Este alter ego já fez 20 anos, eu sempre tive algum cuidado em relação à privacidade, nunca publiquei uma foto de rosto, nunca divulguei o meu nome. Ninguém do mundo real, sabe da existência deste alter ego.
Mas esse cuidado não foi a um nível paranóico, nunca me preocupei em ocultar ips, utilizei e utilizo serviços centralizados.
Apenas queria proteger a identidade para o público comum, apenas queria ter a liberdade total de dizer o que pensava, sem restrições, sem sofrer consequências desses actos. Sem saber, este cuidado com a privacidade foi muito importante, agora como bitcoiner.
Hoje arrependo-me um pouco por não ter sido mais paranóico, mas ao mesmo tempo, penso, será que eu conseguiria manter sempre o anonimato durante 20 anos, sem cometer nenhum erro, era pouco provável, em algum momento iria cometer um erro, era inevitável.
Como nunca cometi algum crime, estive sempre tranquilo. Passados estes 20 anos, as coisas começam a dar sinais de mudança, mas o que me inquieta é que, qualquer dia a liberdade de expressão ou o pensar diferente, começa a ser um problema. Os bitcoiners sempre foram uma persona non grata, mas esta luta por liberdade pode complicar ainda mais, os bitcoiners começam a ter um alvo na testa.
Devido ao rastro que eu deixei ao longo deste anos pela internet, apenas lutei por liberdade, mas isto pode complicar para mim. O pior é que a Europa caminha para essa direção, cada vez está mais autoritária. Mas não me arrependo de nada, se complicar, basta matar o alter ego seguir em frente.
Isto parece uma reflexão de velho… não parece, é mesmo, porque por detrás do alter ego, está uma pessoa com 42 anos. Os cabelos brancos já se notam, mas a idade nunca foi uma preocupação para mim.
Esta idade permitiu acompanhar quase toda a evolução, desde brincar na rua, o surgimento da digital, com Atari, depois os pcs, telemóveis, internet, smartphones, Bitcoin e agora AI. Neste ponto a minha geração foi privilegiada, nascemos num mundo analógico e acompanhamos de perto toda a evolução do digital.
Mas em termos económicos, a minha geração (na generalidade), já é um caso diferente, fomos os primeiros a sentir na pele, os efeitos perversos do sistema fiduciário. É claro que as gerações seguintes, estão numa situação ainda mais complexa. Vai agravando de geração para geração.
O único lamento que eu tenho, devido à idade, é que provavelmente nunca vou ver um mundo no padrão Bitcoin. Não acredito que aconteça, nos próximos 50 anos.