MEDITAÇÕES PARA O TEMPO COMUM DEPOIS DE PENTECOSTES
VIA PURGATIVA
4 DE AGOSTO
A imprudência
Na casa do justo há tesouro precioso e azeite; porém um insensato dissipará tudo. (Pr 21, 20).
I. O tesouro espiritual da graça não se perde pelo pecado, mas se perde pela imprudência; logo a imprudência é pecado.
Chama-se imprudência o que comete alguém quando carece da prudência que naturalmente deve ter, e segundo isto a imprudência é pecado por conta da negligência, pela qual alguém não põe empenho em adquirir a prudência. Também se diz que há imprudência quando a razão se move ou age de um modo contrário à prudência; por conseguinte, se isto tem lugar pelo apartamento das regras divinas, é pecado mortal; por exemplo, se alguém, como que desprezando e rechaçando as advertências divinas, age precipitadamente; porém, se age fora delas sem desprezo nem detrimento do necessário para a salvação, então é pecado venial.
II. A imprudência é um pecado geral por participação; porque assim como a prudência é participada em certo modo por todas as virtudes, enquanto é diretiva delas, assim também a imprudência o é por todos os vícios e pecados; porque nenhum pecado pode ter lugar se não existe defeito em algum ato da razão diretiva, o qual pertence à imprudência.
Também é um pecado geral a imprudência se contém sob si diversas espécies, e isto de três modos:
Primeiro, por oposição à diversas partes subjetivas da prudência; porque assim como a prudência se distingue em monástica, que é diretiva de um só, e em outras espécies, que são diretivas do vulgo, assim também a imprudência.
Em segundo lugar, segundo as partes como potenciais da prudência, que são as virtudes adjuntas, e se consideram segundo os diversos atos da razão, e deste modo, quanto ao defeito de conselho, é precipitação ou temeridade; quanto ao defeito de juízo, é inconsideração; quanto ao mesmo preceito, que é o ato próprio da prudência, é inconstância e negligência.
Terceiro, por oposição à coisas que se requerem para a prudência, que são como partes integrantes desta virtude. Mas porque todas aquelas se ordenam a dirigir os três atos mencionados da razão, todos os defeitos opostos se reduzem às quatro partes indicadas, como a falta de precaução e de circunspecção se incluem na inconsideração; porém que alguém aja contra a docilidade, da memória ou da razão, pertence à precipitação, como a imprevisão e defeito de inteligência e de habilidade pertencem à negligência e à inconstância.
-S. Th. IIª IIæ, q. 53, a. 1 e 2