Eu vi um bolsonarista no twitter reclamando do povo (como um todo; o que abre margem para uma interpretação subjetiva aqui).
Ele disse que o povo não toma o poder porque não quer. Acho até meio irônico um "direitista" ter este discurso, que é tipicamente comunista, na maioria das interpretações.
Isso me fez refletir:
O conceito de "o povo tomar o poder" me soa estranho, esse tipo de ordem não se mantém por muito tempo.
Historicamente: é necessário um grupo de financiadores, apoiadores influentes ou até paramilitares (quando não realizado um golpe interno) para alterar um status quo político de forma eficaz. Seja para o bem, seja para o mal.
O povo sozinho é um motor para mudanças, quando todos compartilham a mesma emoção (como a indignação). Mas não é um estabilizador de tenções socias para uma nova ordem porque "o povo" é uma estrutura amorfa, cada um quer alguma coisa e interpreta essa coisa de forma diferente, isso em seu estado mais "orgânico".
Esta massa amorfa sempre fica muito sujeita a influências (ou pontos de convergência) artificiais que decidem mais por ela do que por si mesma em seu estado orgânico. Estas influências são as ideologias, pessoas ou religiões.
Isso acontece porque este estado orgânico é movimentado pelas vontades mais básicas, muitas vezes conduzidas pela emoção (a qual já citei anteriormente no texto). Isso traz luz ao problema em questão, mas não traz soluções; algo que uma ideologia, pessoa ou religião buscaria sanar.