MEDITAÇÕES PARA O TEMPO COMUM DEPOIS DE PENTECOSTES

A VIA UNITIVA

13 DE OUTUBRO

A excelência da vida contemplativa

Maria escolheu a melhor parte, que lhe não será tirada (Lc 10, 42).

A vida contemplativa é absolutamente melhor que a ativa.

Primeiro, convém ao homem segundo o que melhor nele, quer dizer: segundo o entendimento, e a respeito dos próprios objetos, isto é, das coisas inteligíveis, enquanto que a vida ativa se ocupa das coisas exteriores; razão pela qual Raquel, por quem se simboliza a vida contemplativa, interpreta-se: princípio da vista; mas a vida ativa é simbolizada por Lia, que é era de olhos languidinosos.

Segundo, pode ser mais contínua, ainda que não quanto ao sumo grau de contemplação, porque também Maria, símbolo da vida contemplativa, se descreve sentada assiduamente aos pés do Senhor.

Terceiro, é maior o deleite da vida contemplativa que o da vida ativa; por isso diz Santo Agostinho que Marta se fatigava e Maria se fortalecia.

Quarto, na vida contemplativa o homem se basta a si mesmo, porque para ela necessita de menos coisas; por esse motivo disse o Senhor: Marta, Marta, tu afadigas-te e andas inquieta com muitas coisas (Lc 10, 41).

Quinto, a vida contemplativa é mais amada por si, enquanto que a vida ativa se ordena a outra coisa, sobre o que se diz no Salmo: Uma só coisa peço ao Senhor, esta solicito: é que eu habite na casa do Senhor todos os dias da minha vida, para gozar da suavidade do Senhor e contemplar o seu templo (SI 26, 4).

Sexto, a vida contemplativa consiste em certas férias e descanso, segundo aquilo do Salmo: Cessai e reconhecei que eu sou Deus (SI 45, 11).

Sétimo, a vida contemplativa tem por objeto as coisas divinas; e a ativa, as humanas, pelo qual diz Santo Agostinho: "No princípio era o Verbo, eis aqui o que Maria escutava; e o Verbo se fez carne, eis aqui quem servia Maria".

Oitavo, a vida contemplativa é conforme ao que o homem tem de mais próprio, o entendimento; ao passo que nas operações da vida ativa participam também as forças inferiores, que são comuns a nós e às bestas.

Nono, a nona razão acrescenta-a o mesmo Senhor, quando diz: Maria escolheu a melhor parte, que lhe não será tirada (Lc 10, 43). Expondo Santo Agostinho isto, diz: "Tu não escolheste uma má parte, porém ela escolheu a melhor. Escuta porque é a melhor: porque não lhe será tirada. A ti te será tirada em algum momento a carga da necessidade; eterna é a doçura da verdade".

No entanto, secundum quid, e em algum caso, é preferível a vida ativa por causa das necessidades da vida presente; como também diz o Filósofo: Filosofar vale mais que enriquecer-se; porém para o que padece necessidade, enriquecer é melhor"

-S. Th. IIª IIæ, q. 182, a. 1

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