MEDITAÇÕES PARA O TEMPO COMUM DEPOIS DE PENTECOSTES

VIA PURGATIVA

19 DE JULHO

O pecado mortal obriga à pena eterna

Esses irão para o suplício eterno (Mt 25, 46).

I. Por três razões se diz que o pecado mortal obriga à pena eterna.

1° Por parte daquele contra o qual se peca, que é infinitamente grande, isto é, Deus. Por conseguinte, a ofensa contra Ele merece pena infinita, pois quanto mais digno é aquele contra quem se peca, mais gravemente deve ser castigado o pecado.

2° Porque parte da vontade do pecador. Pois consta que quem peca mortalmente põe seu fim no objeto de seu pecado e do prazer que nele busca. Mas é evidente que quem ama sumamente uma coisa como fim de sua vontade, queira, pelo mesmo, aderir-se sempre a ela; e, portanto, quem mortalmente peca com aquele ato da vontade com que escolheu o pecado mortal, escolheu assim mesmo aderir-se sempre ao pecado, a não ser que acidentalmente se retraia, seja pelo temor da pena, seja por outra coisa parecida. Porém, se pudera aderir-se infinitamente, quem peca eternamente merece uma pena eterna.

3° Por parte do estado do que peca mortalmente, o qual é privado da graça pelo pecado. Pelo qual, como sem a graça não poderia ter lugar o perdão da culpa, se morre em pecado mortal, sempre permanecerá na culpa, pois ulteriormente não será já capaz de receber a graça. Ao subsistir a culpa, fica sujeito para sempre à pena, já que, em caso contrário, permaneceria uma coisa desordenada no universo.

— 2, Dist., 42, q. 1, a. 5

II. De que o pecado tenha sido uma coisa temporal não se segue que só deva ser castigado com pena temporal. Porque o rigor da pena é proporcional ao pecado, tanto no juízo divino quanto no humano. Porém, como disse Santo Agostinho, em nenhum juízo se requer que a pena seja igual à culpa em duração; pois não é porque o adultério ou o homicídio se cometam em um momento, que se deve castigá-los com uma pena momentânea, senão que umas vezes com cárcere perpétuo ou desterro, e outras vezes com a morte; na que não se considera a duração do assassinato, e sim o ser perpetuamente arrancado da sociedade dos viventes; e assim representa a seu modo a eternidade da pena divinamente imposta.

É justo, segundo São Gregório, que quem pecou em seu eterno contra Deus seja castigado no eterno de Deus; e se diz que alguém peca em seu eterno não somente pela continuação do ato durante toda a vida do homem, senão porque no feito mesmo de reduzir seu fim ao pecado, tem vontade de pecar eternamente. Pelo qual diz São Gregório "que os pecadores quiseram viver sem fim, para poder perseverar sem fim em suas iniquidades".

-S. Th. Iª IIæ, q. 87, a. 3 ad 1um

Reply to this note

Please Login to reply.

Discussion

No replies yet.