QUINTA-FEIRA DEPOIS DO SEGUNDO DOMINGO DE PÁSCOA

Regeneração espiritual por meio do Batismo

1º O Batismo tira todo o pecado.

Como diz o Apóstolo: Todos os que fomos batizados em Jesus Cristo, fomos batizados na sua morte (Rm 6, 3); e depois conclui: E assim também vós considerai-vos como estando mortos para o pecado, mas vivos para Deus, em Jesus Cristo (Rm 6, 11). Donde se deduz que pelo Batismo morre o homem para o antigo pecado e começa a viver a novidade da graça. Mas como todo pecado pertence à primitiva velhice, segue-se que todo pecado fica apagado pelo Batismo.

2º O Batismo desfaz totalmente a ligação com o pecado. Porque pelo Batismo o homem é incorporado à Paixão e Morte de Cristo, segundo aquilo: Se morremos com Cristo, creiamos que viveremos também juntamente com Cristo (Rm 6, 8). Donde resulta que a todo batizado se lhe comunica para seu remédio a Paixão de Cristo, como se ele mesmo houvesse padecido e morrido. Porém a Paixão de Cristo é suficiente satisfação por todos os pecados de todos os homens, e por isso o que é batizado se livra da ligação de toda a pena devida pelos pecados, como se ele mesmo houvesse satisfeito suficientemente por todos os seus pecados.

3º O Batismo confere a graça e as virtudes. O Apóstolo diz: Salvou-nos mediante o Batismo de regeneração, isto é, pelo Batismo, e de renovação do Espírito Santo, que Ele difundiu sobre nós abundantemente, quer dizer, para perdão dos pecados e abundância das virtudes (Tt 3, 5-6). Assim, pois, no Batismo se dão a graça do Espirito Santo e a abundância de virtudes. Por outra parte, o Batismo tem poder para que os batizados se incorporem a Cristo como membros seus. Da cabeça, Cristo, deriva a plenitude da graça e da virtude a todos os membros, segundo aquilo de São João: De sua plenitude nós recebemos tudo (1, 16).

4° O Batismo confere a fecundidade das boas obras. Com efeito, pelo Batismo somos regenerados à vida espiritual que se obtém pela fé em Cristo: Mas a vida só pertence aos membros unidos à cabeça, da qual recebem a sensibilidade e o movimento. Por conseguinte, é necessário que pelo Batismo se nos incorporemos a Cristo como um dos seus membros. E assim, como da cabeça natural deriva aos membros o sentimento e o movimento, do mesmo modo, da cabeça espiritual, que é Cristo, deriva a seus membros o sentido espiritual, que consiste no conhecimento da verdade, e o movimento espiritual, que vem do influxo da graça. Pelo qual diz São João: vimos a sua glória (do Verbo), glória como de Filho Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade... e de sua plenitude nós recebemos tudo (Jo 1, 14-16)

Segue-se, pois, que os batizados são iluminados por Cristo, pelo conhecimento da verdade, e fecundados por Ele com a fecundidade das boas obras por infusão da graça.

—S. Th. IIIª, q. 69 a. 3

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