Microconto: «Uma que embeiçara pelo primo 171; outra da mesma rua não se furtava daquele fraco pelo vizinho 155; lembrava também da que tinha aquela queda por mano 157. Já ela, não. Ela era diferente: do que ela gostava era duns 244 do CTB , lubrificava até.»
Como anda alma brasileira...

Um sonetinho baseado numa anedota que me contaram :
Um campônio ante um juíz
Em certa noite, mas em hora incerta,
O pobre homem, já perdido o sono,
Demorava-se na janela aberta,
Mais amuado do que um cão sem dono.
Buscava um horizonte; errava a meta.
Ponderava no corpo um lasso tono,
Padecente de ação de classe experta
Que achaca por dinheiros ou pro bono.
O vultoso edifício o assustou;
Não sabia onde pôr o seu nariz.
«Minha língua é pesada…» — matutou.
Ao pôr-se então de pé ante o juiz,
Pigarreou, tossiu e enfim falou:
Peço vênia a Vossa Meretriz…
(2018)
«Traduzir-se», Ferreira Gullar.

Um vídeo: uns sujeitos se propuseram a falar publicamente de alta cultura em tom nubívago, alisando as cãs, conversa cerimoniosa. O papo descambou, de repente, para bandas de rock, daí o entusiasmo ficou eletrizante — até riram.
Velhos rabiscos (2)...

Velhos rabiscos...

Poxa, mano! Dalcídio está na minha lista, mas não fui atrás. Obrigado por lembrar-me. 👊
Sim, hahaha. Vez ou outra garimpo sebos em busca de uns romances ou novelas de autores brasileiros «esquecidos».
É fácil ser esquecido, quer seja o escritor competente ou não; os sebos são repositórios de memórias. Reservei tempo para ler «A outra infância» (1965), de Hermann José Reipert, mas falhei uma, duas vezes. Um crítico descreveu o estilo como «causticante». Uma terceira tentativa, acho que agora vai.
Gerardo Melo Mourão:

« ... car le langage ne fait en somme que représenter fidèlement l’état des esprits. »
(Symbole de la Science Sacrée, René Guénon).
Bonito, mais que bonito é o Noturno nº4, de Almeida Prado (1943-2010). O tipo de coisa que enleva quando se desespera do Brasil.
«Music is at its best when it is pleasingly melancholic.», Charles Haddon Spurgeon.
«...o ser humano é mais decente do que supõem os moralistas.» (Marques Rebelo)