MEDITAÇÕES PARA O TEMPO COMUM DEPOIS DE PENTECOSTES

VIA PURGATIVA

27 DE JULHO

A contrição

1° Deve ser máxima.

Na contrição há uma dupla dor. Uma na vontade, que é essencialmente a contrição mesma, a qual não é outra coisa que o desgosto pelo pecado passado, e tal dor na contrição excede a todas as outras dores, porque, quanto mais agrada uma coisa, tanto mais desagrada sua contrária. Pois bem, o fim último agrada sobre todas as coisas, já que todas as coisas se desejam por ele; logo o pecado, que aparta do fim último, deve desagradar sobre todas as coisas.

Existe outra dor na parte sensitiva, e não é necessário que esta dor seja máxima. Porque maior dor há na parte sensitiva por uma lesão sensível, que a que se experimenta na razão por repercussão. Porque a dor da parte sensitiva, procedente do desagrado que na razão produz o pecado, não é maior que as outras dores sensíveis, seja porque o sentimento inferior não está submetido em sua vontade ao superior a tal ponto que uma emoção ou outra esteja na parte inferior em tal medida que ordena a parte superior; seja porque as emoções que provêm da razão nos atos virtuosos estão submetidas a determinada medida; a que nem sempre se guarda na dor não virtuosa, porque às vezes a excede.

2° De que modo pode ser excessiva a contrição.

A contrição por parte da dor que está na razão, isto é, do desgosto que produz o pecado enquanto é ofensa de Deus, não pode ser excessivo, como tampouco pode ser excessivo o amor de caridade, que inspira tal displicência. Porém a dor sensível pode ser excessiva, como também a aflição exterior do corpo. Em tudo isto deve tomar-se por medida a obrigação de conservar-se em estado de cumprir seus deveres. Por isso diz o Apóstolo: Seja racional o vosso obséquio (Rm 12, 1).

3º A contrição deve ser maior para um pecado que para outro.

Podemos considerar a contrição de dois modos: um, enquanto a contrição responde separadamente a cada um dos pecados, e assim quanto à dor do afeto superior se requer que sinta mais dor por um pecado maior, porque a razão da dor é maior em um caso que em outro, quer dizer, a ofensa de Deus; pois Deus se ofende mais por um ato mais desordenado. Igualmente, também, como quer que à maior culpa se deva uma maior pena, a dor da parte sensitiva deve ser maior por um pecado mais grave.

Em outro aspecto, pode considerar-se a contrição enquanto se estende simultaneamente a todos os pecados, como no ato da justificação, e assim, habitual e virtualmente, é maior em um pecador que em outro. Pois quem se dói de haver ofendido a Deus, dói-se implicitamente de maneira diversa, segundo o que por eles tenha ofendido mais ou menos a Deus. Mesmo quando qualquer pecado mortal aparta de Deus e tira a graça, no entanto, uns aleijam-se mais que outros, enquanto que um pecado está mais em desacordo em sua desordem com respeito à ordem da divina bondade, que outro pecado.

-4, Dist., XVI, a. 3

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