Diretamente, o Vaticano não recebe impostos, apenas indiretamente, através de doações vindas de igrejas locais. Mas isso não é antiético nem viola o PNA: aceitar dinheiro que teve origem tributária não equivale a cometer agressão (como cobrar impostos). Da mesma forma, você não deixaria de prestar um serviço a alguém só porque essa pessoa é um funcionário público, ainda que o salário dela venha de impostos.

Em uma sociedade libertária, o Vaticano seria perfeitamente legítimo por não cobrar tributos — o mesmo não se pode dizer da Alemanha ou de qualquer outro Estado moderno.

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Discussion

Receptação (receber dinheiro de origem criminosa) continua sendo crime frente ao PNA, pois quem recebe está indiretamente compactuando com o crime e obtendo um dinheiro que em sua origem deveria pertencer a outra pessoa.

Aqui está, então, o ponto onde divergimos. Dinheiro, para ser funcional numa sociedade livre, deve ser tratado como um bem fungível. Se formos seguir o rastro da origem de cada nota ou moeda, inevitavelmente estaríamos lidando com valores que, em algum momento, já circularam por mãos criminosas.

Se você se refere apenas ao primeiro receptor consciente após o roubo, mesmo assim não se justifica afirmar que há violação do PNA: a simples aceitação de um bem, mesmo que sua história seja manchada, não constitui uma agressão. Trata-se de uma troca voluntária entre duas partes, e não de um ato de violência ou subtração.

O receptor obviamente tem que saber do crime, senão não haveria nem uso de moeda...

De qualquer forma, receber um dinheiro sabidamente fruto de crime é como aceitar um dinheiro que 'não existe', pois o criminoso não é o real dono dele e não deveria poder fazer nada com ele, e o usando, só agravaria o dano à vitima (dificulta a recuperação).

Portanto, quem aceita um dinheiro sabidamente roubado se torna cúmplice, pois está favorecendo ao crime/criminoso, frente a vítima. E é inclusive nesse sentido (e dá oferta de força de trabalho) que funcionários públicos cooperam para o crime estatal.

Deixando de lado o roubo comum e nos concentrando agora apenas nos impostos — que é o cerne da discussão —, no caso dos impostos, o roubo foi cometido contra milhões de indivíduos simultaneamente, de forma pulverizada, embaralhando completamente a origem dos valores. Não é como receber um carro roubado de uma vítima específica, onde se sabe a quem aquilo pertence. Aqui, não há como identificar o verdadeiro proprietário daquele dinheiro para reparar ou recusar o bem.

Alem disso, o roubo se dá de maneira difusa e sistemática, receber dinheiro "contaminado" por impostos não é, por si só, uma violação do PNA, a menos que você seja um agente ativo da agressão (um cobrador de impostos, um político, um executor de tributos).

Todo roubo continua sendo igualmente roubo ainda que as vítimas não sejam facilmente identificáveis, e se sabendo do roubo, aceitar um dinheiro proveniente dele é afastar mais ainda o dinheiro das vítimas, ainda que o recebedor também seja uma delas (sendo a meu ver até mais imoral, por compactuar com quem te roubou).

Dito isso, todo mundo que recebe e troca com quem roubou, está por vias práticas considerando que ele é um ente lícito e o dinheiro realmente é da propriedade dele, ajudando assim a ocultar o valor roubado e ao criminoso, o mantendo como um ente ativo em seus crimes.

Esse engano de achar que o crime precisa ser 'direto' vem muito do próprio engano que o PNA causa. Ele não tem bases formais suficientemente objetivas para apontar o que se considera violação de propriedade, principalmente em casos mais indiretos, como 'ameaça crível', 'falsa testemunha' e outros. A receptação é um desses crimes que o PNA não consegue explicar satisfatoriamente, pois sem a base da ética argumentativa, não consegue apontar o que é ser um participante indireto de um crime (corroborar no ato do crime ou na ocultação depois de feito).

Além disso, a pessoa que aceita o dinheiro no caso de receptação não é um órgão de investigação ou de justiça, não tem como ela propriamente saber se não daria para que o dinheiro ser devolvido a alguém, e como eu disse antes, se não é do criminoso, e nem foi retirado diretamente da pessoa, não é para ela receber, ainda mais quando o valor excede ao que é retirado dela.

Tava procurando um vídeo antigo do Kogos que ele explica isso, até para pessoas que prestam serviços indiretos pra criminosos, mas ele provavelmente apagou depois que começou a se envolver com política 😮‍💨

Esse vídeo aqui é do Ojeda criticando como o próprio Kogos se tornou receptador de dinheiro Estatal:

https://odysee.com/@felipeojeda:b/resposta-ao-kogos-peguei-dinheiro-do:6

Receber dinheiro proveniente de impostos (ou qualquer outro tipo de roubo) não dificulta que seja devolvido para o proprietário legítimo, única e exclusivamente pelo fato do dinheiro ser *fungível*. Se eu te roubar 100 reais, você não estará interessado em receber de volta aquela cedula específica, e sim qualquer outra de valor igual.

Agora, em casos de bens não fungíveis como celular, por exemplo, dificulta sim. Pois você está atrás daquele indivíduo (produto) específico.

Dificulta. Pois todo bem é escaço, se uma pessoa rouba o dinheiro e se desfaz dele, quanto tempo terá que passar para ela reaver a mesma quantia para pagar a vítima? Principalmente em grandes valores.

O tempo é um prejuízo aditivo que a vítima passa a ter, inclusive.

Se o dinheiro, não sai da mão de quem roubou, o tempo de devolução à vítima reduz enormemente, e o criminoso só teria que pagar a indenização pelo crime.

É por isso que quem recebe de criminoso, tanto se beneficia ilegitimamente, por um dinheiro que não é dele, como ajuda a ele a ocultar o crime.

Discordo, a pessoa pode não saber, quem deve pagar é quem roubou

Só é receptação se a pessoa souber. Que no caso do Estado, é obviamente dinheiro roubado.

E como saber que o dinheiro tem origem criminosa? Imagine que você seja um comerciante, você vende suas mercadorias todo santo dia, você acha que tem como saber a origem do dinheiro que entra no seu comercio? E mesmo que tivesse um jeito de rastrear o dinheiro ( principalmente se tivesse jeito de rastrear mesmo o dinheiro em especie), você acha que daria tempo pra ficar rastreando tudo o que entra antes de entregar a mercadoria na mão do seu cliente?

Leia o restante das minhas respostas 👍

Então pra vc imposto não é roubo? Vc é Parasita? Incoerente do carai...

Se essa foi a conclusão que você tirou a partir das minhas proposições, então acho que não posso argumentar nada para te explicar.