Replying to Avatar Rafa Borges

Os seguidores do MBL são provas vivas de que existe, em parte do eleitorado, uma incapacidade de dissociar discurso com projeto, para essa parte do eleitorado projeto consiste em externalizar discurso, e explico por um exemplo:

--> Sobre o problema da segurança pública e dos altos índices de violência, além do poder exponencial do crime organizado, Renan Santos diz que vai prender e matar, prender e matar, prender e matar... mas não diz como, quando questionado dirá "farei o que Bukele fez", ele explica o que o Bukele fez, mas não diz como fará isso no Brasil enfrentando o aparelho político do Brasil, e como o eleitorado alvo do MBL e simpatizantes (jovens liberais e uma parcela não representada de jovens que flertam com o tradicionalismo) não possuem ciência sobre como é o aparelho político brasileiro simplesmente aceitam o discurso como se fosse um projeto.

Vou para outro exemplo: a proposta do Renan Santos para desfavelizar o país é arranjar R$ 9bi (salvo engano) em 20 anos e urbanizar as favelas com gentrificação promovida pelo dirigismo estatal, isso não é projeto, é projeção de discurso, pois faltam planos reais com organização real, uma "arquitetura" de quantos ministérios existirão em um possível governo, quais gastos serão cortados para isso, estudos, de onde sairá esse dinheiro todo, etc e etc., além da garantia de que esse plano não falhará, isso é, também a presença de um "plano B", uma vez que todos os processos de gentrificação forçada na marra falharam por não compreender que a favelização é um problema de caráter cultural, não infraestrutural.

Pois bem, o povo assimila discursos mas não possui a capacidade de compreender a prática do discurso, o que é apresentado como discurso externalizado, isso é, o povão (incluindo a geração Z, que se acha esperta) não entende que fazer lista de planos não é projeto. Vou para outros campos para expandir a compreensão do problema ---> o livro do Ciro Gomes publicado em 2018 não apresenta um projeto, isso é, dizer o que vai buscar fazer não é projeto, é discurso. As entrevistas do Jair Bolsonaro nas quais ele dizia "vou mudar isso tudo que está aí" não constituem projetos, são discursos. Os discursos do Enéas Carneiro não eram projetos, eram projeções teóricas e suposições deterministas do que ele acreditava ser uma saída para o Brasil, era um modelinho pronto exposto, apenas.

O que Lula diz sobre picanha e cervejinha gelada não é projeto, nunca foi, e esse é o êxito do PT, que compreende que política não gira em torno de projetos, e sim que PODER gira em torno de projetos, e poder não se discute com o povo, se discute entre 4 paredes com os membros do partido e aliados, somente. Sabe o mais surpreendente? Os petistas sabem disso. Os políticos do Centrão não perdem tempo fingindo ter projetos, estão há mais de 40 anos falando as mesmas coisas e fazendo as mesmas promessas, só uma parcela iludida do eleitorado busca votar por gostar de ver "projetos" na mesa -- uma parcela que gosta de ser enganada.

Minha aposta é que o MBL repita a mesma expressão de votos que João Amoedo teve em 2018, 2,50 % dos votos válidos, cerca de 2,68mi de votos, pois o eleitor alvo é O MESMO perfil: jovens que estão entre o liberalismo e o conservadorismo que não se identificam no esquerdismo ou no bolsonarismo.

Caso ocorra isso a imprensa tratará como uma "surpresa", porém para a bolha do MBL isso será uma decepção pois o entendimento deles é de que Renan Santos possui cabedal político suficiente para, como um outsider, ter uma onda de apoio popular semelhante a do Javier Milei, claramente um equívoco. O Missão provavelmente conseguirá um número surpreendente de deputados estaduais para um partido recém criado, ficará limitado a isso.

Lvcido demais 👏👏👏

As pessoas vêem os políticos falando dos problemas do país, mas não percebem que eles não criam soluções viáveis. São sempre ideias abstratas e genéricas. Na verdade, seria contraproducente um político resolver um problema real da população, pois ele mesmo ficaria sem emprego.

No exemplo que vc deu, a solução apontada de urbanizar favelas não funciona, pois o problema é mais econômico do que urbanístico. Tirar o cidadão vivendo na beira do rio (esgoto) como uma capivara parece ser uma boa idéia, mas, do nada, fazê-lo pagar IPTU, condomínio, água, internet, taxa do lixo e energia o faz voltar para outra área precária. É uma promessa típica de prefeitos para um problema que a prefeitura não tem a menor condição de apresentar uma solução econômica real.

E o mesmo vale para outros problemas. Soluções reais que demandariam décadas de continuidade nunca serão colocadas em execução, pois o horizonte de atuação dos políticos é de apenas 4 anos. Na verdade 2 anos, pois no primeiro ano ainda está apenas esquentando a cadeira e no último tentando a reeleição.

Boa sorte pra quem confia nisso.

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