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𝚋𝚊𝚝𝚜𝚒𝚚
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«Honk, honk!» — Harpo Marx ᵐᵃⁱˢ ᵘᵐ ᵒᵇˢᶜᵘʳᵒ ⁿᵒˢᵗʳⁱⁿʰᵒ ᵇᵃⁱˣᵃ ʳᵉⁿᵈᵃ ᵉ ᵈᵉˢᵈᵉⁿᵗᵃᵈᵒ

Nada contra, cada um faça o que quer, mas a maioria fica nos mesmos assuntos, e em português os temas são mais restritos ainda. Sugiro seguir hashtags sobre os assuntos que mais te interessam. Exemplo: #artstr ou #art, #filmstr ou #films etc etc, ou as hashtags correspondentes em nossa língua. Enfim, é um trabalho braçal, tem de garimpar.

(1) Em casa, antes de dormir:

O oráculo da noite: a história e a ciência do sonho, Sidarta Ribeiro.

Motivação: uma amiga emprestou-me. É uma abordagem neurocientífica do sonho.

(2) Fora de casa, na rua, no trabalho:

(a) El acoso, Alejo Carpentier.

Motivação: é uma novela na qual um sujeito é cercado pelos antigos correligionários durante os 40 poucos minutos de duração da execução da execução da Sinfonia nº3, do Beethoven.

(a) Quem tem medo dos evangélicos? Religião e democracia no Brasil de hoje, Gutierres Fernandes Siqueira.

Motivação: pelo menos três eventos me fizeram lembrar o quão os evangélicos são malvistos não só pelas zelites como pelos mais diversos grupos.

You deserve every mention. All your works are lovely. 💜

Opa! Se meu quadro mental melhorar e rolar um «tomar-uma», esteja convidada também: dois carecas e uma estrela da constelação de Órion 😅

No doxxing, prometo.

Foi mais uma leitura, como de costume, entre intervalos no trabalho, entre ônibus & trens & metrôs, entre silêncios de conversas banais, mas foi uma leitura em um mês (agosto) atribulado e difícil. Eu, sequelado. Enfim, então: impressões apenas do mais me chamou a atenção:

Uma imagem frequente é a do carro sempre associado a frear, estacionar, parar etc, e o faz em lugares escuros ou ermos ou onde coisas «estranhas» vão acontecer. Há o plano solar duma roadtrip até o México, mas tudo dispersa-se, frustra-se. Abismos por todo lado. Daí o capítulo 17 me parece dos mais emblemáticos sobre a disforia que permeia toda a da novela: a carta do pai à filha única, a menina de olhos caídos. Após um breve relato sobre o bisavô dela («Um grande homem»), que como o avô também «tinha os defeitos de todo grande homem», segue-se um retrato daquele que seria o «oposto deles.», o próprio autor da carta, o «que nunca deu certo em nada, apesar de até levar jeito pra coisa». Depois ele encoraja a filha a um esforço existencial de conhecer-se na compreensão dos outros, («Tu tem que conhecer os outros primeiro, filha, antes de julgar o que seja.»), pois parece (sem saudosismo, é claro) vislumbrar um tempo bem diferente do que já foi, reconhecendo um mundo esfarelado e saturado:

«É muita informação, muita descartabilidade. Ninguém mais para pra olhar uma fotografia e se recordar de como era no tempo em que ela foi tirada e o que aconteceu depois e o porquê daquilo ter acontecido. É uma geração sem memória própria, que prefere confiar nas memórias das máquinas.»

E reverbera numa passagem mais adiante:

«O sol já não é mais o centro de nada faz muito tempo. O homem, então... antes sol, o homem agora se contenta em ser lua. Reflete a luz de uma tela maior que tudo.» (capítulo 22)

Finale:

Maravilhosos nomes de personagens: Büden Bart, Rudie Ruth, um (quase?) cunhado chamado Hermano, Vampiro Mutreta; mas a melhor: a moça chamada «Dente do demônio». Perdi dias da minha vida rindo desse trecho... 😂😂😂

«Metade da garrafa em meia hora, esperando pelo povo na frente do Café. Não demoraram muito mais a chegar (uma gangue e tanto). A tempo de Dente do Demônio dividir o terço que sobrou comigo. Observava atento sua arcada dentária a cada gargalhada que ela espocava, cada estalo de língua após uma golada. Perfeita. Nada de canino protuberante, torto, nem placa a menina tinha. O apelido seguia sendo um mistério.» (Capítulo 18)

Ok: TLTR, foi malzaê 😂

Foi mais uma leitura, como de costume, entre intervalos no trabalho, entre ônibus & trens & metrôs, entre silêncios de conversas banais, mas foi uma leitura em um mês (agosto) atribulado e difícil. Eu, sequelado. Enfim, então: impressões apenas do mais me chamou a atenção:

Uma imagem frequente é a do carro sempre associado a frear, estacionar, parar etc, e o faz em lugares escuros ou ermos ou onde coisas «estranhas» vão acontecer. Há o plano solar duma roadtrip até o México, mas tudo dispersa-se, frustra-se. Abismos por todo lado. Daí o capítulo 17 me parece dos mais emblemáticos sobre a disforia que permeia toda a da novela: a carta do pai à filha única, a menina de olhos caídos. Após um breve relato sobre o bisavô dela («Um grande homem»), que como o avô também «tinha os defeitos de todo grande homem», segue-se um retrato daquele que seria o «oposto deles.», o próprio autor da carta, o «que nunca deu certo em nada, apesar de até levar jeito pra coisa». Depois ele encoraja a filha a um esforço existencial de conhecer-se na compreensão dos outros, («Tu tem que conhecer os outros primeiro, filha, antes de julgar o que seja.»), pois parece (sem saudosismo, é claro) vislumbrar um tempo bem diferente do que já foi, reconhecendo um mundo esfarelado e saturado:

«É muita informação, muita descartabilidade. Ninguém mais para pra olhar uma fotografia e se recordar de como era no tempo em que ela foi tirada e o que aconteceu depois e o porquê daquilo ter acontecido. É uma geração sem memória própria, que prefere confiar nas memórias das máquinas.»

E reverbera numa passagem mais adiante:

«O sol já não é mais o centro de nada faz muito tempo. O homem, então... antes sol, o homem agora se contenta em ser lua. Reflete a luz de uma tela maior que tudo.» (capítulo 22)

Finale:

Maravilhosos nomes de personagens: Büden Bart, Rudie Ruth, um (quase?) cunhado chamado Hermano, Vampiro Mutreta; mas a melhor: a moça chamada «Dente do demônio». Perdi dias da minha vida rindo desse trecho... 😂😂😂

«Metade da garrafa em meia hora, esperando pelo povo na frente do Café. Não demoraram muito mais a chegar (uma gangue e tanto). A tempo de Dente do Demônio dividir o terço que sobrou comigo. Observava atento sua arcada dentária a cada gargalhada que ela espocava, cada estalo de língua após uma golada. Perfeita. Nada de canino protuberante, torto, nem placa a menina tinha. O apelido seguia sendo um mistério.» (Capítulo 18)