Também nunca tive problemas para fazer amizades. Mas, de uns anos para cá, ando muito mais seletivo com as pessoas que mantenho em círculos próximos de amizade.

Minha "bateria social" é cada vez mais curta. Dá um desânimo grande ter contato com pessoas atoladas em modismos, consumismo e futilidades e, por este motivo, tenho evitado contatos mais amistosos com estes tipos de pessoa.

Não me importo de conversar assuntos banais e nem tenho a pretensão de participar de um colóquio filosófico toda vez que encontro um amigo, mas os assuntos da macacada estão cada vez mais maçantes, até familiares que gosto muito ultimamente me desanimam ao conversar.

Comecei a ter este comportamento lá por volta de 2018 quando perdi a amizade de um grande amigo de infância que se tornou esquerdista ao mesmo tempo em que a minha namorada feminista terminou comigo, tudo por causa de opiniões políticas diferentes.

Nunca me importei deles terem a mentalidade coletivista e ideias estranhas. Sempre gostei de ambos por outras qualidades que superam este defeito. Mas ambos não toleravam que eu estava "surfando" na onda da direita. Na verdade eu gostava mesmo era dos memes e de irritar a comunada. Nunca me identifiquei ao certo nesta dicotomia bocó e revolucionária de direita x esquerda.

Enfim, senti muito a perda de ambos. Meu melhor amigo e a moça que eu mais gostei nesse mundo. E tudo por psy op política.

A partir daí passei a ser mais reservado em amizades.

Quando vc diz que quase nenhuma amizade vale a pena, vc está certa. Nenhuma amizade precisa valer a pena. Se a amizade deve "valer a pena", então há um critério quantitativo e um objetivo transacional/utilitarista na amizade. Por exemplo, vc gasta um tempo aqui porque as pessoas ouvem tuas ideias e te tratam como indivíduo, sem fazerem qualquer outro tipo de julgamento, e isto te traz alguma forma de satisfação e validação da sua personalidade. Isto é bem bacana e não há nenhum problema nisso.

Porém, a amizade verdadeira é um ato maior de doação. Um presente que vc dá gratuitamente para outra pessoa. Sob um aspecto utilitarista vc fica no prejuízo de forma voluntária ao doar seu tempo, seus sentimentos e ao fazer esforços para o bem da outra pessoa.

"Não há maior amor do que dar a vida pelos amigos" Jo 15,13

No caso do meu ex melhor amigo e ex namorada, continuo gostando deles da mesma forma que antes, apenas triste por eles recusarem os meus presentes e darem mais valor a convenções e ideologias políticas e sociais.

Ultimamente ando meio egoísta e reticente em doar-me para os outros. Não porque ficarei no prejuízo, como disse, mas por orgulho mesmo. "Se não me enxergam como indivíduo e não querem o meu presente, então não vou dar para macaco algum". E fechar-se no orgulho é a causa principal de todo o mal que existe neste mundo.

Nada do que vocês relataram é um problema, pelo menos não na maioria das vezes.

Eu lido com gente de todos os tipos e idades na faculdade e no trabalho, e posso afirmar com certeza que o que vocês estão passando é, basicamente, a maturidade chegando…ou já batendo à porta sem que percebam.

Crianças querem atenção. Adolescentes buscam validação. Adultos desejam profundidade. Idos preferem silêncio.

Mas quem realmente chegou à maturidade costuma querer se afastar. Um desapego que não é comum, mas que ajuda muito: excluir amizades, deletar contatos, sair de conversas fúteis. Curiosamente, esse desapego repentino, que é às vezes excessivo, costuma trazer mais paz.

Quando isso acontece muito cedo, pode ou não ser um problema. No caso dos idosos, eles podem ficar meio rabugentos ou tranquilos, de bem com a vida; nada incomoda, mas também não importa.

Já quando ocorre com alguém de 40, 30, 20 ou até 12 anos, pode ser problemático. Não porque a maturidade em si seja ruim, mas porque essa desconexão das coisas que davam prazer pode acabar com a pessoa.

Imagine alguém de 40, trabalhando, sem família ou muitos amigos, e de repente entra nessa fase…É difícil, e quanto mais jovem, mais desafiador.

Esse tipo de “maturidade forçada” é comum em quem sofreu abusos, passou por grandes dificuldades ou é neurodivergente (superdotados, TDAH, autistas, etc.).

Não é algo novo ou permanente; é um ciclo que aparece de tempos em tempos. Pode ser apenas ocasional ou muito frequente.

Quando não é bem manejado, pode levar à depressão, ao sentimento de que tudo está perdido, ou ao impulso de “tudo ou nada”: mudar de país, abrir um negócio, buscar sucesso, religião, novos círculos de amizade ou até ter filhos para ocupar a mente.

Eu ainda não estou nessa fase kkkkkk, mas sei que vai chegar e terei que me virar. O complicado é que não há resposta única; cada um precisa “renascer” à sua maneira.

Então, nada de ficar triste pensando que chegou ao fim. É apenas o começo de mais um ciclo. Boa sorte

e boas ideias.

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Discussion

Cada dia tenho mais certeza que você é psicóloga ou algum tipo de cuidadora. Por isso te chamam assim.

De qualquer forma, obrigada pelas palavras, me ajudou a perceber que não fui ajudada e vou ter que me virar. 🫱🏻‍🫲🏿🐒

A prodígio quando não cai atirando, te bota pra cima pra te derrubar de novo. kkkkkkkkkkk oh criança seca do kct 🍼🐁

Fiquei uma hora escrevendo texto pra tentar ajudar e olha o que recebo, depois a gente defende palmada, e a gente que tá errada

Muito interessante ver as provocações e o conflito intergeracional das duas macacas. E mais interessante ainda é ver a macaca mirim levar vantagem sobre a orangotango.😂

Não chama ela de macaca, se não de noite vai aparecer uma mini cereal sucrilhos🔪pra ter matar

Pode vir, estarei esperando por ela ouvindo a trilha sonora macabra mais apropriada:

https://www.youtube.com/watch?v=OmixNRh2Pyo

Que p* de música é essa KKKKKKKKKKKKKKKK

Parece uma mistura de música de festa de aniversário infantil dos anos 2000...e sei lá, KKKKKKKKKKKKK

É musica de programa de humor do final dos anos 1990. E vai ressurgir como a trilha sonora dos macacos do Nostr.

Essa daqui é melhor. Só a macacada devassa do Nostr ouve:

https://www.youtube.com/watch?v=xat1GVnl8-k

Música de viado, que curte cropofilia e que só poderia aparecer na porra da década de 90, que só ganha musicalmente para todas as décadas depois.

"Imagine alguém de 40, trabalhando, sem família ou muitos amigos, e de repente entra nessa fase…É difícil, e quanto mais jovem, mais desafiador."

Prazer, Olavista.

Cada experiência de vida é única, mas eu achei muito mais difícil ser um adolescente deslocado do que ser um adulto que opta por uma vida mais introspectiva, com menos amizades.

Eu acho muita falta de respeito dos adultos que minimizam ou relevam as dificuldades de socialização de jovens. Não enxergam os jovens como pessoas, mas apenas como adultos em formação para alguma utilidade.

"Eu ainda não estou nessa fase kkkkkk, mas sei que vai chegar e terei que me virar. O complicado é que não há resposta única; cada um precisa “renascer” à sua maneira."

Eu não sei como é a tal "crise da meia idade" porque mal cheguei nesta fase da vida.

Mas acredito que deve ser bem menos complicada do que a transição da adolescência para a idade adulta. Com mais tempo de vida vamos formando um sistema de valores próprios, amizades mais significativas e experiências que vão nos blindando na idade adulta, enquanto o jovem ainda não possui nada disso.

Eu achei que você fosse um quarentão do Nostr kkkkkkk e realmente, se vc é jovem, é bem improvável ter amizades mais significativas, ou saber se são, só com o tempo vai ver as que duram e valem a pena mesmo