MEDITAÇÕES PARA O TEMPO COMUM DEPOIS DE PENTECOSTES
VIA PURGATIVA
17 DE JULHO
O reato da pena é efeito do pecado
Diz-se na Epístola aos Romanos: tribulação e angústia para a alma de todo o homem que faz o mal (Rm 2, 9). Agir mal é pecar. Logo o pecado leva anexa a pena que se designa com o nome de tribulação e angústia.
Das coisas naturais deriva-se às coisas humanas a seguinte lei: o que age contra algo sofre detrimento dele. Vemos, com efeito, nas coisas naturais, que um contrário reage com maior veemência quando sobrevém outro contrário; daí que nos homens se ache por inclinação natural que cada um abata ao que lhe contraria. Porém é evidente que quantas coisas se contêm dentro de uma ordem são em certo modo uma só em ordem ao princípio de ordem; assim, pois, o que contraria a alguma ordem, é consequente que seja abatido por aquela ordem e pelo princípio de ordem.
Portanto, sendo o pecado um ato desordenado, é manifesto que todo aquele que peca age contra alguma ordem; e portanto é conseqüente que seja abatido pela mesma ordem, o qual abatimento, certamente, é uma pena. Assim, pois, segundo três ordens a que está submetida a vontade humana, pode ser castigado o homem com três penas; porque a natureza humana está submetida: primeiro, à ordem da própria razão; segundo, à ordem de um homem exterior, que governa espiritualmente ou temporalmente, política ou economicamente; terceiro, à ordem universal do regímen divino; e cada uma destas três ordens se subverte pelo pecado, pois o que peca age contra a razão, contra a lei humana e contra a lei divina, e por isso incorre em três penas: uma, por si mesmo, que é o remorso da consciência; outra pelo homem; e a terceira, da parte de Deus.
-S. Th. Iª IIæ, q. 87 a. 1