“O que Brahman é, não pode ser descrito. Todas as coisas do mundo – os Vedas, os Puranas, os Tantras, os
seis sistemas filosóficos – foram todos maculados, como a comida que foi tocada pela língua, porque foram
lidos e pronunciados pela língua. Somente uma coisa não foi maculada dessa maneira e esta é Brahman.
Nunca ninguém foi capaz de dizer o que Brahman é.”
Vidyasagar (aos amigos): “Ó! Trata-se de uma afirmação importante. Hoje aprendi algo novo.”
Mestre: “Um homem tinha dois filhos. O pai mandou-os para um preceptor a fim de aprenderem o
Conhecimento de Brahman. Depois de alguns anos voltaram da casa do preceptor e curvaram-se ante o pai.
Querendo medir a profundidade do conhecimento deles a respeito de Brahman, perguntou em primeiro lugar,
ao mais velho, ‘Meu filho’, disse, ‘Você estudou todas as escrituras. Diga-me agora, qual é a natureza de
Brahman?” O rapaz começou a explicar Brahman, recitando diversos versos dos Vedas. O pai não disse nada.
Então fez ao menor, a mesma pergunta, mas o rapaz ficou em silêncio e manteve os olhos baixos. Nenhuma
palavra saiu de seus lábios. O pai ficou satisfeito e disse-lhe: “Meu filho, você entendeu um pouco de
Brahman. O que Ele é não pode ser expresso por palavras.”
“Os homens freqüentemente pensam que entenderam Brahman em toda a plenitude. Uma vez, uma formiga
foi até um monte de açúcar. Um grão foi o suficiente para encher seu estômago. Pegando mais um grão com a
boca, foi para casa. A caminho pensou: ‘Na próxima vez trarei o monte todo.’ É desse modo que as mentes
pouco profundas pensam. Desconhecem que Brahman está além das palavras e pensamentos. Por maior que
um homem seja, quanto poderá conhecer de Brahman? Shukadeva e outros sábios como ele, podem ter sido
grandes formigas, mas mesmo eles não poderiam ter carregado mais do que oito ou dez grãos de açúcar!
“Pelo que foi dito nos Vedas e Puranas, sabe como isso é? Suponhamos que um homem tenha visto o oceano e
alguém lhe pergunte: ‘Bem, como é o oceano?’ O primeiro homem abre a boca o mais que pode e responde:
‘Que vista! Que tremendas ondas e barulho!’ A descrição de Brahman nos livros sagrados é assim. Está
descrito nos Vedas que Brahman é da natureza de Bem-aventurança – Ele é Satchidananda.
“Shuka e outros sábios chegaram até a praia do Oceano de Brahman, viram e tocaram a água. Mas segundo
uma escola de pensamento, jamais mergulharam. Aqueles que o fazem não retornam ao mundo.
“Em samadhi uma pessoa atinge o Conhecimento de Brahman - realiza-O. Nesse estado o raciocínio pára
completamente e a pessoa torna-se muda. Não tem o poder de descrever a natureza de Brahman.
“Uma vez uma boneca de sal quis conhecer a profundidade do oceano. (Todos riem). Queria contar para os
outros quão profunda era a água, mas tal jamais pôde ser feito pois, assim que entrou n’água, derreteu-se.
Agora, quem estava lá para dizer qual a profundidade do oceano?”
Um devoto: “Suponhamos que uma pessoa alcance o Conhecimento de Brahman em samadhi. Ele não vai
falar mais?”
Mestre: “Shankaracharya reteve o ‘ego do conhecimento’ para ensinar os outros. Depois da vi-são de
Brahman, a pessoa torna-se silenciosa. Raciocina sobre Ele, somente enquanto não O realiza. Se você aquecer
manteiga na frigideira no fogão, ela faz um chiado enquanto a água que contém não se evaporar. Quando não
houver mais qualquer água a manteiga clarificada pára de chiar. Se puser esta mesma manteiga num bolo cru,
chiará novamente, mas assim que o bolo ficar cozido, todos os sons desaparecem. Assim também, um homem
estabelecido em samadhi desce ao plano relativo de consciência a fim de ensinar e então, fala de Deus.
“Uma abelha zumbe enquanto não estiver pousada numa flor. Torna-se silenciosa no momento que começa a
sugar o mel, mas, às vezes, intoxicada pelo mel, zumbe de novo.
“Um jarro vazio faz um barulho borbulhante quando é mergulhado na água. Ao se encher torna-se silencioso.
(Todos riemi), mas se a água for despejada num outro jarro, pode-se ouvir o barulho de novo. (Risada).
Os rishis da antigüidade atingiram o Conhecimento de Brahman. Ninguém pode alcançar esse estado enquanto
houver o menor traço de mundanismo. Como os rishis trabalharam duro! Bem cedo saíam e passavam o dia
inteiro sozinhos, meditando em Brahman. À noite voltavam e alimentavam-se de um pouco de frutas e raízes.
Mantinham as mentes longe dos objetos da vista, audição e tato e das outras coisas do mundo material. Assim
conseguiram realizar Brahman como sua própria consciência interna.
“Mas no Kaliyuga, o homem sendo totalmente dependente do alimento para viver, não pode afastar totalmente
a idéia de que é corpo. Nesse estado mental, não é próprio que diga ‘Eu sou Ele’. Quando uma pessoa faz todo
o tipo de trabalho mundano, não deve dizer ‘Eu sou Brahman’. Os que não podem desapegar-se das coisas do
mundo, que não podem tirar a idéia do ‘eu’, deveriam dizer: “Sou o servo de Deus; sou Seu devoto’. Pode-se,
também, realizar Deus pelo caminho da devoção.
O Evangelho de Sri Ramakrishna
Viva no mundo como se você estivesse morto!
Portanto, enquanto vivemos, deveríamos pensar que estamos mortos. Ouça tudo, veja tudo, mas não reaja!
Esta é a grande regra para todo aspirante. Muitos rios e riachos entram no oceano, mas o oceano não reage. Eles não o afetam de forma alguma.
Existe o bem e o mal neste plano da relatividade.
Mas e daí?
Existe a onda boa e a onda má, mas enquanto permanecemos no plano da onda, nosso problema não está resolvido.
“O mundo estará incomodando você.
Ouça tudo, aguente tudo, mas fique quieto como um idiota.”
Há uma história maravilhosa do Buda que nos mostra a maneira correta de não reagir.
Certa vez, quando estava implorando por comida, o Buda foi à casa de um brâmane rico.
O brâmane deu-lhe uma boa bronca e disse:
“Afaste-se, mendigo!”
Então o Buda disse calmamente:
“Meu amigo, se você der algo a outro, suponha que ele não aceite o seu presente, com quem ele fica então?”
O brâmane respondeu:
“Naturalmente com o doador.”
“Então, meu amigo, não aceito sua bronca. Deixe que seja sua!"
Mas deve-se sempre tomar muito cuidado para não ser insensível,
não ficar indiferente.
Nem insensível, nem excessivamente sensível; nem o macaco que coça loucamente, nem a sensibilidade morta.
Como estar vivo e ainda morto, essa é a tarefa.
Swami Yatiswarananda
LEITURAS SOBRE O EVANGELHO DE SRI RAMAKRISHNA
Wiesbaden, Alemanha
26 de abril de 1934 a 9 de janeiro de 1935

Não sou a mente, o intelecto, o ego ou a memória;
Eu não sou o sentido da visão, da audição, do olfato, do paladar ou do tato; Eu não sou a terra, o ar, o fogo, a água ou o éter;
Eu sou conhecimento e felicidade perfeitos – Eu sou Isso (Shiva)! Eu sou Isso (Shiva)!
Não sou a energia nem as cinco forças vitais;
Eu não sou nem os sete elementos do corpo nem os cinco invólucros;
Não sou um órgão de ação como a boca, as mãos, os pés ou a língua.
Eu sou conhecimento e felicidade perfeitos – eu sou Isso! Eu sou Isso!
Não tenho apego nem aversão, nem ganância nem ilusão; Não tenho egoísmo nem orgulho, nem dharma nem moksha;
Não tenho desejos da mente nem objetos de desejo.
Eu sou conhecimento e felicidade perfeitos – eu sou Isso! Eu sou Isso!
Não sei nada sobre virtude ou vício, nada sobre prazer ou dor; Não preciso de mantras, templos sagrados, escrituras ou sacrifícios; Eu não sou o desfrutador, o desfrutado ou o ato de desfrutar.
Eu sou conhecimento e felicidade perfeitos – eu sou Isso! Eu sou isso!
Não tenho morte nem medo da morte;
Não tenho casta, nem pai, nem mãe;
Não tenho amigo, nem família, nem discípulo, nem guru.
Eu sou o conhecimento perfeito e a bem-aventurança – eu sou Isso! Eu sou Isso!
Sou sem forma, imutável e abrangente. Eu existo em todos os lugares, sem nenhum apego a este mundo; Eu sou insondável, além da salvação.
Eu sou o conhecimento perfeito e a bem-aventurança – eu sou Isso! Eu sou isso!
Seis estrofes sobre o Nirvana
Adi Shankara (Sri Shankaracharya)

I am not the mind, the intellect, the ego, or the memory;
I am not the sense of sight, hearing, smell, taste, or touch; I am not the earth, the air, the fire, the water, or the ether; I am perfect knowledge and bliss— I am That (Shiva)! I am That (Shiva)!
I am neither the energy nor the five vital forces;
I am neither the seven elements of the body nor the five sheaths;
I am not an organ of action like the mouth, the hands, the feet, or the tongue.
I am perfect knowledge and bliss— I am That! I am That!
I have neither attachment nor aversion, neither greed nor delusion; I have neither egotism nor pride, neither dharma nor moksha;
I have neither desires of the mind nor objects of desire. I am perfect knowledge and bliss— I am That! I am That!
I know nothing of either virtue or vice, nothing of pleasure or pain; I have no need of mantras, sacred temples, scriptures, or sacrifices; I am not the enjoyer, the enjoyed, or the act of enjoyment.
I am perfect knowledge and bliss— I am That! I am That!
I have no death nor fear of death;
I have no caste, no father, no mother;
I have no friend, no family, no disciple, no guru.
I am perfect knowledge and bliss— I am That! I am That!
I am without form, changeless, and all-encompassing. I exist everywhere, with no attachments to this world; I am unfathomable, beyond salvation.
I am perfect knowledge and bliss— I am That! I am That!
Six Stanzas on Nirvana
Adi Shankara (Shankaracharya)







