SEXTA-FEIRA DEPOIS DO SEGUNDO DOMINGO DE PÁSCOA

Penalidades da vida presente

O Batismo tem a virtude de tirar as penalidades da vida presente; porém não as tira durante a presente vida, senão que por sua virtude serão tiradas aos justos na ressurreição: Quando, pois, este este corpo mortal estiver revestido da imortalidade (1Cor 15, 54). E isto com razão:

1° Porque pelo Batismo se incorpora o homem a Cristo, e se faz membro seu. Assim, é conveniente que se verifique no membro incorporado o que se verificou na cabeça. Mas Cristo desde o princípio de sua concepção esteve cheio de graça e de verdade; e, não obstante, teve um corpo passível, que ressuscitou à vida gloriosa depois de sua Paixão e Morte. Por conseguinte, também o cristão consegue no Batismo a graça quanto à alma; tem, no entanto, um corpo passível, com o que possa padecer por Cristo, porém, finalmente, será ressuscitado para uma vida impassível. Por isso que o Apóstolo diz: E, se o Espírito daquele que ressuscitou a Jesus dos mortos, habita em vós, Ele, que ressuscitou a Jesus Cristo dos mortos, também dará vida aos vossos corpos mortais, por meio do seu Espírito, que habita em vós (Rm 8, 11); e pouco depois acrescenta: Herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo; mas isto, se sofrermos com Ele, para sermos com Ele glorificados (Rm 8, 17).

2° Isto é conveniente pelo exercício espiritual, ou seja, a fim de que, lutando o homem contra a concupiscência e contra as outras paixões, receba a coroa da vitória. Por isso, comentando estas palavras: A fim de que seja destruído o corpo do pecado (Rm 6, 6), diz a Glosa: "Se depois do Batismo continua o homem vivendo nesta terra, tem que lutar contra a concupiscência com a qual combate, e a vence com a ajuda de Deus". Isto é o que está prefigurado nestas palavras: Estas são as gentes que o Senhor deixou para provar por meio delas Israel, todos aqueles que não tinham conhecido as guerras dos Cananeus, a fim de que as gerações de Israel aprendessem a combater contra os inimigos, se habituassem a pelejar (Jz 3, 1-2).

3º Foi, ademais, conveniente para que os homens não se aproximassem do Batismo com o fim de obter a impassibilidade da vida presente no lugar de aproximar-se para alcançar a vida eterna. Pelo que diz o Apóstolo: Se somente nesta vida esperamos em Cristo, somos os mais miseráveis de todos os homens (1Cor 15, 9).

Comentando a expressão da Carta aos Romanos 6, 6, diz a Glosa: Da mesma maneira que quem faz prisioneiro a um inimigo ferocíssimo, não o mata no ato, senão que o deixa viver algum tempo com desonra e sofrimento, assim Cristo primeiro nos ligou à pena, para desligar-nos dela no futuro.

Cristo destruiu completamente a pena infernal, de modo que não a experimentem os batizados e os verdadeiramente arrependidos; porém não suprimiu de todo a pena temporal: já que permanece a fome, a sede, a morte e outras semelhantes; porém destruiu seu reino e seu domínio, de tal modo que o homem não lhes tema, e as destruirá totalmente no último dia.

-S. Th. IIIª q. 69 a. 3

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