PÓS-DEMOCRACIA E SOCIEDADE LIBERTÁRIA
Considerando a virtude da democracia como um método político de maximização da justiça, isto é, da consideração e satisfação do maior número possível de pessoas, podemos através dessa ótica perceber a falha inerente da própria democracia, que pode descambar para a tirania da maioria ou, não menos pior, a tirania demagógica através da compra tácita e subentendida de votos via assistencialismo para as massas. Portanto, e isto muitos filósofos já apontaram, a democracia é em si uma forma de caminho para decadência, e mais ainda a democracia representativa massificada. Dito isto, a civilização Ocidental pode e deve evoluir para uma forma superior de organização política e social, um estágio pós-democrático, isto é, de superação da atual ordem, o que também requer a superação do próprio Estado: a saber, a sociedade libertária. Neste modelo, impera a tirania do indivíduo em contextos de livre competição e livre iniciativa, nos quais o eleitor-cliente poderá contratar os governos de sua escolha, isto é, os hubs de gestão coletiva que apresentarem as melhores soluções pelos menores preços, e esse contrato voluntário em nada será semelhante aos impostos involuntários que pagamos atualmente, pois sua essência será outra. As pessoas em uma sociedade libertária poderão se organizar em famílias livres, aglomerados de famílias ou comunidades, clãs, contratarem governos privados e agências de coerção, tribunais privados consentidos por todas as partes envolvidas numa questão legal, além de realizarem trocas econômicas de serviços, bens de consumo e capital em um livre mercado ampliado (e regulado apenas pelas poucas e enxutas leis derivadas da ética jusnaturalista autoevidente).
Alguém poderia argumentar: mas quem cuidará dos mais pobres e necessitados? Verdade seja dita, o maior causador de pobreza e estagnação econômica é o próprio Estado, com suas barreiras regulatórias e burocráticas, impostos excessivos, favoritismo monopolista dos “amigos do rei” e perseguição policial dos empreendedores irregulares; veja o exemplo do urbanismo em Tóquio, no qual a regulação é muito menor em comparação a outras capitais mundiais, estimulando a construção em ritmo acelerado de novas moradias em situações onde apenas a criatividade empreendedora é capaz de enxergar potencial e propor soluções técnicas acessíveis. Por causa desse panorama de alta produtividade construtiva e baixa regulação, as moradias em Tóquio são notavelmente mais acessíveis que em qualquer outra grande metrópole global! E não estamos falando de uma cidadezinha esquecida no mundo, mas sim da maior cidade mundial em termos populacionais. Portanto, quando o Estado diz proteger os pobres, devemos ter a perspicácia de perceber que talvez o Estado deseje manter uma substancial massa de pessoas dependentes e economicamente fracas, para justificar seu intervencionismo e os excessivos poderes estatais em nome do “bem-estar social”... Ah, se os pobres soubessem como poderiam enriquecer em uma sociedade libertária!