MEDITAÇÕES PARA O TEMPO COMUM DEPOIS DE PENTECOSTES

VIA ILUMINATIVA

5 DE SETEMBRO

Os sacrifícios que devem oferecer-se a Deus

Primeiro, a oblação do sacrifício se faz para significar alguma coisa.

O sacrifício que se oferece exteriormente significa o sacrifício interior espiritual pelo qual a alma se oferece a si mesma a Deus. O meu sacrifício, ó Deus, é um espírito contrito (Sl 50, 19), porque os atos exteriores da religião se ordenam aos interiores. Mas a alma se oferece a Deus em sacrifício, como ao princípio de sua criação e como fim de sua beatificação; e segundo a verdadeira fé somente Deus é criador de nossas almas; também n'Ele somente consiste a bem-aventurança de nossas almas. Por conseguinte, como somente ao sumo Deus devemos oferecer o sacrifício espiritual, assim também a Ele somente devemos oferecer sacrifícios exteriores.

Segundo, certamente é o sacrifício um ato especial de louvor, porque se faz em reverência de Deus; pelo qual pertence a determinada virtude, isto é, à religião. Porém ocorre que também as coisas que se fazem segundo outras virtudes se ordenam à honra de Deus, como quando se dá esmola dos bens próprios por Deus, ou quando submete seu próprio corpo a alguma aflição por reverência a Deus; neste sentido também os atos das demais virtudes podem chamar-se sacrifícios. Há entretanto alguns atos que não encerram louvor por outro conceito, senão porque se fazem por reverência a Deus. E estes atos se chamam propriamente sacrifícios e pertencem à virtude da religião.

Terceiro, o bem do homem é de três classes: primeiro, o bem da alma que se oferece a Deus com um sacrifício interior por meio da devoção, a oração e outros atos interiores semelhantes; e este é o sacrifício principal; segundo, o bem do corpo que, em certo modo se oferece a Deus pelo martírio, pela abstinência ou pela continência; terceiro, o bem das coisas exteriores, das que se oferece sacrifício a Deus; diretamente, quando lhe oferecemos imediatamente nossas coisas, e mediatamente, quando lhes damos a nossos próximos por Deus.

S. Th. IIª IIæ, q. 85, a. 2 e 3

De outra maneira pode dizer-se que devemos oferecer a Deus três sacrifícios. O sacrifício do coração pela contrição: O meu sacrifício, ó Deus, é um espírito contrito (SI 50, 19). O sacrifício dos lábios em louvor e em oração: O que oferece sacrifício de louvor (é o que) me honra (S1 49, 23); ou também: Oferecer-te-ei holocaustos de ovelhas pingues com gordura de carneiros (Sl 65, 15). A medula, que é a untuosidade e vigor dos ossos, é a devoção, substância e virtude das orações. O sacrifício do corpo na satisfação: Então aceitarás os sacrifícios de justiça (SI 50, 21).

- In Apoc., I

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