"Bem, das faculdades intelectuais que utilizamos na busca da verdade, algumas (por exemplo, o conhecimento científico e a intuição) são sempre verdadeiras, enquanto outras (por exemplo, a opinião e o cálculo) admitem a falsidade. E nenhum outro tipo de conhecimento, exceto a intuição, é mais exato do que o conhecimento científico. Primeiros princípios são mais cognoscíveis do que as demonstrações, e todo o conhecimento científico envolve o discurso racional. Conclui-se que não pode haver conhecimento científico dos primeiros princípios; e uma vez que nada pode ser mais infalível do que o conhecimento científico, salvo a intuição, é forçosamente esta que apreende os primeiros princípios. Isso se mostra evidente não apenas com fundamento nas considerações precedentes, como também porque o princípio da demonstração não é ele próprio demonstração, e assim o princípio do conhecimento científico não é ele próprio conhecimento científico. Portanto, como não dispomos de outra faculdade infalível além do conhecimento científico, a fonte de tal conhecimento deve ser a intuição. Assim, será a fonte primária de conhecimento científico que apreende os primeiros princípios, ao passo que o conhecimento científico como um todo está analogamente relacionado à esfera total dos fatos."
Aristóteles
É atum que o grande filósofo Aristóteles (384 a.C.-322 a.C.), que lançou as bases da Ciência e do método científico, conclui o seu livro de Lógica "Analíticos Posteriores". Sabia ele que a intuição (que não tem a ver com a noção popular de "intuição" atual: intuição aqui não é um palpite; intuição é sim uma certeza fundamental e apriorística de onde erige todo e qualquer conhecimento e razão) é a única forma cognitiva que se pode chegar aos conhecimentos superiores e primordiais, e que as ferramentas lógico-científicas são incapazes de validarem aas próprias verdades que as originam.
Mas hoje estamos "tão evoluídos" que a maioria das pessoas — inclusive "intelectuais" e "cientistas" — ignoram e desprezam os alicerces cognitivos e epistemológicos contidos na intuição, desdenhando desta fonte única das verdades patentes e latentes, para, em vão, submeterem tudo à limitada Ciência — impropriamente coisificada como um deus e mutilada da consciência da intuição —, porque querem provar tudo por silogismo, ignorando que não é pela sua lógica que se descobre se as proposições que nele se conectam são verdadeiras.