SEGUNDA-FEIRA DA OITAVA DE CORPUS CHRISTI

A Eucaristia preserva o homem dos pecados futuros

Este é o pão que desceu do Céu, para que aquele que dele comer não morra (Jo 6, 50).

O pecado é certa morte espiritual da alma. Portanto, se é preservado do pecado futuro como o é o corpo da morte futura; o qual se verifica de dois modos:

1°, enquanto a natureza do homem se robustece interiormente contra os fatores internos de corrupção, e deste modo é preservado da morte pela comida e pelo remédio;

2°, porque se defende dos ataques exteriores, e assim é preservado pelas armas de que está provido seu corpo.

De um e doutro modo preserva do pecado este sacramento:

1° Pelo mesmo fato de que une a Cristo pela graça, e esta robustece a vida espiritual do homem como um manjar e remédio espiritual, segundo aquilo: O pão robusteça o coração (SI 103, 15). E Santo Agostinho diz: "Aproxima-te com confiança, é pão, não veneno",³³

2° Enquanto é um sinal da Paixão de Cristo, pela qual foram vencidos os demônios, rechaça todo ataque dos demônios. Pelo que diz São João Crisóstomo: "Como os leões que exalam chamas, assim nos retiramos daquela. mesa, feitos terríveis para o Diabo".³⁴

É certo que muitos que se aproximam dignamente a este sacramento caem depois no pecado, e a razão é que o homem no estado de viandante se acha numa condição tal, que por seu livre-arbitrio pode dobrar-se ao bem e ao mal. Pelo qual, ainda que este sacramento em si mesmo tenha uma virtude preservativa do pecado, não tira, no entanto, ao homem a possibilidade de pecar.

E o mesmo é preciso dizer da caridade. Pois a caridade em si mesma preserva o homem do pecado; porém pela mutabilidade do livre-arbitrio ocorre que alguém, depois de possuída a caridade, peca como depois de haver recebido este sacramento.

Ainda que este sacramento não se ordene diretamente a diminuir o estimulante da concupiscência, não obstante o diminui por certa conseqüência, enquanto acrescenta a caridade, pois, como diz Santo Agostinho, "o aumento da caridade é a diminuição da concupiscência". Afirma diretamente o coração do homem no bem, pelo que também é preservado do pecado.

-S. Th., IIIª, 4. 69, a. 6

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Rodapé

³³ Super Joan., Tract. 26.

³⁴ Ibid.,

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