O paradoxo do libertarianismo é que a própria empresa, o pilar da visão libertária de mundo, é uma força centralizadora¹.

"Ah, mas os mercados são uma força anárquica e descentralizadora".

Não, os mercados tendem ao equilíbrio dinâmico entre descentralização e centralização, como os demais sistemas adaptativos complexos, explorando uma miríade de possibilidades nos quadrantes de Leibniz.

¹Leiam o R. Coase (1937): http://argento.bu.edu/hes/rp-coase37.pdf

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Não é o mercado que gera descentralização, é a evolução da tecnologia na sociedade. Em uma sociedade primitiva, grupos, feudos e reinos tinham mais poder.

Porém, hoje a diferença é feita no conhecimento do seu cliente, e é impossível saber 100% o que cada pessoa deseja.

Além disso, conforme a tecnologia melhora, tudo fica mais individual, fazer sites, softwares, ter seu próprio dinheiro sem precisar de bancos (Bitcoin), Uber sobre taxis, e essas coisas.

É estritamente um jogo dialético entre centralização e descentralização, uma oposição complementar e dinâmica. O que vem a preponderar em dada situação, depende do contexto. Mas há uma tendência geral, nos sistemas complexos, a mover-se para um equilíbrio dinâmico, instável, entre os dois.

(concordo com o aumento do poder do indivíduo, mas, paradoxalmente, o progresso tecnológico tb. traz aumento do poder das ferramentas de controle sobre os indivíduos)

Sim, e Libertários acabam se agarrando bastante na questão na descentralização, pois boa parte da ideia é ser contra o Estado e as grandes corporações que se juntam a ele, mas nada impede hierarquias.

Sobre o poder das ferramentas, sim, existe maior controle, porém a defesa é sempre mais rápida e eficiente do que o ataque.

Computadores quânticos são citados a décadas (Antes dos anos 2000), e já existem criptografias Quantum Resistant, assim como hoje vemos drones sendo tão eficientes e baratos em guerras.