário sobre Gênesis 6, 2)

Considerando este grande papel do pai, não deveríamos chegar à conclusão de que ele deve, portanto, aprofundar e elevar constantemente a sua própria formação doutrinal, para poder responder às necessidades dos membros desta família.

6) Um rei e sacerdote

"Regere" em latim significa "liderar", "dirigir". Desta palavra, temos a palavra "rex", que é "rei". O pai pode ser considerado o "rei" de sua família porque tem autoridade para conduzir os membros da família ao Céu. Como ele realizará essa tarefa tão séria?

O papel do pai ao conduzir os membros da família para o Céu é primeiro estabelecer leis e costumes em sua casa, para criar uma ordem na qual as almas florescerão. Nisto devem ser incluídas coisas tão básicas como a hora de ir para a cama, a escolha dos amigos, as responsabilidades a confiar a um e aos outros. Obviamente ele fará tudo isso com a ajuda da esposa, mas não deixará tudo isso aos cuidados dela e fará questão de resistir à tentação de desistir, de se livrar desse dever.

O papel do pai será também proteger a esposa e os filhos. Por ser rei, deve manter uma vigilância constante e por vezes usar a força para afastar das almas que lhe foram confiadas os assaltos do diabo e do mundo, como disse Nosso Senhor no Evangelho: "Mas sabei isto, que se o dono da casa sabia a que hora o ladrão viria, ele certamente vigiaria e não permitiria que sua casa fosse arrombada." (Mat. 24, 23)

Um sacerdote é alguém que fica entre o céu e a terra. Encontramos isso muito bem ilustrado com os patriarcas do Antigo Testamento. O pai deve ser, como sacerdote, um homem de oração. É seu dever estar diante da face de Deus em nome de todos os seus.

Ele também deve ter o espírito de sacrifício. A influência que o pai terá sobre a família é muitas vezes proporcional à sua abnegação. Pais, uni-vos a Jesus-Vítima. Não viva uma vida fácil e branda como o mundo moderno o encoraja, mas tome sobre si o espírito da Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo. Seja fiel ao seu dever de Estado.

O pai deve ter um papel especial no culto familiar, rezando a bênção à mesa, liderando a oração pública, e não abandonando esse papel à esposa. O pai também pode abençoar seus filhos antes de irem para a cama ou antes de partirem em viagem. Ele faz isso na maioria das vezes marcando a testa com o sinal da cruz.

"Honra a teu pai, com trabalho, palavra e toda paciência, para que uma bênção dele venha sobre ti, e sua bênção permaneça no último fim." (Ecl. 3, 9-10)

CONCLUSÃO

Um bom pai compreenderá facilmente que, para cumprir a bela tarefa de ser o líder espiritual da família, precisará da ajuda de sua esposa. "Não é bom que o homem esteja só: façamos dele uma ajudadora semelhante a ele." (Gên. 2,18)

A Perfeita Alegria

Por: São Francisco de Assis

Vindo São Francisco de Assis certa vez de Perusa para Santa Maria dos Anjos com Fr. Leão, em tempo do inverno e atormentado pelo fortíssimo frio, frei Leão pediu-lhe:

Padre, peço-te, da parte de Deus, que me digas onde está a perfeita alegria.

E São Francisco assim lhe respondeu:

Quando chegarmos a Santa Maria dos Anjos, inteiramente molhados pela chuva e transidos de frio, cheios de lama e aflitos de fome, e batermos à porta do convento, e o porteiro chegar irritado e disser:

‒ Quem são vocês?

E nós dissermos:

‒ Somos dois dos vossos irmãos, e ele disser:

‒ Não dizem a verdade; são dois vagabundos que andam enganando o mundo e roubando as esmolas dos pobres; fora daqui!

E não nos abrir e deixar-nos estar ao tempo, à neve e à chuva, com frio e fome até à noite: então, se suportarmos tal injúria e tal crueldade, tantos maus tratos, prazenteiramente, sem nos perturbarmos e sem murmurarmos contra ele (…) escreve que nisso está a perfeita alegria.

E se ainda, constrangidos pela fome e pelo frio e pela noite batermos mais e chamarmos e pedirmos pelo amor de Deus com muitas lágrimas que nos abra a porta e nos deixe entrar, e se ele mais escandalizado disser:

‒ Vagabundos importunos, pagar-lhes-ei como merecem.

E sair com um bastão nodoso e nos agarrar pelo capuz e nos atirar ao chão e nos arrastar pela neve e nos bater com o pau de nó em nó:

Se nós suportarmos todas estas coisas pacientemente e com alegria, pensando nos sofrimentos de Cristo bendito, as quais devemos suportar por seu amor:

Ó irmão Leão, escreve que aí e nisso está a perfeita alegria, e ouve, pois, a conclusão, irmão Leão.

Acima de todas as graças e de todos os dons do Espírito Santo, os quais Cristo concede aos amigos, está o de vencer-se a si mesmo, e, voluntariamente, pelo amor, suportar trabalhos, injúrias, opróbrios e desprezos.

Fonte: Excerto dos "Fioretti de São Francisco",

Postei isso me referindo a mulheres querendo falar de assuntos que importância masculina e esse idiota veio falar besteira novamente, é só uma criança que não entende nada da vida, assim como você, então acorde para a realidade e me diferencie desses psicopatas. Em nenhum momento eu te ameacei de morte e nem falei que você está "precisando de p@ca".

Não sei por qual motivo eu estou nos prints, mas você consegue apontar algum erro na minha fala? Não sei se você percebeu, mas eu sou católico/ rad trad sedevacantista, e é assim que as coisas deveriam ser em uma monarquia verdadeiramente católica. Mulher não pode se meter com dinheiro, nem com assuntos de autoridade do homem, não tenho problema se a sociedade moderna deturpou seu pensamento com a modernidade até o ponto de você achar que as coisas que falei são um absurdo, lave a louça Luiza. Mulher cuida da casa, a educação dos filhos, a mulher só passa aquilo que o marido rege e ensina para ela, mulher não cuida de dinheiro e nem deve trabalhar em merda de escala 6x1, não faz faculdade e nem merda nenhuma de moderno. A MULHER CUIDA DA PROLE, O MARIDO ENSINA E A MULHER PASSA PARA OS FILHOS AQUILO QUE O MARIDO ENSINOU PARA ELA. Não sei o quanto você absorveu dessa merda toda de ancap e bitcoin que te enganaram, mas abandone essa merda se não o tempo vai passar e você não vai conseguir realizar aquilo que Deus quer que você realize, aquilo que toda mulher nasceu para ser, Santa e mãe.

Acho melhor você fazer um B.O. Não sair de casa durante alguns dias, tenta ficar trancada com familiares e pede ajuda de algum policial amigo da família para ele te ajudar com algo. E ande armada com uma faca na bolsa ou na cintura, não atenda a porta por uns 3 dias, e reze. Por mais que eu tenha dito aquelas verdades sobre a mulher não pode ter internet e nem se meter em teologia, eu não quero o seu mal e nem sua morte, pelo contrário, quero que se converta ao sedevacantismo que é o único catolicismo que existe. Que Deus te abençoe e guarda sua vida e dos seus familiares, e para de ficar dando mole na internet expondo por onde você anda, aqui você não tem amigos, lembre-se disso. Fique com Deus, rezarei por você.

As mulheres

E da maldade das mulheres fala-se em Eclesiastes XXV: "Não há cabeça superior à de uma serpente, e não há ira superior à de uma mulher. Prefiro viver com um leão e um dragão, que com uma mulher malévola". E entre muitas outras coisas que nesse ponto precedem e seguem ao tema da mulher maligna, concluímos: Todas as malignidades são pouca coisa em comparação com a de uma mulher. Pelo qual São João Crisóstomo diz em texto: "Não convém se casar". São Mateus, XIX: Que outra coisa é uma mulher, senão um inimigo da amizade, um castigo inevitável, um mal necessário, uma tentação natural, uma calamidade desejável, um perigo doméstico, um deleitável detrimento, um mal da natureza pintado com alegres cores! Portanto, se é um pecado divorciar-se dela quando deveria mantê-la, é na verdade uma tortura necessária. Pois ou bem cometemos adultério ao nos divorciar, ou devemos suportar uma luta quotidiana. Em seu segundo livro A Retórica, Cícero diz: "Os muitos apetites dos homens levam-no a um pecado, mas o único apetite das mulheres as conduz a todos os pecados, pois a raiz de todos os vícios femininos é a avareza". E Séneca diz em suas Tragédias: "Uma mulher ama ou odeia; não há uma terceira alternativa. E as lágrimas de uma mulher é um engano, pois podem brotar de uma pena verdadeira, ou ser uma armadilha. Quando uma mulher pensa sozinha, pensa o mal".

Mas para as boas mulheres há tanto louvor que lemos que deram beatitude aos homens, e salvaram nações, países e cidades; como fica claro no caso de Judith, Déborah e Esther. Veja-se também Coríntios I: "Da mulher que tem um marido infiel, e consente em habitar com ele; não a dispense. Porque o marido infiel é santificado na mulher". E Eclesiastes, XXVI: "Bendito o homem que tem uma mulher virtuosa, pois o número de seus dias se duplicará". E ao longo desse capítulo se dizem muitos elogios sobre a excelência das mulheres boas, o mesmo que no último capítulo dos Provérbios a respeito de uma mulher virtuosa.

E tudo isto fica claro no Novo Testamento, a respeito das mulheres e virgens e outras mulheres santas que pela fé afastaram nações e reinos da adoração de ídolos, para leva-los à religião cristã. Quem ler Vincent de Beauvais - em Spec. Histor. XXM 9 - encontrará coisas maravilhosas na conversão da Hungria pela muito cristã Gilia, e dos francos por Clotilda, esposa de Clodoveo. Portanto, em muitas críticas que lemos contra as mulheres, a palavra mulher se usa para significar o apetite da carne. E como foi dito: Aqui verificamos que a mulher é mais amarga que a morte e, uma boa mulher está submetida ao apetite carnal.

Outros propuseram outras razões pela existência de mais mulheres supersticiosas do que homens. E a primeira é mais crédula; e como o principal objetivo do demônio é corromper a fé, prefere atacá-las. Veja-se Eclesiastes, XIX: "Quem é rápido em sua credulidade, é de mente débil, e será decaído". A segunda razão é que, por natureza, as mulheres são mais impressionáveis e mais prontas a receber a influência de um espírito desencarnado; e que quando usam bem esta qualidade, são muito boas; mas quando a usam mal, são muito más.

A terceira razão é que possuem língua solta, e são incapazes de ocultar de seus semelhantes as coisas que conhecem das artes do mal e como são débeis, encontram uma maneira fácil e secreta de justificativa por meio da bruxaria. Veja-se Eclesiastes, tal como citamos acima: "Prefiro viver com um leão e um dragão, do que habitar com uma mulher malvada". Toda maldade é pouca coisa em comparação com a de uma mulher. E a isto pode se agregar que, como são muito impressionáveis, atuam em conivência.

Também há outros que postulam outras razões, das quais os evangelistas deveriam ter sumo cuidado quanto à maneira em que as usam. Pois é certo que no Antigo Testamento as Escrituras dizem muitas coisas más sobre as mulheres, e isso é devido à primeira tentadora, Eva, e suas imitadoras; porém depois, no Novo Testamento, encontramos uma troca de nome, como Eva para Ave (como diz São Jerônimo), e todo o pecado de Eva eliminado pela benção de Maria. Portanto os evangelistas sempre deveriam louvá-las tanto quanto seja possível.

Mas como nestes tempos esta perfídia se encontra com mais frequência entre as mulheres do que entre os homens, como sabemos pela experiência, se alguém sentir curiosidade em ter razão, podemos agregar, ao que foi dito o seguinte: que como são mais débeis de mente e de corpo, não é de se estranhar que caiam em maior medida sob o feitiço da bruxaria.

Porque no diz respeito ao intelecto, e à compreensão das coisas espirituais, elas parecem ser de natureza diferente dos homens, fato respaldado pela lógica das autoridades, e apoiado por diversos exemplos das Escrituras. Terêncio diz: "No intelectual, as mulheres são como crianças". E Latâncio em Institutiones III: "Mulher alguma, entendeu a filosofia, exceto Temeste". Em Provérbios, XI como se descrevesse uma mulher, diz: "Argola de ouro no focinho do porco é como uma mulher formosa apartada da razão".

Mas a razão natural é mais carnal que o homem, como fica claro analisando suas muitas abominações carnais. E devemos apontar o defeito na formação da primeira mulher, que foi formada de uma costela curva, isto é, a costela do peito, que se encontra encurvada, por assim dizer, em direção contrária a do homem. E devido a este defeito é um animal imperfeito, sempre engana. Por isso diz Catão: "Quando uma mulher chorar, fique preso na rede". E depois: "Quando uma mulher chora se esforça para enganar um homem". E isto é mostrado pela esposa de Sansão, que o instruiu a dizer o enigma proposto aos filisteus, e lhes deu a resposta, assim os enganando. E fica claro, no caso da primeira mulher, que tinha pouca fé; pois quando a serpente perguntou por que não comiam de todas as árvores do Paraíso, ela respondeu: "De todas as árvores, etc..., não é que por acaso morramos". Com o qual mostrou que duvidava, e que tinha pouca fé na palavra de Deus. E tudo isso é mostrado pela etimologia da palavra; pois Femina provem de Fé e Menos, considerando que é muito débil para manter e conservar a fé. E tudo isso, que diz respeito a fé, pertence a sua natureza, ainda que por graça e natureza a fé jamais faltou a Santa Virgem, mesmo no momento da paixão de Cristo, quando faltou a todos os homens.

Portanto, uma mulher malvada é por natureza mais rápida em vacilar em sua fé e, portanto, mais rápida em abjurar da fé, o que constitui a raiz da bruxaria. E quanto a sua outra qualidade mental, isto é, sua vontade natural; quando odeiam alguém a quem antes amou, fervem de ira e impaciência por toda alma, tal como as marés dos oceanos sempre se erguendo e arrebentando. Muitas autoridades referem-se a esta causa: Eclesiastes XXV "Não há ira superior à de uma mulher". E Sêneca em Tragédias: "Nenhuma força das chamas ou da tempestade, nenhuma arma mortífera, deve temer-se tanto como a luxuria e o ódio de uma mulher que foi divorciada do leito matrimonial".

Isto também se mostra na mulher que acusou falsamente José, e o fez prisioneiro porque não aceitou o delito de adultério com ela (Gênesis, XXX). E em verdade, a causa mais poderosa que contribui para aumento do número das bruxas é a lastimável rivalidade entre as pessoas casadas e as mulheres e os homens solteiros. E se isto é assim inclusive entre as "santas", como será, então, entre as demais? Pois em Gênesis, XXI vê-se o quanto impaciente e invejosa foi Sarah a respeito de Hagar quando concebeu; quanta inveja teve Raquel de Léa, porque não tinha filhos (Gênesis, XXX); e Hannah, que era estéril, da frutífera Peninnah (I Reis); e como Maria (Números, XII) murmurou e falou mal de Moisés, e portanto foi atacada de lepra; e de como Martha tinha inveja de Maria Madalena, porque estava ocupada e Maria achava-se sentada (São Lucas, X). A isto se refere Eclesiastes, XXXVII: "Não consultes com uma mulher a respeito daquela de quem está zelosa". Quer dizer que é inútil consultar com ela, já que sempre há ciúme, ou seja, inveja numa mulher malvada. E se as mulheres comportam-se desse modo entre si, quanto mais o farão entre os homens.

Valerlo Máximo conta que quando Foroneo, rei dos gregos, se encontrava moribundo, disse a seu irmão Leoncio que nada lhe haveria faltado em matéria de felicidade se sempre lhe tivesse faltado uma esposa. E quando Leoncio lhe perguntou como uma esposa poderia se interpor no caminho da felicidade, lhe respondeu que todos os homens casados o sabiam muito bem. E quando o filósofo Sócrates lhe perguntou se deveria ter casado com uma esposa, respondeu: "Se não o fazes estarás sozinho, tua família morrerá e te herdará um alheio; se o fazes sofre em eterna ansiedade, de lamurientos planos; recriminação a respeito da porção correspondente ao casamento; o forte desagrado de teus parentes, a charlatanice de uma sogra, um belo par de cornos, e a chegada nada segura de um herdeiro". Isso foi dito como quem sabia o que dizia. Pois São Jerônimo, em seu Contra Loniniannm, diz: "Este Sócrates tinha duas esposas que suportou com muita paciência, mas não pôde livrar-se de suas obstinações e suas clamorosas críticas. De maneira que um dia, quando se queixavam dele, por ter saído de casa para fugir do assédio, indo sentar-se do lado de fora; então as mulheres jogaram nele a água que lhe serviriam". Mas o filósofo não se importou com isso, e disse: "Já sabia que depois do trovão viria a chuva".

E também existe a história de um homem cuja esposa se afogou num rio. Enquanto ele procurava o cadáver para tirá-lo d'água, lhe perguntaram por quê caminhava correnteza acima; já que corpos pesados não se elevam, mas apenas descem, e ele procurava contra a corrente do rio; respondeu: "Quando esta mulher vivia, sempre, tanto em palavras como nos fatos, contradisse minhas ordens; portanto procuro na direção contrária, porque agora, mesmo morta, ainda conserva seu disposição contraditória".

E na verdade, pelo seu primeiro defeito de inteligência, são mais propensas a abjurar da fé, assim, como no segundo defeito de afetos e paixões exageradas, procuram, matutam e infligem diversas vinganças, seja por bruxaria ou outros meios. Pelo qual não é assombroso que existam tantas bruxas neste sexo.

As mulheres também têm memória débil, e nelas é um vício natural não serem disciplinadas, senão seguir seus próprios impulsos, sem sentido algum no que pretendem fazer; e isto é tudo o que sabem, e a única coisa que conservam na memória. De maneira que Teofrasto diz: "Se a elas entregar toda a administração da casa, mas reservar ao marido algum pequeno detalhe para seu próprio julgamento, ela pensará que ele demonstra uma grande falta de fé nela, e armará desavenças; e se ele não for logo procurar conselhos, ela lhe preparará veneno e consultará videntes e algures, e logo se converterá numa bruxa".

Mas quanto à dominação pelas mulheres, escute o que diz Cícero nos Paradoxos. "Pode ser chamado de livre um homem cuja esposa o governa, lhe impõe leis, lhe dá ordens e lhe proíbe de fazer o que deseja, de modo que não pode nem se atreve a lhe negar nada do que lhe pede? Eu não só o chamaria de escravo, senão, o mais baixo dos escravos, ainda que nascido na família mais nobre." E Seneca, na personagem da furiosa Medea, diz: "Porque deixas de seguir teu impulso feliz; tão grande é a parte da vingança com que te regozijas?" Onde apresenta muitas provas de que a mulher não pode ser governada, senão que segue seu próprio impulso, mesmo até sua destruição. Da mesma forma, lemos a respeito de muitas mulheres que se mataram por amor ou pena, porque não podiam se vingar.

Ao escrever sobre Daniel, São Jerônimo relata uma história de Laodicea, esposa de Antioco, rei da Síria; de como, ansiosa de que ele amasse sua outra esposa, Berenice, mais que ela, fez primeiro que Berenice e sua filha com Antioco fossem assassinadas, e depois se envenenou. E por que? Porque não queria ser governada, mais desejava seguir seus próprios impulsos. Portanto, São João Crisóstomo diz, não sem razão: "Oh maldade, pior que todos os males, uma mulher maligna, seja pobre ou rica". Pois se é esposa de um rico, não deixa de excitar, dia e noite, seu esposo, com palavras ardentes, nem de usar argumentos malignos e importunações violentas. E se tem um esposo pobre não deixa de incitá-lo até a cólera e a rixa. E se é viúva, dedica-se a menosprezar todos, em qualquer lugar, e se mostra inflamada para todas as audácias, por seu espírito orgulhoso.

Se pesquisarmos, veremos que quase todos os reinos do mundo foram derrubados por mulheres. Tróia, que era um reino próspero, foi destruída pela violação de uma mulher, Helena, e muitos milhares de gregos foram mortos. O reino dos judeus sofreu grandes infortúnios e destruição por causa da maldita Jezebel, e sua filha Ataliah, rainha da Judéia, que fez que os filhos de seu filho fossem mortos, para que na morte deles pudesse chegar a reinar; mas cada uma delas foi morta. O reino dos romanos suportou muitos males devido a Cleópatra, rainha de Egito, a pior das mulheres. E assim como outras. Portanto, não é estranho que o mundo sofra agora com malícia das mulheres.

E examinaremos em seguida os desejos carnais do corpo, dos quais surgiram inumeráveis danos para a vida humana. Com justiça podemos dizer como Catão de Utica: "Se o mundo pudesse libertar-se das mulheres, não careceríamos de Deus em nossas relações". Pois em verdade, sem a malignidade das mulheres, para não falar da bruxaria, o mundo seguiria existindo a prova de inumeráveis perigos. Ouça o que disse Valerlo a Rufino: "Não sabeis que a mulher é a Quimera, mas é bom que o saibas, pois esse monstro tinha três formas; seu rosto era de um radiante e nobre leão; tinha o asqueroso ventre de uma cabra, e estava armada da cauda virulenta de uma víbora". Quer dizer que uma mulher é formosa na aparência, contamina pelo tato e é mortífero viver com ela.

Consideremos outra de suas propriedades, sua voz. Pois como é embusteira por natureza, assim também em sua fala fere enquanto nos deleita. Pelo qual sua voz é como o canto das sereias, que com suas doces melodias atraem aos viajantes e os matam. Pois os matam esvaziando-lhes os bolsos, consumindo-lhes as forças, e fazendo-os abandonar a Deus. E Valerlo também diz a Rufino: "Quando fala, é um deleite que aroma o pecado; a flor do amor é uma rosa, pois embaixo de seu botão se escondem muitos espinhos". Veja Provérbios, v 3-4: "Porque os lábios da estranha destilam mel e seu paladar é mais macio que o azeite; mas seu fim é amargo como o absinto". (Sua garganta é mais lisa que o óleo. Mas sua extremidade é tão amarga quanto o absinto).

Consideremos também seu porte, postura e vestimenta, que é a vaidade das vaidades. Não há homem no mundo que se esforce tanto por comprazer ao bom Deus, como uma mulher comum estuda suas vaidades para comprazer aos homens. Um exemplo disso se encontra na vida de Pelagia, uma mulher mundana que saíra para passear por Antióquia ataviada e enfeitada nas formas mais extravagantes. Um santo padre, chamado Nonno, viu-a e rompeu-se a chorar, e disse a seus companheiros que nunca em sua vida havia usado tanta diligência para comprazer a Deus, e agregar-se muito mais a Ele, se resguardando em orações.

Isto é o que se lamenta em Eclesiastes VII e que a igreja inclusive lamenta agora devido à grande quantidade de bruxas. "E eu achei mais amarga que a morte, a mulher, a qual é rede e laços do coração; suas mãos são como ligaduras. O que agrada a Deus escapará dela; mas o pecador será preso nela". Mais amarga que a morte, isto é, que o demônio: Apocalipse VI, 8, "tenha, por nome Morte". Pois mesmo o demônio levando Eva ao pecado, Eva seduziu Adão. E como o pecado de Eva não havia levado a morte a nossa alma e corpo, a menos que o pecado passasse depois para Adão, o qual foi tentado por Eva, e não pelo demônio, então ela é mais amarga que a morte. É mais amarga que a morte, porque isso é natural e destrói apenas o corpo; mas o pecado que nasceu da mulher destrói a alma ao despojá-la da graça, e entregar o corpo ao castigo pelo pecado.

É mais amarga que a morte, porque a morte do corpo é um inimigo franco e terrível, mas a mulher é um inimigo lamuriento e secreto. E o fato de que é mais perigosa que uma armadilha, não falando das armadilhas dos caçadores, mas dos demônios. Pois os homens são capturados, não só por seus desejos carnais, quando veem e ouvem às mulheres; mas, como diz São Bernardo: "Seu rosto é um vento quente, e sua voz o apito das serpentes"; e também provocam encantamentos em inúmeros homens e animais. E quando se diz que o coração delas é uma rede, se fala da inescrutável malícia que reina em seu coração. E suas mãos são como laços para amarrar, pois quando posam suas mãos sobre uma criatura para enfeitiçá-la, então, com a ajuda do demônio, executam seu desígnio.

Para terminar. Todas as bruxarias provem do apetite carnal que nas mulheres é insaciável. Vejam-se Provérbios XXX: "Há três coisas que nunca se fartam; ainda a quarta nunca diz basta": a matriz estéril. Pelo qual, para satisfazer seus apetites, se unem inclusive aos demônios. Muitas outras razões deveríamos apresentar, mas para o entendimento está claro que não é de se estranhar que existam mais mulheres que homens infectadas pela heresia da bruxaria. E em consequência disso, é melhor chamar de heresia das bruxas do que dos bruxos, já que o nome deriva do grupo mais poderoso. E bendito seja o Altíssimo, que até hoje protegeu o sexo masculino de tão grave delito; pois Ele se mostrou disposto a nascer e sofrer por nós e, portanto concedeu esse privilégio aos homens.

LIVROS E ARTIGOS NA BIBLIOTECA DA AÇÃO RESTAURACIONISTA CONTRA A GNOSE

Jean Vaquié: https://biblioteca.acaorestauracionista.com.br/shelves/jean-vaquie

A IMPOSTURA GUENONIANA: https://biblioteca.acaorestauracionista.com.br/books/a-impostura-guenoniana

ABREVIADO DE DEMONOLOGIA: https://biblioteca.acaorestauracionista.com.br/books/abreviado-de-demonologia

A BATALHA PRELIMINAR: https://biblioteca.acaorestauracionista.com.br/books/a-batalha-preliminar

A PROPÓSITO DA CONTRA-IGREJA: https://biblioteca.acaorestauracionista.com.br/books/a-proposito-da-contra-igreja

OCULTISMO E FÉ CATÓLICA: OS PRINCIPAIS TEMAS GNÓSTICOS: https://biblioteca.acaorestauracionista.com.br/books/ocultismo-e-fe-catolica-os-principais-temas-gnosticos

O RETORNO OFENSIVO DA GNOSE: https://biblioteca.acaorestauracionista.com.br/books/o-retorno-ofensivo-da-gnose

REFLEXÕES SOBRE OS INIMIGOS E A MANOBRA: https://biblioteca.acaorestauracionista.com.br/books/reflexoes-sobre-os-inimigos-e-a-manobra

OBSERVAÇÕES SOBRE A INFLUÊNCIA DO OCULTO NO DISCURSO TRADICIONAL CATÓLICO: https://biblioteca.acaorestauracionista.com.br/books/observacoes-sobre-a-influencia-do-oculto-no-discurso-tradicional-catolico

DOSSIÊ DO ICLS: https://biblioteca.acaorestauracionista.com.br/books/dossie-do-icls

As Heresias da Gnose do Professor Jean Borella: https://biblioteca.acaorestauracionista.com.br/books/as-heresias-da-gnose-do-professor-jean-borella

MISTÉRIO DA INIQUIDADE: Investigação Teológica, Histórica e Canônica: https://biblioteca.acaorestauracionista.com.br/books/misterio-da-iniquidade-investigacao-teologica-historica-e-canonica

ARQUIVO ANTI-GNÓSTICO

VÍDEOS NO CANAL DA AÇÃO RESTAURACIONISTA CONTRA A GNOSE

Alain Pascal - Alain Pascal: História Secreta da Filosofia - Newton e Leibniz - [ALAIN PASCAL LEGENDADO]: https://www.youtube.com/watch?v=mF2qhv2th2Y

Alain Pascal - Adão e Eva (Alain Pascal Legendado): https://www.youtube.com/watch?v=WJjEbnC21T8

Alain Pascal - Gênesis e Evolução (Alain Pascal Legendado): https://www.youtube.com/watch?v=qojE1CSnAaA

Alain Pascal - Modernos e Primitivos (Alain Pascal Legendado): https://www.youtube.com/watch?v=PB5LDJjUd38

Alain Pascal - Tradições Pagãs e o Diabo (Alain Pascal Legendado): https://www.youtube.com/watch?v=Jq-TeRkHJYs

Alain Pascal - Os mistérios de Eleusis e do Oriente (Alain Pascal Legendado): https://www.youtube.com/watch?v=eQMDzKieqew

Alain Pascal - Pitágoras e Sócrates (Alain Pascal Legendado): https://www.youtube.com/watch?v=GWUGfx24q6g

Alain Pascal - Platão e Aristóteles (Alain Pascal Legendado): https://www.youtube.com/watch?v=a2uTLVeM2MQ

Alain Pascal - O que é a Gnose? (Alain Pascal Legendado): https://www.youtube.com/watch?v=3zFgZFShQEc

Alain Pascal - Gnose e Magia (Alain Pascal Legendado): https://www.youtube.com/watch?v=i2N2j5t1YVk

Alain Pascal - Descartes, Malebranche e Spinoza: https://www.youtube.com/watch?v=A3sOUzr80Xk

Alain Pascal - (legendado) - Fílon o Judeu e Simão o Mago: https://www.youtube.com/watch?v=NkZveNC8bis

Alain Pascal - Carpócrates, Plotino e Proclo: https://www.youtube.com/watch?v=lyjzN5ggARY

Alain Pascal - Joaquim de Fiore, Le Roman de La Rose, Mestre Eckhart e Guilherme d'Ockham: https://www.youtube.com/watch?v=vIiEoA_ErSs

Alain Pascal - Avicena, Averróis e Maimônides - Alain Pascal Legendado: https://www.youtube.com/watch?v=C5DVWTa9BfI

Alain Pascal - A Revolução Cartesiana: https://www.youtube.com/watch?v=AWdqKBARjO8

Étienne Couvert - A Gnose Maniqueista nas Origens do Budismo - Étienne Couvert: https://www.youtube.com/watch?v=Mku7Dk1giz0

ARTIGOS DO SITE AÇÃO RESTAURACIONISTA CONTRA A GNOSE

Os princípios da verdadeira e da falsa mística: https://acaorestauracionista.com.br/5

Lutero era um Rosacruz, um gnóstico, um arqui-inimigo da Igreja: https://acaorestauracionista.com.br/26

A fumaça de Satanás: Documentos sobre o Cônego Paul Roca: https://acaorestauracionista.com.br/34

René Guénon e a Crise do Mundo Moderno: https://acaorestauracionista.com.br/56

René Guénon: do Anjo do Graal à Maçonaria - Parte 1: https://acaorestauracionista.com.br/57

René Guénon: do Anjo do Graal à Maçonaria - Parte 2: https://acaorestauracionista.com.br/59

René Guénon: do Anjo do Graal à Maçonaria - Parte 3: https://acaorestauracionista.com.br/60

A Impostura da Maçonaria "Cristã e Tradicionalista": https://acaorestauracionista.com.br/61

Gnose Cristã e Gnose Anti-Cristã: https://acaorestauracionista.com.br/62

Mitos e Realidades Maçônicas: https://acaorestauracionista.com.br/63

O Concílio dos Malvados Me Cerca: https://acaorestauracionista.com.br/97

O PROBLEMA ARDENTE DA TRADIÇÃO: https://acaorestauracionista.com.br/98

ALGUMAS DEFINIÇÕES SOBRE O SIMBOLISMO CRISTÃO: https://acaorestauracionista.com.br/99

O MITO DA BOA GNOSE: https://acaorestauracionista.com.br/100

A ILUMINAÇÃO INICIÁTICA: https://acaorestauracionista.com.br/106

A FSSPX INFILTRADA POR GNÓSTICOS - PARTE I: https://acaorestauracionista.com.br/107

A FSSPX INFILTRADA POR GNÓSTICOS - PARTE II: https://acaorestauracionista.com.br/108

A FSSPX INFILTRADA POR GNÓSTICOS - PARTE III: https://acaorestauracionista.com.br/109

A FSSPX INFILTRADA POR GNÓSTICOS - PARTE IV: https://acaorestauracionista.com.br/110

A FSSPX INFILTRADA POR GNÓSTICOS - PARTE V: https://acaorestauracionista.com.br/111

SOBRE O PERENIALISMO (Fernanda Conforto) - CARTA I: https://acaorestauracionista.com.br/112

SOBRE O PERENIALISMO (Fernanda Conforto) - CARTA II: https://acaorestauracionista.com.br/113

SOBRE O PERENIALISMO (Fernanda Conforto) - CARTA III: https://acaorestauracionista.com.br/114

SRA. COOMARASWAMY: https://acaorestauracionista.com.br/115

COOMARASWAMY E CROWLEY: https://acaorestauracionista.com.br/116

Replying to Avatar Luiza

Agora há pouco, o amor da minha vida, que está morando na Alemanha, me ligou e ficamos por quase duas horas falando ao telefone, bem no meio do meu horário de trabalho!

Não sei o porquê, mas ele me parecia aborrecido ao telefone (talvez algum problema por lá). Disse-me coisas que me deixaram muito triste. Disse que "bitcoin não é coisa pra mulher" e que, quando retornar ao Brasil, em dezembro deste ano, vai querer que eu transfira todos os meus satoshis pra ele. Disse, também, que se eu quiser me casar com ele, em 2025, terei de excluir minha conta nas redes sociais (inclusive aqui no Nostr!) e colocá-lo como único titular de todas as minhas contas bancárias (Mercado Pago, Nubank e XP). Ele não quer conta conjunta, disse que "se eu confio verdadeiramente nele, devo transferir todas as minhas contas para o nome dele". Ele também quer que eu coloque o meu apartamento no nome dele. Beleza, sem problemas quanto a isso, mas o problema é que eu coloquei o meu apartamento no nome da minha mãe, para dar uma segurança a ela. Ele quer que eu tire do nome dela e transfira para o nome dele! Mas se eu fizer isso vou arrumar um problemão com a minha mãe, entende?!

Embora eu tenha uma forte inclinação à obediência, à submissão e à subserviência ao homem que amo, não acho isso justo, sabe?! Os satoshis que tenho eu comprei com o meu dinheiro, com o dinheiro do meu trabalho! Então devia, pelo menos, ser nosso, não apenas dele! Também não quero tirar o apartamento que coloquei no nome da minha mãezinha! Ele já é rico, minha mãe é classe média e tem diversos problemas de saúde!

Os meus pais não gostam dele justamente por causa desse tipo de comportamento que eles consideram demasiadamente "opressor", além do fato de ele ser 18 anos mais velho do que eu. No entanto, eu me apaixonei por ele justamente pelo fato de ele ser assim, sabe?!

Confesso que terminei a ligação chorando a ponto de soluçar, muito triste. Aí, 2 minutos depois, ele me ligou, mas eu não atendi de raiva. Aí ele me passou uma mensagem pedindo "desculpas", com um emoji de "mãos em prece" e outro de coração. Ah!

Eu não tenho amigos com quem desabafar, sou bem tímida e introvertida na vida real, então fico sem ter com quem conversar essas coisas de relacionamento. Gostaria de ter uma amiga mais velha, alguém que pudesse me aconselhar, alguém com quem eu pudesse desabafar presencialmente, tête-à-tête, sabe?! Mas infelizmente o único lugar que tenho hoje para desabafar é justamente o Nostr, repleto de haters, trolls e pessoas que nada têm a acrescentar, apenas disferem o ódio gratuito que carregam em seus corações...

Desculpe por qualquer erro ortográfico, estou digitando esta nota no Metrô, pelo celular e com um enorme "nó na garganta", uma vontade absurda de chegar logo em casa pra chorar...

Ele está certo.

Se a obra “Speculum astronomiae”, de Santo Alberto Magno, autoriza a estudar ou a usar qualquer tipo de astrologia...

Pura e simplesmente, o livro Speculum Astronomiae (e não "Astrologiae"), comumente atribuído a Alberto Magno e publicado entre suas obras, não lhe pertence a título algum. É de Roger Bacon, que neste livro, ainda que disfarçadamente, defende como sempre a astrologia judiciária e as "ciências" divinatórias. (Cf. Pierre Mandonnet, Siger de Brabante e o Averroísmo Latino no Século XIII, por publicar proximamente.)

A impossibilidade de que o astrólogo acerte por si mesmo quanto ao que depende da vontade humana

Carlos Nougué

Assim como provavelmente seria impossível a vida na terra sem o conjunto do universo em toda a sua complexidade, assim tampouco se há de duvidar que os astros, em toda a complexidade do cosmos, influam de algum modo sobre o corpóreo sublunar. De que modo exercem precisamente tal influência é algo que não creio se revolva no âmbito de nossa ciência – o que, uma vez mais, não há senão de acender-nos ainda mais a admiração por seu autor. Mas há que registrar que tal influência ou influxo será meramente corpóreo, conquanto, pela união da alma humana a seu corpo, possa influir predisponentemente sobre ela, segundo o modo dito no capítulo 128 do livro 1 do Compêndio de Teologia, de Santo Tomás de Aquino. Mas tal, ainda de acordo com o nosso santo, só pode dar-se entre os viciosos, ou seja, os que se deixam dominar pelos influxos do corpo e se entregam às paixões. Isso não quer dizer, no entanto, segundo as mesmas premissas de Santo Tomás, que os que carecem de virtude sigam sempre o influxo indireto dos astros: poucos são os casos extremos em que já nunca se contraria, por juízo da razão e por vontade, a inclinação viciosa.

Pode mostrar-se da seguinte maneira, portanto, a impossibilidade de que os astros influam de outro modo que predisponentemente sobre o humano. Suponha-se que determinado homem, influído de algum modo pelos astros, e sem ter alcançado a sabedoria e a virtude durante toda a vida, se tenha viciado em jogos de azar. Sucede porém que, velho já, decide por livre arbítrio – de que é dotado todo e qualquer ser humano – que deixará de jogar para não desagradar à esposa gravemente enferma, mas no momento mesmo de sua decisão sofre um ataque cardíaco fulminante e morre. Terá morrido, assim, contrariando uma tendência predisponente adquirida por influxo dos astros. E, se tal decisão foi movida por alguma graça divina, então ainda mais se patenteia a impossibilidade de influxo direto dos astros sobre a alma humana: porque, se a alma humana por si não pode sofrer influxo imediato dos astros, muito menos o poderá aquele que é o criador dos astros.

Por isso mesmo é que a Igreja (ou seja, seu magistério e sua tradição, incluídos seus Padres e Doutores) não só condena veementemente a astrologia, mas anatematiza seus defensores. Como diz Santo Tomás de Aquino, “é pecado grave recorrer aos juízos dos astros com respeito às coisas que dependem da vontade humana”; e, se se acerta em algo com respeito a isto, tal não se deverá senão a um “pacto ou sociedade com o demônio”.

“Dos Juízos dos Astros”, opúsculo de Santo Tomás de Aquino

Porque me pediste que escrevesse se é lícito recorrer aos juízos dos astros, e querendo satisfazer teu pedido, tratei de escrever o que nos foi transmitido sobre isto pelos sacros doutores.

Em primeiro lugar, portanto, é-te necessário saber que a virtude dos corpos celestes se estende a imutar [modificar] os corpos inferiores. Diz com efeito Agostinho, no livro V de Da Cidade de Deus: “não de todo absurdamente pode dizer-se que certos influxos sidéreos são suficientes só para diferenças dos corpos”. E assim, se se recorre aos julgamentos dos astros para conhecer antecipadamente efeitos corporais, como, por exemplo, tempestade e serenidade do ar, saúde ou enfermidade do corpo, ou abundância e esterilidade dos frutos, e coisas assim que dependem de causas corporais e naturais, parece não haver nenhum pecado. Pois todos os homens, acerca de semelhantes efeitos, se utilizam de alguma observação dos corpos celestes: assim, os agricultores semeiam e colhem em certo tempo, que se observa segundo o movimento do sol; os marinheiros evitam navegações no plenilúnio, ou no eclipse da lua; os médicos, com respeito às doenças, observam dias críticos, que são determinados segundo o curso do sol e da lua. Por isso não é inconveniente recorrer, segundo outras observações mais ocultas das estrelas, ao juízo dos astros com respeito a efeitos corporais.

É necessário todavia manter totalmente que a vontade do homem não está sujeita à necessidade dos astros; sem isso pereceria o livre-arbítrio: e, supresso este, nem se atribuiria ao homem o mérito das boas obras, nem se lhe atribuiria a culpa das más. E por isso todo cristão deve sustentar certissimamente que tudo o que depende da vontade do homem, como é o caso de toda e qualquer obra humana, não se sujeita à necessidade dos astros: e por isso se diz em Jeremias X, 2: “não temais os sinais do céu, como temem os gentios”.

Mas o diabo, para arrastar todos ao erro, imiscui-se em suas obras que têm respeito aos juízos dos astros. E por isso diz Agostinho em II [17] de Super Gen. ad litteram: “deve reconhecer-se que, quando coisas verdadeiras são ditas pelos astrólogos, são ditas por impulso de algo ocultíssimo, que ignorantes mentes humanas padecem: o que, como se faz para enganar os homens, é uma operação de espíritos imundos e sedutores, aos quais se permite conhecer coisas verdadeiras das coisas temporais”. E por isso diz Agostinho no livro II de De doctrina Christiana [II, 23] que semelhantes observações dos astros se relacionam a certos pactos tidos com os demônios. Mas o cristão deve evitar totalmente ter pacto ou sociedade com o demônio, segundo aquilo do Apóstolo em I Coríntios X, 20: “Eu não quero que vos torneis sócios dos demônios”. E assim deve ter-se por certo que é pecado grave recorrer aos juízos dos astros com respeito às coisas que dependem da vontade do homem.

* * *

Sancti Thomae de Aquino

De iudiciis astrorum

Quia petisti ut tibi scriberem an liceret iudiciis astrorum uti, tuae petitioni satisfacere uolens, super ea quae a sacris doctoribus traduntur, scribere curaui.

In primis ergo oportet te scire quod uirtus celestium corporum ad immutanda inferiora corpora se extendit. Dicit enim Augustinus V De ciuitate Dei Non usquequaque absurde dici potest ad solas corporum differentias afflatus quosdam sydereos peruenire. Et ideo, si aliquis iudiciis astrorum utatur ad prenoscendum corporales effectus, puta tempestatem et serenitatem aeris, sanitatem uel infirmitatem corporis, uel ubertatem et sterilitatem fructuum, et cetera huiusmodi que ex corporalibus et naturalibus causis dependent, nullum uidetur esse peccatum. Nam omnes homines circa huiusmodi effectus aliqua obseruatione utuntur celestium corporum: sicut agricole seminant et metunt certo tempore quod obseruatur secundum motum solis; naute nauigationes uitant in plenilunio, uel in lune defectu; medici circa egritudines creticos dies obseruant, qui determinantur secundum cursum solis et lune. Vnde non est inconueniens, secundum aliquas alias occultiores obseruationes stellarum, circa corporales effectus uti astrorum iudicio.

Hoc autem omnino tenere oportet, quod uoluntas hominis non est subiecta necessitati astrorum; alioquin periret liberum arbitrium, quo sublato non deputarentur homini neque bona opera ad meritum, neque mala ad culpam. Et ideo certissime tenendum est cuilibet christiano, quod ea que ex uoluntate hominis dependent, qualia sunt omnia humana opera, non ex necessitate astris subduntur; et ideo dicitur Ier. x A signis celi nolite metuere que gentes timent.

Sed dyabolus, ut omnes pertrahat in errorem, immiscet se operibus eorum qui iudiciis astrorum intendunt ; et ideo Augustinus dicit in II Super Genesim ad litteram Fatendum, quando ab astrologis uera dicuntur, instinctu quodam occultissimo dici, quem nescientes humane mentes patiuntur; quod cum ad decipiendos homines fit, spirituum immundorum et seductorum operatio est, quibus quedam uera de temporalibus rebus nosse permittitur. Et ideo Augustinus dicit in II De doctrina christiana quod huiusmodi obseruationes astrorum referende sunt ad quedam pacta cum demonibus habita. Est autem omnino christiano uitandum pactum uel societatem cum demonibus habere, secundum illud Apostoli I Cor. x Nolo uos fieri socios demoniorum. Et ideo pro certo tenendum est graue peccatum esse, circa ea que a uoluntate hominis dependent iudicio astrorum uti.

Parte I: O Ensinamento dos santos doutores

Santo Tomás, logo no início de sua epístola sobre o tema, afirma que não procurará escrever senão sobre aquilo que ensinaram os santos doutores (ea quae a sacris doctoribus traduntur). Com efeito, a oposição às adivinhações astrológicas e outras supertições não é uma peculiaridade do Aquinate — ao contrário, é ela quase tão antiga quanto a própria Igreja. Façamos um breve retrospecto e ouçamos a voz da Igreja.

Talvez a primeira coisa que se deva dizer acerca da consulta aos astros é que ela está formalmente condenada desde os primeiros séculos da Igreja, como se vê no Denziger:

[Dz 35] Se alguém pensa que se deve crer na astrologia, seja anátema. [Concílio de Toledo, ano 400].

E, novamente, pelo Papa João III, no século VI:

[Dz 239] Se alguém crê que as almas humanas estão ligadas a um signo fatal, como disseram os pagãos e Prisciano, seja anátema.

Estas definições, suficientes para todo católico que não tem nem quer ter espírito de revolta, foi ainda repetida por inúmeros Santos, Doutores e Teólogos. Mesmos em tempos mais recentes, não deixou o Magistério de condená-la, como se vê em trechos do Catecismo de S. Pio X.

As condenações à astrologia são antiquissimas. Se tentássemos fazer uma história destas condenações, começaríamos com as próprias Sagradas Escrituras: Dt. 4:19, 17:3, 2 Rs. 17:16, 21:3 Jr. 8:2.

Passaríamos, em seguida, ao Catecismo dos Apóstolos, chamado Didaqué:

“[...] Também não pratique encantamentos, astrologia ou purificações, nem queira ver ou ouvir sobre essas coisas, pois de todas essas coisas provém a idolatria.” [Didaqué, ed. Paulus, 1989, pp. 12-13]

Mais um passo, e encontraríamos as objeções dos Padres da Igreja. Citemos alguns autores:

— Tertuliano: “Observamos entre as artes algumas acusáveis de idolatria. Dos astrólogos, nem deveríamos falar; mas como nesses dias um deles nos desafiou, defendendo em proveito próprio a perseverança nesta profissão, direi algumas palavras. Alego não que ele honre ídolos, cujo nome escreveu nos céus, para quem atribui todo o poder de Deus... Proponho o que segue: aqueles anjos, os desertores de Deus [demônios]... eram muito provavelmente os descobridores dessa curiosa arte [a astrologia] por isso mesmo condenada também por Deus” (Idolatria 9 [211 D.C ]).

— Hipólito: “Quão impotente é o sistema [astrológico] para comparar as formas de disposições dos homens com os nomes das estrelas!” (Refutação de Todas Heresias 4:37 [228 D.C.]).

— Taciano o Sírio: “[Sob a influência de demônios] os homens formam o material de sua apostasia. Tendo a eles mostrando o plano da posição das estrelas, como jogadores de dados, introduzem o Destino, uma injustiça patente. O julgamento e o julgado são feitos pelo Destino, os assassinos e os assassinados, os afluentes e os necessitados – [todos são] o produto do mesmo Destino” (Discurso Aos Gregos 8 [D.C. 170])

Escutemos agora os Doutores da Igreja:

— Sto. Atanásio: “Donde ser verdade que os autores de tais livros [os astrólogos] acarretaram a si próprios uma dupla reprovação, pois aprofundaram-se em uma desprezível e mentirosa ciência”. (Carta de Páscoa 39:1 [D.C. 367])

— Sto. Basílio Magno: “Aqueles que ultrapassam os limites, fazendo das palavras da Escritura sua apologética para a arte de calcular temas de genitura [horóscopos], pretendem que nossa vida dependa da moção dos corpos celestes, e assim os Caldeus leem nos planetas o que nos ocorrerá”. (Os 6 dias da Criação 6:5 [D.C. 370])

— Sto. João Crisóstomo: “(...) E de fato uma treva profunda oprime o mundo. É ela que devemos fazer dissipar e dissolver. E tal treva não se encontra somente entre os heréticos e os gregos, mas também na multidão do nosso lado, no que diz respeito às doutrinas da vida. Pois muitos [os Católicos] descrêem inteiramente na ressurreição; muitas fortificam-se com o horóscopo; muitos aderem a práticas supersticiosas, augúrios e presságios”. (Homilias sobre Coríntios I, 4:11 [D.C. 392])”.

— Sto. Agostinho: "O bom cristão deve precaver-se de astrólogos e outros adivinhadores ímpios" (cit. na Suma Teológica de Sto. Tomás, IIa IIae., q.95, art.5).

Para não nos alongarmos demasiadamente em citações, mencione-se apenas que também condenaram a astrologia Sto. Isidoro de Sevilha, na sua obra Etimologias, Sto. Boaventura, no Hexaemeron (onde qualifica a astrologia de “abuso da razão”), Sto. Afonso Maria de Ligório, doutor em teologia moral, para quem praticar astrologia é incorrer em pecado mortal (Comentário aos Dez Mandamentos).

Parte II: A posição de Santo Tomás de Aquino

Para maior esclarecimento quanto à posição de Santo Tomás de Aquino, publicamos estas notas extraídas das “Conclusões” do capítulo X do livro "Les corps célestes dans l´univers de saint Thomas d´Aquin", de Thomas Litt, O.C.S.O (Publications Universitaires — Louvain, Belgique, 1963, p. 240-241). Entre colchetes, algumas observações de nossa autoria:

Finalmente cremos poder resumir como segue a posição de Santo Tomás com respeito à astrologia:

1. Ele afirma como absolutamente certo o princípio geral de uma influência universal dos corpos celestes sobre todos os eventos corporais da terra, incluídos os eventos fisiológicos concernentes aos animais e aos homens.

É para ele uma certeza filosófica absoluta; é, ademais, uma verdade de senso comum (II Sent., 15, 1, 2, c.) e é também uma verdade ensinada pelas "autoridades dos santos" (ibidem); ele cita notadamente Dênis e Santo Agostinho (p.ex., Ia, 115, 3, sed contra).

[A influência admitida restringe-se aos eventos corporais. Nisso, na Suma Contra os Gentios, Santo Tomás é taxativo: "é impossível que a operação intelectual esteja sujeita aos movimentos celestes" (III. 84). Da mesma forma, nega qualquer influência dos astros sobre nossa vontade, como se vê na epístola supra, "... é preciso absolutamente compreender que a vontade do homem não está sujeita à necessidade dos astros". Assim, Santo Tomás exclui do raio de influência dos astros justamente as faculdades que especificam o homem — os intelectos e a vontade.]

2. Ele afirma com igual certeza que a influência dos corpos celestes sobre os atos humanos é indireta e jamais necessitante. Acrescenta que a opinião contrária é herética, porque exclui a liberdade humana.

[Isso fica claro nessa passagem da C. G. (III. 85): "[os corpos celestes] podem ser, não obstante, causa ocasional indiretamente (...)". E o exemplo clarifica: "por exemplo, quando por disposição dos corpos celestes o ar se esfria intensamente, decidimos esquentar-mo-nos no fogo ou outras coisas em consonância com o tempo".]

3. Ele não se pergunta nem uma única vez se o axioma ou postulado astrológico fundamental é fundado ou não: a importância decisiva, sobre todo o futuro de um homem, da configuração do céu no momento de seu nascimento (tema de genitura).

Não encontramos senão uma só vez em Santo Tomás a palavra nativitas no sentido de tema de genitura: na citação do Centiloquium que referimos na p. 233. Esta citação é aliás a única predição astrológica concreta que encontramos, e é introduzida por uma formula muito dubitativa.

Sucede-lhe outra vez mencionar os patronatos estrelares dos sete dias da semana, mas é para observar que se pode, sem perigo para a fé, adotar ou rejeitar essa teoria.

4. Ele admite que, em princípio, os astrólogos predizem corretamente o futuro dos homens. Eis as dez referências que conhecemos. Nas três últimas em data, diz que as predições são justas ut in pluribus.

II Sent., 7, 2, 2, ad 5: Quando as predições têm em vista os atos humanos livres, são amiúde falsas.

II Sent., 15, 1, 3, ad 4: As predições são verdadeiras, mas porque os demônios ajudam o astrólogo.

II Sent., 25, 2, ad 5: As predições fazem-se conjecturaliter et non per certitudinem scientiae.

C. G. III, 84: Os astrólogos podem julgar do nível intelectual de um homem (não há indicação sobre a frequência dos julgamentos justos).

C. G. III, 85: A impressão das estrelas produz seu efeito na maior parte dos homens, a saber, naqueles que não resistem a suas paixões.

C. G. III, 154: Os demônios podem fazer muitas predições justas (mais acima Santo Tomás mais ou menos equiparou a ciência das demônios e a dos astrólogos).

De sortibus, c. 4, n. 660: Os astrólogos predizem justamente quandoque, e enganam-se amiúde nas predições particulares.

Ia., 115, 4, ad 3: Os astrólogos predizem justamente ut in pluribus, sobretudo nas predições gerais.

Ia.IIae., 9, 5, ad 3: Eles predizem justamente ut in pluribus.

IIa. IIae., 95, 5, ad 2: Eles predizem justamente frequenter.

5. Acerca da licitude da adivinhação astrológica, temos seis textos, onde o ensinamento permanece constante ao longo da carreira de Santo Tomás, sem que se possa discernir uma evolução nem para mais nem para menos severidade.

A doutrina resume-se a isto: não é supersticioso nem ilícito buscar prever pelos astros as secas, as chuvas etc. É supersticioso e ilícito buscar prever pelos astros as ações livres humanas, e, segundo a autoridade de Santo Agostinho, o demônio imiscui-se amiúde nesse gênero de consultas, que se tornam por isso mesmo um pacto com o demônio.



IX - Ciências Esotéricas e Gnose: Astrologia e Alquimia.

IX - 1. A Defesa da Astrologia por Olavo

Como vimos anteriormente, o esoterismo sempre inclui a Gnose, conforme disse Antoine Faivre.

Também Gusdorf mostra que "a palavra esoterismo evoca, por sua etimologia, a conversão ao espaço interior; ela designa uma ciência secreta, mas não apenas por seu conteúdo que se refere a procedimentos mágicos, a conhecimentos ocultos; mas também por seu estatuto. Há ensinamentos esotéricos, mas as instruções dadas e recebidas não concernem senão ao envelope exterior daquilo que está em questão" (G. Gusdorf, Le Romantisme, Vol I, p. 846).

Noutras palavras, o esoterismo não pode ser transmitido apenas teoricamente: ele tem que ser vivido numa iniciação secreta, pessoalmente. Ele é intrinsecamente secreto.

Em seu AVISO 2, O. de C. reconhece que o gnosticismo, ao longo dos tempos, impregnou, com alguns de seus elementos, várias atividades humanas, mas que esses elementos da Gnose foram incorporados com significado variado, "conforme o lugar e a função que recebam nas estruturas de pensamento que os acolhem. Isto é óbvio sobretudo no que se refere às ciências simbólicas da natureza - astrologia e alquimia - que já pelo simples fato de serem simbólicas, não remetem por si mesmas a um sentido unívoco, mas recebem o seu sentido do teor geral das concepções doutrinais que os integram e utilizam. Só para dar um exemplo, a mesmíssima teoria da influência dos astros sobre as paixões humanas se encontra, idêntica, em Santo Tomás de Aquino e em Robert Fludd. É cristã no primeiro e gnóstica no segundo, não porque apresente aí qualquer diferença interna, mas pelo lugar que ocupa nas concepções globais de um e de outro."(Olavo de Carvalho, AVISO 2, 17- IV - 2.001).

Como você bem percebe, meu caro Felipe, Olavo está preocupado em sustentarr que a Astrologia que ele praticou durante muitos anos, e defende até hoje, não é a que tem ligação com a Gnose. Seria mais uma "Astrologia tomista, cristã", do que Fluddiana e gnóstica.

Veremos.

Comecemos por fixar como Olavo e seus mestres, os pensadores gnósticos chamados "tradicionais" ou "perennialists", conceituam o que Olavo chamou de "ciências simbólicas da natureza", e como elas se diferenciam da ciências comuns.

Olavo distingue a Astrologia natural, ou "científica", - que ele não chama de Astronomia - da "Astrologia espiritual" ou "sapiencial":

"(...) teremos não uma, porém duas ciências - complementares, é verdade - porém distintas e inconfundíveis. Tradicionalmente esses dois domínios chamam-se "astrologia natural" (ou, podemos admitir, "científica"), e "astrologia espiritual" (ou sapiencial). (Olavo de Carvalho, Astrologia e Religião, p. 27).

São pois duas Astrologias mesmo. Olavo não fala da Astronomia.

Ele explicitou mais que uma distinção, estabeleceu uma separação, entre Astronomia e Astrologia, e o fez de modo ainda mais claro, num artigo escrito para a Revista Planeta em 1978, no qual afirma que Astrologia tem muito pouco a ver com Astronomia:

"Na realidade, não é preciso conhecer muita astrologia para ver que ela tem muito pouco a ver com a astronomia. Pode-se estudar astrologia com conhecimentos relativamente rudimentares de astronomia (o suficiente para calcular latitudes e longitudes, ascenção reta e declinações), mas não se pode fazê-lo sem sólidos conhecimentos de mitologia, de psicologia, de religiões comparadas, de heráldica, de simbologia, de arte sacra, e sem a vivência prática, concreta, de pelo menos uma das muitas vias de auto conhecimento e transcendência criadas pelas tradições espirituais do Oriente e do ocidente, como a cabala e a ioga, as várias formas de meditação e experiência mística, etc. " (Olavo de Carvalho, artigo Cadeia para os Astrólogos, in Planeta, Dezembro de 1978, no 75, p.31).

Como Olavo era sincero quando escrevia na Planeta!

Nesse artigo, ele confessa que, para ser astrólogo, não é preciso entender de Astronomia, mas sim que é preciso ter "vivência da Cabala ou da ioga", isto é, da Gnose judaica ou da Gnose hindu!

Ora, Olavo foi astrólogo.

Logo, ele teve "vivência" da doutrina gnóstica.

Portanto, Olavo é um gnóstico.

Pela própria boca, ele se condenou.

E ainda ele se espanta que eu o tenha acusado de defender a Gnose e de ser gnóstico! E ainda me desafia - ele que foi astrólogo profissional - a provar que ele tem doutrina gnóstica, sob pena de me taxar de "impostor"!

Noutro livro, Olavo faz a mesma distinção que já vimos:

"A distinção que assinalei acima evidencia a necessidade de dois enfoques diversos, que constituem por assim dizer duas astrologias opostas e complementares: a astrologia como ciência natural estuda a influência dos planetas; a astrologia como hermenêutica estuda as significações dos fenômenos planetários como símbolos de potências superiores. Esta última forma demanda, por certo, conhecimentos de ordem metafísica e cosmológica que transcendem o campo habitual do astrólogo; ela desemboca numa angeologia e numa teologia" (Olavo de Carvalho, Astros e Símbolos, p. 48).

A Astrologia natural seria aquela que trata da influência dos astros sobre as paixões humanas, podendo, ou não, prever o futuro, por exemplo.

A Astrologia espiritual que desemboca numa angeologia e numa teologia, exigiria "conhecimentos de metafísica".

Ora, para Olavo, o termo "Metafísica" significa, como vimos, Gnose.

Olavo pretende que é astrólogo espiritual.

Logo, ele tem que ser gnóstico.

De novo, se prova que ele é gnóstico pelas próprias palavras dele.

Olavo diz isso mesmo de modo bem transparente:

"Prolongando e precisando essa advertência, é preciso esclarecer que a astrologia de que se trata neste livro é aquilo que mais propriamente se denomina "astrologia espiritual", ou seja, a utilização do simbolismo astrológico como suporte para a compreensão de doutrinas tradicionais de ordem cosmológica e metafísica, e também como instrumento hermenêutico para a interpretação correta e tradicional de ritos e símbolos. Não se trata, de maneira alguma, de astrologia preditiva - científica ou não, dá na mesma --, nem de astrologia psicológica no sentido tão amplamente disseminado pelos junguianos. Falo da astrologia como auxiliar da mística, e não como instrumento para a predição ou como muleta psicológica travestida de auto-conhecimento" (Olavo de Carvalho, Astros e Símbolos, p. 16).

É claríssimo: a Astrologia de Olavo é instrumento para o conhecimento de doutrinas metafísicas tradicionais, que como vimos, equivale à Gnose.

Logo, Olavo é gnóstico mesmo.

É também astrologicamente gnóstico.

Olavo é astrologicamente gnóstico tal como Robert Fludd, que ele afirmou defender uma astrologia gnóstica.

Repare ainda, caro Felipe, que Olavo, no texto acima citado, condena a "astrologia preditiva", seja ela científica ou não. Entretanto, noutra passagem desse mesmo livro, ele escreveu:

"A noção de que as pessoas tenham um destino estampado nos céus e de que o pré- conhecimento desse destino possa ser levar a um "aperfeiçoamento" individual não é em si mesma totalmente falsa, mas uma ênfase excessiva neste modo de ver as coisas misturadas a concepções fantasistas sobre o karma, das quais falarei mais adiante - pode levar a uma extinção de toda religiosidade autêntica e ao estabelecimento de uma nova astrolatria"(Olavo de Carvalho, Astros e Símbolos, p. 77. O negrito é meu.).

Portanto, a Astrologia preditiva não seria, agora, totalmente falsa...

Alguma predição seria possível ser feita por meios astrológicos...

Variações olavianas...

Veremos, nos Apêndices desta carta - hélas!, ela terá Apêndices! Mas necessários. E excelentes, pois que são de São Tomás, na Suma Contra Gentiles e na Suma Teológica, ensinou que as predições astrológicas são falsas e demoníacas, obras daqueles "cherubini neri", de que falou Güido de Montefeltro a Dante no Inferno, que Olavo não leu, ou eruditamente "bolostrocou".

Noutra passagem de um de seus livros, Olavo diz:

" No que diz respeito às ciências tradicionais, como a astrologia, a geometria, a alquimia, etc., é evidente que nenhuma delas tem a menor possibilidade de ser corretamente compreendida fora do quadro de um esoterismo completo e vivente, ao qual sé se tem acesso, precisamente, por meio do compromisso com um exoterismo ortodoxo"(Olavo de Carvalho, Astrologia e Religião, p. 13).

Portanto, ele admite que só com um conhecimento esotérico - isto é gnóstico - se pode ter compreensão da Astrologia e das outras ciências "tradicionais".

Ora, Olavo proclama que tem um conhecimento esotérico - portanto, gnóstico - que lhe permite possuir a verdadeira e correta compreensão da Astrologia.

Logo, ele confessa, também desse modo, que é um gnóstico.

Por outro lado, Olavo previne que, no mundo moderno, há duas deturpações da Astrologia tradicional, castiça": a astrologia "ocultista", e a Astrologia dita "científica" (Cfr. Olavo de Carvalho, Astros e Símbolos, p. 19).

A Astrologia ocultista, ele a condena, porque Guénon condenou o ocultismo de Papus, com quem brigara. A Astrologia científica moderna, por seu materialismo, e por seu racionalismo, ele não a aceita na medida em que a razão engana o homem, confinando-o no mundo da manifestação.

A astrologia tradicional ou espiritual defendida por Olavo de Carvalho é uma ciência esotérica, isto é, gnóstica.

Logo, mais uma vez, ele confessa que é gnóstico.

Queremos salientar, agora, o ponto de vista anti científico e anti racional das ciências esotéricas.

Por se oporem ao mundo real, compreensível pela razão, elas não aceitam a relação natural de causa e efeito. Olavo salienta que jamais os astrólogos pretenderam aplicar à Astrologia essa relação de causa e efeito, quanto às ações dos homens:

"(..) por toda parte se explica a relação entre os astros e os homens como um processo de semelhança, de analogia, de simpatia, de correlação, de sincronismo, e nunca de causa e efeito.

"E completaram [os astrólogos]: nenhum astrólogo jamais disse que os astros causam as ações humanas, pela simples razão de que o princípio de causa e efeito, tão importante para o cientista materialista, é, para os astrólogos, um princípio menor e secundário. O princípio maior é a lei da analogia, mediante a qual o grande e o pequeno, o macrocosmo e o microcosmo, a matéria e a consciência, têm uma estrutura e uma dinâmica semelhante, já que são apenas faces diversas do mesmo fenômeno" (Olavo de Carvalho, Os Astrólogos Estão de Volta, in Planeta, Janeiro de 1978, no 64,p. 23).

Não seria então pela relação de causa e efeito que os astros influenciariam as ações humanas, mas sim pela relação da analogia esotérica.

Ainda outra citação mostrando que o significado que Olavo dá à expressão "Ciência tradicional", que ele aplica à Astrologia e à Alquimia, é realmente ligado à noção de Gnose:

"Todas as ciências tradicionais da natureza - astrologia, alquimia, geomancia, etc. - mobilizam poderosas forças psíquicas que não podem ser governadas pela mente do indivíduo, e cujo domínio cabe somente a Deus. Todos os tratados de alquimia (e a alquimia não é outra coisa senão uma astrologia "operativa") insistem claramente na necessidade absoluta da prece. E não há prece sem a filiação regular a uma religião tradicional" (Olavo de Carvalho, Astros e Símbolos, p. 83).

Fica sempre mais patente que a noção de ciência tradicional, para Olavo é religiosa, mas religiosa enquanto relacionada com o núcleo comum de todas as religiões, que seria a Gnose.

E guardemos bem a identificação de Astrologia como Alquimia operativa...

Olavo garante que o verdadeiro astrólogo - o "astrólogo de raça" - só pode ser um homem "espiritual":

"Essas observações preliminares fornecem ao leitor, desde já, um critério seguro para saber se está falando com um conhecedor do assunto ou com um charlatão, ignorante e falsário (envernizado ou não das tinturas acadêmicas): o astrólogo de raça há de saber, por um lado, enunciar os princípios metafísicos, cosmológicos e teológicos em que se fundam as regras astrológicas que aplica, e, por outro, converter essas regras nos seus eqüivalentes gramaticais, lógicos, estéticos, etc."

Reparou o desprezo dele pelos que têm envernizamento acadêmico, e que, de fato seriam charlatães, e que ele usa para salientar a superioridade do "astrólogo de raça", ainda que ele seja - como Olavo - um auto-didata?... E coloquei em negrito as palavras que comprovam que Olavo liga a Astrologia à Teologia. O que é muito significativo.

E Olavo prossegue:

"Mas é preciso, ademais, que esse homem de erudição - [Homem de valor extraordinário! Especialmente por sua humildade] - seja ainda um homem de espiritualidade, marcado pela vocação de convergência de todos os conhecimentos na luz unificante do Intelectus primus, ou Logos, ou Verbo Divino. Pois aqui não se trata de conhecimentos esparsos, mas de um saber perfeitamente integrado, no eixo de uma realização espiritual pessoal (...)"(Olavo de Carvalho, Astros e Símbolos, p. 21).

Observe, caro Felipe, como Olavo usa expressões do código tradicionalista para exprimir que o verdadeiro astrólogo deve ser um Gnóstico e um iniciado. Porque, "realização espiritual pessoal" significa, no jargão da gnose tradicionalista, ter realizado a união com a Divindade por meio do Conhecimento unificante e salvador, o qual não tem nada que ver com o saber racional acadêmico.

Por isso, também, Olavo previne que esse "conhecimento integrado, por ser integrado, não tem como ser expresso em modo extensivo. O contrário, ele demanda a síntese, ele tende antes à intensidade intelectiva do que à extensividade discursiva. Daí o amplo uso do simbolismo" (Olavo de Carvalho, Astros e Símbolos, p. 27).

O astrólogo "de raça", "castiço", como Olavo pretende ser, não pode ter os "conhecimento esparsos", próprios da formação racional universitária, mas deve ter os conhecimentos integrados, esotericamente unificados, como exige a gnóstica definição de Filosofia de Olavo.

Olavo explica que o estudante de astrologia espiritual precisa atingir um "estado de integração continuada, isto é, um estado de claridade e de evidência -

[estado de clarividência, como se diz no maçônico rito de Misraim] - que lhe permita assimilar conhecimentos extremamente complexos sem maior dificuldade"(...)Precisa conquistar..."um estado permanente de evidência intuitiva" (Olavo de Carvalho, Astros e Símbolos, p. 27).

Não preciso salientar que Olavo está insinuando que o principiante em "Astrologia espiritual" deve ser iniciado, para obter o Conhecimento, a Gnose, que lhe permita alcançar a "realização espiritual pessoal".

E recorda-se você que ele afirmara que para ser astrólogo era preciso ter "vivência da cabala ou da ioga"...

Olavo, por fim, diz expressamente:

"O corpo de técnicas que concorrem para esse fim é o que se denomina esoterismo, como sinônimo de "interiorização, e que não se confunde de modo algum com o "ocultismo", a magia, a bruxaria, os poderes psíquicos reais ou fingidos, etc."(olavo de Carvalho, Astros e Símbolos, pp. 27-28).

O esoterismo, como vimos, implica em gnose, conforme explica Antoine Faivre. Note ainda que a distinção entre esoterismo e ocultismo é o eco do que diz Guénon, com raiva de Papus. Portanto, Olavo ecoa a doutrina de Guénon também neste ponto.

Concluindo, diz Olavo que a Astrologia "é via de acesso ao Ser" (Olavo de Carvalho, Astros e Simbolos, p. 28). E Ser, para Olavo, é a Divindade. Portanto, a "Astrologia espiritual" de Olavo é meio para, através do Conhecimento, atingir a ‘realização espiritual pessoal’, unindo-se ao Ser, à Divindade, o que permitiria reconquistar "certas capacidades humanas originárias, como por exemplo, um estado permanente de evidência intuitiva e, portanto, de certeza e de paz"(Olavo de Carvalho, astros e Símbolos, p. 28).

Há que se concordar com Olavo neste ponto: a "Astrologia espiritual", que ele defende, está bem longe da vulgar e supersticiosa Astrologia dos horóscopos de jornal. A Astrologia de Olavo exige admitir a Gnose.

A "Astrologia espiritual", ciência esotérica e via para a Gnose preconizada por Olavo, está então inteiramente de acordo com a Astrologia do cabalista e gnóstico Robert Fludd, que Olavo admitiu ser gnóstica. E é contrária ao que ensina São Tomás de Aquino, cujo prestígio Olavo tentou puxar para a sua sardinha astrológica.

Com efeito, Olavo de Carvalho procura insinuar que não há contradição entre o que ele diz da Astrologia e o que ensinou São Tomás sobre esse tema.

Ele começa afirmando corretamente a doutrina de São Tomás dizendo:

"Segundo São Tomás, os astros não influem em nosso entendimento, mas sim no nosso aparato corpóreo; se, portanto, agem sobre nosso psiquismo, não é a título de causas essenciais, mas de causas acidentais" (Olavo de Carvalho, Astros e Símbolos, p. 63).

"Enquanto corpos, diz S. Tomás, os planetas só atuam sobre corpos. Isto significa que, se a atuação sobre os entes corporais como a água ou os minerais é direta e causal, e abrange estes corpos na totalidade de seu ser, o mesmo não se poderia dizer com relação ao ser humano, pois este possui qualidades próprias que ultrapassam o domínio corporal e portanto não poderiam estar à mercê da influência de quaisquer corpos, inclusive os planetas. Isto não quer dizer, porém, que os planetas não atuem sobre o homem de maneira alguma, mas sim que eles agem apenas sobre o que neles há de corporal, sem atingir suas faculdades superiores, como a vontade, a razão e o entendimento" (Olavo de Carvalho, Astros e Símbolos, pp. 45-46).

Se não fosse a imprecisão final entre vontade, razão e entendimento, se poderia dizer que Olavo, desta vez, exprimiu bem o que ensina São Tomás.

De fato, São Tomás ensina que os astros não têm influência nem sobre nossa inteligência, nem sobre nossa vontade, mas apenas sobre nossos corpos, sem afetar nosso livre arbítrio. Portanto, para São Tomás, é falsa a astrologia, quando pretende que os astros determinam nossas ações.

Entretanto, se Olavo, nesses trechos citados, ensina o que diz São Tomás, mais adiante ele acrescenta:

"Se, enquanto corpos, os planetas só atuam sobre corpos, podemos completar o raciocínio de São Tomás [???] dizendo que, enquanto símbolos, ao contrário, eles representam ou veiculam a atuação de potências espirituais e cósmicas que ultrapassam infinitamente os domínios do corpóreo. Neste caso, não são os planetas que agem, mas sim as potências angélicas das quais eles são somente a cristalização simbólica e sensível, por assim dizer" (Olavo de Carvalho, Astros e Símbolos, p. 47. Os negritos são meus para salientar o absurdo do que escreveu Olavo).

E pouco adiante, ele diz que os astros são a "hierofania" dos anjos.

Olavo se arroga o direito de "completar o raciocínio de São Tomás"!

Haja pretensão!

E completar de tal modo que acaba por dizer o oposto do ensina o Doutor Angélico!

Olavo concorda com São Tomás que os planetas, enquanto corpos, só podem influir sobre nossos corpos. Mas, depois, extrapola - e não completa - o que diz São Tomás, afirmando que os planetas são "cristalizações" e veículos de "potências angélicas". No fundo, ele toma a suposta influência simbólica dos astros, como se os estes tivessem um efeito "sacramental".

Tendo começado por afirmar a verdadeira explicação de São Tomás sobre a influência dos astros apenas sobre os corpos, passando, a seguir, a "completar" o raciocínio de São Tomás, Olavo termina por dizer que São Tomás aceita a influência dos astros sobre os fatos humanos como veículos de potências angélicas:

"Ao contrário do que geralmente se pensa, a astrologia, enquanto estudo das relações entre os movimentos planetários e eventos terrestres e humanos, nunca foi propriamente "condenada" pela igreja, como aliás se vê pelas longas e belas páginas que São Tomás de Aquino, na Suma contra os Gentios, dedicou à explicação das influências dos astros como veículos das potências angélicas"(Olavo de Carvalho, Astros e Símbolos, p. 80).

(Como esta carta está imensa, publicarei em apêndice o texto integral das "longas e belas páginas" da Suma Contra Gentiles (Livro III, q. 84 e 85), a que Olavo se refere, assim como da Suma Teológica, em que São Tomás trata da influência dos astros, condenando a tese astrológica de que os astros influem em nosso intelecto e em nossa vontade).

Olavo diz - pelo menos no livro acima citado - que concorda com São Tomás que se os astros não influem na vontade humana, entretanto, eles influenciariam os ciclos históricos. Num artigo na revista Planeta, ele escreveu:

"A astrologia tem, sobre a ciência histórica corrente, justamente a vantagem de permitir um estudo mais amplo, pois o modelo dos ciclos planetários pode articular, numa moldura única e coerente, as várias correntes de causas - econômicas, políticas, culturais, etc. - que contribuem para a elaboração da história: onde o historiador comum se perde ante a variedade dos fatores, o astrólogo (ou o historiador versado em astrologia) elabora rapidamente uma síntese viva e dinâmica do conjunto" (Olavo de Carvalho, A Década de 80. Com que Direito estão Prevendo o Fim do Mundo?artigo in Planeta, Dezembro de 1979, no 87 p.40).

No mesmo artigo, ele escreve pouco depois:

"As grandes transições ocorridas sob o signo de Escorpião parecem evidenciar sempre o desgosto das potências cósmicas, que regem o destino humano, contra qualquer forma de equilíbrio estático que ameace eternizar um determinado status (...) "(Olavo de Carvalho, artigo A Década de 80..., Planeta, Dezembro de 1979, no 87, p. 42. O negrito é meu).

Dessa forma, segundo Olavo, os astros mais do que influir sobre os homens individualmente, influem nos ciclos históricos. Assim, eles ajudariam a explicar a História. Abandonando a "explicação" marxista da História, Olavo buscou, para substituí-la, uma "explicação" astrológica.

Concluímos, pois, que a Astrologia espiritual, tal como a expõe Olavo de Carvalho, tanto como a Alquimia, é uma pseudo ciência; é uma é uma "ciência" esotérica, ligada à Gnose, pretendendo ser veículo para o "Conhecimento salvador".

Essa conclusão minha é confirmada pelo que diz um dos mestres tradicionalistas gnósticos admirado e elogiado por Olavo: Titus Burckhardt.

Esse autor afirma em um de seus livros:

"É verdade que, durante um certo tempo, precedendo diretamente a época moderna, elementos de gnose verdadeira, que tinham sido rejeitados do domínio da teologia, ao mesmo tempo pelo desenvolvimento exclusivamente sentimental do misticismo cristão tardio e pela tendência apologética inerente à Reforma, acharam um refúgio na alquimia especulativa. Isto explica sem dúvida fenômenos tais como os ecos de Hermetismo que se podem distinguir na obra de um Shakespeare, de um Jacob Boehme ou de um Johann Georg Gichtel". (T. Burckhardt, op., cit. pp. 19-20. O negrito é meu.).

Mas isto é dito da Alquimia e não da Astrologia, objetaria alguém.

A resposta nos é dada pelo próprio Burckhardt, como veremos logo em seguida.

IX - 2. Alquimia e Gnose

"A astrologia e a alquimia que, na sua forma ocidental, derivam ambas da tradição hermética, tem entre elas a mesma relação que o Céu e a Terra. Uma interpreta a significação do zodíaco e dos planetas, a outra, a dos elementos e dos metais" (Titus Burckhardt, Alchimie, ed. Thot, impresso na Itália, texto francês, Milano,1974, p. 73).

Burckhardt afirma então que Astrologia e Alquimia são ciências esotéricas, herméticas, portanto, gnósticas. E também Olavo havia relacionado todas as ciências esotéricas, especialmente a Alquimia e a Astrologia, com o esoterismo, isto é, com a Gnose.

Pontifica Burckhardt:

"Pela maneira "impessoal" pela qual ela considera o mundo, a alquimia se acha em relação mais direto com a "via do conhecimento" (a gnose) do que com a "via do amor" (T. Burckhardt, Alchimie, pp. 27-28. O negrito é nosso).

Burckhardt é explícito: a Alquimia é ligada à Gnose. E a palavra Gnose é do próprio texto de Burckhardt. O que Olavo mais ou menos camufla, Burckhardt proclama. A Alquimia é ligada à Gnose.

"Por sua integração à fé cristã a alquimia se achava espiritualmente fecundada enquanto que ela trazia à Cristandade uma via conduzindo à "gnose" através da contemplação da natureza" (T. Burckhardt, op. cit., p. 18)

Mais ainda. Como se não bastasse a relação da Alquimia com a Gnose, Burckhardt mostra que ela era cabalística. (E a Cabala é a Gnose judaica, conforme Scholem):

"Não se sabe, escreve Artéphius, célebre alquimista medieval, "que nossa arte é uma arte cabalística?" (T. Burckhardt, op. cit. p. 28).

Burckhardt diz ainda:

"(...) a Alquimia, apoiando-se sobre uma perspectiva puramente cosmológica, não pode ser transposta senão indiretamente ao domínio meta - cósmico ou divino. Mas, como ela pode representar uma etapa no encaminhamento em direção ao objetivo supremo, ela foi entretanto incorporada na gnose cristã e islâmica. A transmutação alquímica conduz o elemento central da consciência humana ao contato direto deste raio divino que atrai irresistivelmente a alma e direção ao alto e a faz entrever o Reino dos Céus" (T. Burckhardt, op cit., pp. 70-71).

Portanto, mais do que transmutar chumbo em ouro, a Alquimia visa colocar em contato a partícula divina oculta no homem com a própria Divindade, a fim de realizar a Identidade Suprema, isto é, transmutar o alquimista em Deus.

"Ora, a Grande Obra não limita sua ambição à pesquisa interessada de técnicas para a produção do metal precioso. O alquimista trabalha para a sua própria transmutação; sua tarefa externa é o símbolo de uma caça do ser, de uma ascese que lhe dará o domínio do absoluto. O enobrecimento dos elementos naturais é a figura alegórica da promoção espiritual do homem, o mais precioso de todos os elementos, assim como o manifestou o Fausto romântico de Goethe"(G. Gusdorf, Le Romantisme, Vol. I, p. 846).

Olavo deixara entrever que a Astrologia espiritual exige uma iniciação. Burckhardt vai dizer expressamente isso da Alquimia:

"Como toda arte sagrada no verdadeiro sentido da palavra (isto é, como todo "método podendo conduzir à realização de estados de consciência supra individuais) a alquimia depende de uma iniciação" (T. Burckhardt, op. cit. p. 32).

Olavo admite que a Alquimia não é uma ciência racional. Isso se depreende do que ele diz, por exemplo, num artigo intitulado "Medicamento Alquímico", publicado na revista Alquimia Digital (http//:alquimia.vila.bol.com.br/medicamento/index.html.)

Nesse artigo delirante, Olavo explica como se pode obter o ouro potável, captando a "energia vital que move o universo e os seres vivos", energia que ele chama ainda de "energia cósmica".

"Sendo a forma mais universal de energia, a energia cósmica não se deixa, evidentemente isolar em laboratório. Por isso não se poderia "provar" cientificamente a existência da energia vital ou cósmica (pelo menos com os recursos habituais da ciência atual" (Olavo de Carvalho, art cit., p. 1).

E ele previne que os procedimentos alquímicos "são quase o inverso simétrico do procedimento científico atual"(Olavo de Carvalho, art. cit.p.2).

Há, pois, que acreditar na tal "energia cósmica". A alquimia exige um ato de fé..

E, descrevendo a experiência alquímica, Olavo conta que ela consta de várias etapas: "escolha do local e dos momentos para a colheita da matéria prima; alimentação da matéria prima com orvalho e flores; destilação, corrupção e incineração; obtenção final do "levedo" que, ao contato com o ouro, "abre" a estrutura energética íntima do metal, captando suas propriedades medicinais; testes clínicos e de laboratório". (Olavo de Carvalho, art. cit. p. 2).

Ele informa ainda que há que fazer "milhares de cálculos astrológicos" no decorrer da operação, além de analisar a "configuração astral pessoal do alquimista, que é uma espécie de catalisador" (Idem p. 2).

Pior ainda. A colheita da matéria prima e a escolha do local onde encontrá-la exigem uma operação "espírita":

"A escolha do local é determinada quase exclusivamente por clarividência. A mulher do alquimista, em estado de transe mediúnico, o conduz até determinado sítio, onde vê figuras que ele vai interpretando como indicações sobre o modo de colher a matéria prima" (Olavo de Carvalho, art. cit., p. 3. O negrito é meu).

Olavo diz ainda que o ouro e outros elementos são "apenas a sede material e aparente, disfarce e embalagem de forças invisíveis de natureza imaterial, puramente "espirituais", ou, digamos assim, energéticas" (Olavo de Carvalho, art. cit., p.3) Incrível, não?

Pois há mais.

"É também o mundo das forças obscuras do céu e da terra, que se juntam num inquietante trabalho de parto, ora aliadas, ora inimigas, e das quais o homem parece esperar algum sacramento secreto"(Olavo de Carvalho, art. cit., p.5. O negrito é meu).

É evidente que não é possível discutir seriamente com alguém que escreve tais coisas. Tal discussão eqüivaleria a debater com "Madame Pavlovna" que lê o futuro na bola de cristal, ou com a "cigana Manolita", que prometia desvendar o futuro lendo as cartas, "pois as cartas não mentem jamais", como garantia uma cançãozinha popular, em 1940.

É evidente que a "barafunda" de conceitos religiosos que Olavo ligou à Alquimia demonstra que ela exige uma atitude religiosa e mágica, simetricamente oposta à ciência racional, isto é, uma atitude gnóstica.

Releia agora o que Olavo escreveu em seu ameaçador AVISO 2:

"Uma mente afeita às técnicas da investigação erudita, mas pobre de discernimento filosófico, está sujeita a perder de vista a forma abrangente e a se confundir de tal modo na barafunda dos elementos de procedência gnósticos que, onde quer que os encontre isoladamente, acabe acreditando estar na presença de uma heresia justamente por incapacidade de atinar com a estrutura geral que lhes dá um sentido completamente diverso" (Olavo De Carvalho, AVISO 2).

Só "uma mente pobre de discernimento" de qualquer tipo não reconhecerá que Burckhardt disse a verdade: a Alquimia é ligada à Gnose.

Ora, são os próprios mestres que Olavo admira - e um tanto veladamente, até ele mesmo - que reconhecem que as ciências esotéricas são de cunho gnóstico.

Não é então essa concepção o resultado de um espírito uspianamente míope. É a própria visão iluminada dos mestres esotéricos de Olavo que vê Gnose nas ciências "simbólicas" citadas por ele.

Todas estas citações, tornam clarissimamente comprovado que tanto a Astrologia espiritual, quanto a Alquimia, são "ciências" esotéricas essencialmente ligadas à Gnose. E quem as pratica, realmente, ou as defende doutrinariamente, deve ser, e é, gnóstico. Olavo foi astrólogo, crê e defende a "Astrologia espiritual". Logo, Olavo é um gnóstico.

São Lucas 23, 42 (Bíblia de Matos Soares)

"E dizia a Jesus: Senhor, lembra-te de mim, quando entrares no teu reino."

Este versículo é parte da narrativa da crucificação, onde um dos ladrões crucificados ao lado de Jesus reconhece Sua inocência e realeza, pedindo que Jesus se lembre dele no Seu Reino.

Não vi nenhum viado fazer isso até hoje, e pare de vim aqui bancar uma de espertinho.

REFUTANDO TODOS OS PROTESTANTES 👍🏼 CITAÇÕES POR ORDEM ALFABÉTICA

DOS TEXTOS DA BÍBLIA SAGRADA

QUE CONSTITUEM O DOGMA CATÓLICO

CONTRA OS ERROS PROTESTANTES

Absolvição

· O poder de dar a absolvição prometido e concedido aos pastores da Igreja: Mt 16, 19; 18, 18; Jo 20, 22-23.

Anjos

· Somos confiados à sua guarda: Mt 18, 10; Hb 1, 14; Ex 23, 20-21; Sl 90, 11-12;.

· Oferecem as nossas orações: Ap 8.

· Rogam por nós: Zc 1,12.

· Estamos em comunhão com eles: Hb 12, 22.

· Foram venerados pelos servos de Deus: Js 5, 14-15.

· Também foram invocados: Gn 48, 15-16; Os 12, 4; Ap 1, 4.

Batismo

· É ordenado por Jesus Cristo: Mt 28, 19.

· Necessário para a salvação: Jo 3, 5.

· Administrado pelos Apóstolos com água: At 8, 36-38; 10, 47-48.

· Além disto: Ef 5, 26; Hb 10, 22; 1Pd 3, 20-2.

· Quanto ao batismo das crianças: Lc 18,16 comparado com Jo 3, 5

Chefes ou governadores da Igreja e a sua autoridade

· Dt 18, 8-9; Mt 18, 17-18; 28, 18-20; Lc 10, 16; Jo 14, 16-17-26; 16, 13; 20, 21; Ef 4, 11-12; Hb 13, 7-17; 1Jo 4, 6.

Cristo (Jesus)

· É o Filho unigênito de Deus, o verdadeiro Filho de Deus por natureza, o único gerado de Deus: Mt 16, 16; Jo 1, 14; 3, 16-18; Rm 8, 32; 1Jo 4, 9.

· O mesmo Deus que seu Pai e igual a Ele: Jo 5, 18-19-23; 10,30; 14, 9s; 16, 14-15; 17, 10; Fl 2, 5-6;

· Verdadeiro Deus: Jo 1, 1; 20, 28-29; At 20, 25; Rm 9, 5; Tt 2, 13; 1Jo 3, 16; 5, 20; além disto: Is 9, 6; 35, 4-5; Mt 1, 23; Lc 1, 16-17; Hb 1, 8.

· É o criador de todas as coisas: Jo 1, 3-10-11; Cl 1, 5-16-17; Hb 1, 2-10-12; 3, 4.

· O Senhor da Glória: 1Cor 2, 8.

· O Rei dos reis e Senhor dos senhores: Ap 17, 4; 19, 16.

· O primeiro e o último, o alfa e o ômega, o princípio e o fim, o Onipotente: Ap 1, 8-17; 22, 12-13.

· Morreu por todos: Jo 3, 13-17; Rm 5, 18; 2Cor 5, 14-15; 1Tm 2, 3-6; 4, 10; Hb 2, 9; 1Jo 2, 1-2; também pelos condenados: Rm 14, 15; 1Cor 8, 11; 2Pd 2,1.

Comunhão

· Sob uma só espécie é suficiente para a salvação: Jo 6, 55-57-58.

· O Corpo e o Sangue de Jesus Cristo são agora inseparáveis: Rm 6, 9.

· Menção de uma espécie unicamente: Lc 24, 30-31; At 20, 7; 1Cor 10, 17.

Concílios da Igreja

· São assistidos por Cristo: Mt 18, 20; e pelo Espírito Santo: At 15, 28.

· Seus decretos devem ser cuidadosamente observados pelos fiéis: At 15, 41; 16, 4.

Confissão dos pecados

· Confessar os pecados: Nm 5, 6-7; Mt 3, 6; At 19, 18; Tg 5, 16.

· A obrigação da confissão é uma conseqüência do poder judiciário de atar e desatar, de reter os pecados, dada aos pastores da Igreja de Cristo: Mt 18, 18; Jo 20, 22-23.

Confirmação

· Foi administrada pelos apóstolos: At 8, 15-17; 19, 6; 2Cor 1, 21-22; Hb 6, 2.

Continência [Celibato]

· É possível: Mt 19, 11-12.

· O voto que se faz obriga: Dt 23, 21.

· A transgressão do voto é condenável: 1Tm 5, 12.

· A prática é recomendada: 1Cor 8, 8-27-37-38-40.

· Quanto aos motivos que respeitam particularmente ao clero: 1Cor 7, 32-33-35.

Escritura Sagrada

· É difícil de compreender, e muitos lhe dão, hoje em diante, este sentido para sua própria perdição: 2Pd 3, 16.

· Não deve explicar-se por uma interpretação particular: 2Pd 1, 20.

[- Não contém tudo o que se deve crer: 2Ts 2,15; Jo 21,25; 3Jo 1,13]

· É alterada pelos hereges: Mt 19, 11.

Espírito Santo

· Sua divindade: At 5, 3-4; 28, 25-26; 1Cor 2, 10-11; 6, 11-19-20; vide também: Mt 12, 31-32.

· A fórmula do Batismo: Mt 28, 19-20.

· Procede do Pai e do Filho: Jo 15, 26.

Eucaristia

· A presença real do Corpo e do Sangue de Jesus Cristo, e a transubstanciação provadas por: Mt 26, 26; Mc 14, 22-24; Lc 22, 19; Jo 6, 51-52s; 1Cor 10, 16; 11, 21-24-25-27-29.

Unção dos Enfermos

· Tg 5, 14-15.

· A verdadeira fé é necessária à salvação: Mc 16, 16; At 2, 47; 4, 12; Hb 11, 6.

· A fé sem as boas obras é uma fé morta: Tg 2, 14-17-20.

· A fé só não justifica: Tg 2, 24.

· Mas a fé obrando pela caridade: Gl 5, 6.

· A fé não implica a certeza absoluta do estado de graça, e muito menos ainda da salvação eterna: Rm 11, 20-22; 1Cor 9, 27; 10, 12; Fl 2, 2; Ap 3, 11.

Igreja (a) de Jesus Cristo

· Existirá para sempre: Mt 16, 18; 28, 20; Jo 16, 16-17; Sl 47, 9; 71, 5-7; 88, 3-4-20-36-37; 131, 13-14; Is 9, 7; 54, 9-10; 59, 20-21; 60, 15-18s; 62, 6; Jr 31, 21-26; 33, 17s; Ez 37, 21-26; Dn 2, 44.

· A Igreja é o Reino de Cristo: Lc 1, 33; Dn 2, 44.

· A cidade do grande Rei: Sl 47, 2.

· Seu descanso e sua habitação para sempre: Sl 131, 13-14.

· A casa de Deus vivo: 1Tm 3,15.

· O aprisco da qual Cristo é o pastor: Jo 10, 13.

· corpo da qual Cristo é a cabeça: Cl 1, 18; Ef 5, 23.

· A esposa da qual é o esposo: Ef 5, 31-32.

· Está sempre sujeita a Ele e sempre amada e fiel para com Ele: Ef 5, 24.

· Sempre amada e querida dEle: Ef 5, 25-29.

· E unida a Ele por uma união indissolúvel: Ef 5, 31-32.

· A Igreja é a coluna e o fundamento da verdade: 1Tm 3, 15.

· O pacto de Deus com Ela é uma pacto de paz: Ez 37, 26.

· Pacto confirmado por um juramento solene, imutável como aquele que fez com o Patriarca Noé: Is 54, 9.

· Como o que fez com o dia e com a noite por todas as gerações: Jr 33, 20-21.

· Deus será sua eterna luz: Is 60, 18-19.

· Todos os que se juntarem contra Ela cairão, e a nação que a não queira servir perecerá: Is 60, 12-15-17.

· A Igreja é sempre uma: Ct 6, 9; Jo 10, 16; Ef 2, 23; Mq 4, 12; Mt 5, 14.

· Estende-se por toda a parte e ensina um grande número de nações: Sl 2, 8; 21, 28; Is 49, 6; 54, 1-3; Dn 2, 35-44; Ml 1, 11s.

· A Igreja é infalível em matéria de fé, é uma conseqüência das promessas divinas que lhe têm sido feitas; vide em particular: Mt 16, 18; 28, 19-20; Jo 14, 16-17-26; 16, 13; 1Tm 3, 14-15; Is 35, 8; 54, 9-10;

Imagens

· Recomendadas por Deus: Ex 25, 18s; Nm 21, 8-9.

· Colocada dos dois lados do propiciatório no Tabernáculo: Ex 37, 7.

· E no templo de Salomão: 2Cr 3, 10-11; 3Rs 6, 23.

· E isto por um mandamento divino: 1Cr 28, 18.

· Veneração relativa às imagens de Jesus Cristo e dos Santos autorizada: Hb 11, 21; vide também: 2Rs 6, 12-16; 2Cr 5, 2s; Sl 98, 5; Fl 2, 10.

Indulgências

· Poder de as conceder Mt 16, 18-19.

· Uso deste poder: 2Cor 2, 6-8-10.

Inferno

· Eternidade das penas: Mt 3, 12; 25, 41-46; Mc 9, 43-46-48; Lc 3, 17; 2Ts 1, 7-9; Jd 6-7; Ap 14, 10-11; 20, 10; vide igualmente: Is 33, 14.

Jejum

· É recomendado na Escritura: Jl 2, 12.

· Praticado pelos servos de Deus: Esd 8, 23; 2Esd 1, 4; Dn 10, 3-7-12s.

· Leva Deus a usar de misericórdia: Jn 3, 5s.

· É de grande eficácia contra demônio: Mc 9, 28.

· Deve ser observado por todos os filhos de Jesus Cristo: Mt 9, 15; Mc 2, 10; Lc 5, 35; vide também: At 13, 3; 14, 22; 2Cor 6, 5; 11, 27.

· Jejum de Jesus de quarenta dias: Mt 4, 2.

Livre arbítrio

· Gn 7; Dt 30, 19; Eclo 15, 14.

· Resiste freqüentemente à graça de Deus: Pr 1, 24s; Is 5, 4; Ez 18, 23-31-32; 33, 11; Mt 23, 37; Lc 13, 34; At 7, 51; Hb 12, 15; 2Pd 3, 9; Ap 20, 4.

Matrimônio

· Sacramento representando a união de Jesus Cristo e da Igreja: Ef 5, 32; vide igualmente: 1Ts 4, 3-5.

· O casamento não deve ser dissolvido senão por morte: Gn 2, 21; Mt 19, 6; Mc 10, 11-12; Lc 16, 18; Rm 7, 2-3; 1Cor 7, 10-11-39.

Missa

· O sacrifício da Missa figurado antecipadamente: Gn 19, 18.

· Predito: Ml 1, 10-11.

· Instituído e celebrado pelo próprio Jesus Cristo: Lc 22, 19-20.

· Atestado: 1Cor 10, 16-18-21; Hb 13, 10.

Mulheres

· Não devem pregar nem ensinar: 1Cor 14, 34-35-37; 1Tm 2, 11-12.

Obras (boas)

· As boas obras meritórias: Gn 4, 7; Sl 17, 21-23-24; 18, 8-11; Mt 5, 11-12; 10, 42; 16, 27; 1Cor 3, 8; 2Tm 4, 8.

Orações

· Pelos defuntos: 2Mc 12, 43s.

Ordens (Sacras)

· Foram instituídas por Jesus Cristo: Lc 22, 19; Jo 20, 22-23.

· Conferidas pela imposição de mãos: At 6, 6; 13, 3; 14, 22.

· Dão graças: 1Tm 4, 14; 2Tm 1, 6.

Papa ou Bispo

· Chefe dos outros bispos; São Pedro foi elevado a esta dignidade pelo próprio Jesus Cristo: Mt 16, 18-19; Lc 22, 31-32; Jo 21, 15-17s; vide igualmente: Mt 10, 2; At 5, 29; Gl 2, 7-8.

Pecado original

· Jó 14, 4; Sl 50, 7; Rm 5, 12-15-19; 1Cor 15, 21-22; Ef 2, 3.

Purgatório

· Purgatório ou estado médio das almas, sofrendo por certo tempo em expiação de seus pecados; é provado por numerosos textos da Escritura que afirmam que Deus pagará a cada um segundo as suas obras, de tal sorte que aqueles que morrem estando culpados mesmo das menores faltas, não escapam do castigo. Quanto a isso vide também: Mt 12, 32; Ap 21, 27; assim como: Mt 5, 25-26; 1Cor 3, 13-15; 1Pd 3, 18-20; 2Mc 12, 45.

Relíquias Milagrosas

· 4Rs 13, 4-20-21; Mt 9, 21-29; At 9, 11-12.

Santos

· Os Santos deixaram este mundo, socorrem-nos por suas orações: Lc 16, 9; 1Cor 12, 2; Ap 5, 8.

· Estamos em comunhão com eles: Hb 12, 22-23.

· Têm um poder sobre as nações: Ap 2, 26-27; 5, 10.

· Sabe o que se passa entre nós: Lc 15, 10; 1Cor 13, 12; 1Jo 3, 2.

· Estão, pois, com Cristo no céu antes da ressurreição geral: 2Cor 5, 1-6-8; Fl 1, 23-24; Ap 4, 4; 6, 9; 7, 9-15s; 14, 1-3-4; 19, 1-4-6; 20, 4.

· Quanto à sua invocação convém consultar os textos citados a respeito dos anjos, ou os que, mostrando o grande poder que têm para com Deus as orações dos seus servos, nos autorizam por isto mesmo a implorar suas orações; para isso vide: Ex 31, 11-14.

Tradições Apostólicas

· 1Cor 11, 2; 2Ts 2, 5-14; 3, 6; 2Tm 1, 13; 2, 2; 3, 14; vide também: Dt 32, 7; Sl 19, 5-7.

Virgem Maria (a Bem-Aventurada)

· Sua dignidade: Lc 1, 28-42-43.

· Todas as gerações dos verdadeiros cristãos a chamarão bem-aventurada: Lc 1, 48.

· Quanto aos direitos que tem de ser venerada e invocada vide o que está dito a respeito dos anjos e santos.