TRÊS ATITUDES DISTINTAS DIANTE DO NEO-MODERNISMO

- Pe. Dr. Joaquín Sáenz y Arriaga, Sedevacante, p. 437-439.

"São Gregório Magno escreveu uma frase memorável que, nas atuais circunstâncias de heresia, apostasia e cisma, nos parece de capital importância para esclarecer a consciência de tantos tímidos ou enganados que hoje, consciente ou inconscientemente, estão colaborando com a "SATÂNICA REVOLUÇÃO" que, desde dentro, realiza essa "autodemolição" da Igreja fundada por Cristo:

"Se, para defender a verdade — escreve o grande Pontífice — corre-se o risco de que sobrevenha um escândalo, é preferível que venha o escândalo a deixar de defender a verdade."

E o melífluo São Bernardo, em frase de idêntico sentido, escreve:

"Aquele que, por obediência, se submete ao mal, adere à rebelião contra Deus, e não à submissão devida a Ele."

Citemos algumas palavras do divino Mestre que confirmam as frases desses dois santos:

"Porque é necessário que venham escândalos (dada a fragilidade e malícia dos homens), mas ai daquele por quem o escândalo vier! Se tua mão ou teu pé te faz tropeçar, corta-o e lança-o longe de ti. Mais vale entrares na vida manco ou coxo, do que, com as duas mãos ou os dois pés, seres lançado no fogo eterno." (Mt 18, 7ss)

Diante da subversão atual na Igreja — guerra satânica, total, até a morte, contra a religião — só são possíveis três atitudes: a da capitulação, a da submissão e a da resistência.

A primeira atitude é a daqueles que já perderam a fé. Ao assumirem essa atitude, os católicos (sejam simples fiéis, sejam sacerdotes, bispos, cardeais ou até o papa), não apenas se perverteram, não apenas abandonaram a fé tradicional, mas se converteram em ativistas incansáveis, em difusores e defensores das heresias modernistas. Conscientemente querem a "autodemolição" da Igreja e a ela consagram todos os seus recursos e as interpretações tortuosas que sua soberba deu à Palavra Revelada.

Os “submissos”, que infelizmente abundam, seja por incapacidade mental, por conveniência ou por covardia, insistem em defender que, seja no bem ou no mal, na verdade ou no erro, devemos estar com o Papa e com os bispos, de tal maneira que é preferível ir para o inferno por obediência do que ir para o céu por aquilo que eles chamam de desobediência. A muitos destes falta cabeça, ou falta ciência, ou faltam “calças”, para decidirem-se a agir segundo sua consciência e o dom sobrenatural da fé que recebemos no Santo Batismo.

A terceira atitude, a única verdadeiramente católica, coerente, proveitosa e necessária para a vida eterna, é aquela que, diante dos evidentes desmoronamentos na Igreja de Deus, diante da "autodemolição" que estamos presenciando — e da qual o próprio Paulo VI deu testemunho —, diante do fato inegável de que agora existem duas religiões, duas “economias” do Evangelho, duas mentalidades distintas, declaram com plena consciência de sua responsabilidade diante de Deus e dos homens: que, entre a religião de vinte séculos, de todos os Papas e de todos os Concílios, e a religião do aggiornamento, do ecumenismo, a de João XXIII, Paulo VI e seu Concílio Pastoral, estão — ou estamos — dispostos, mesmo à custa da vida, de todas as difamações, calúnias e afrontas, a conservar a fé de sempre, a fé de nosso batismo, a fé de nossa eterna salvação.

A primeira atitude é, humanamente falando, muito vantajosa: proteção e apreço dos bispos, dos párocos, dos que estão no poder; boas entradas de dinheiro, liberdade para fazer e dizer o que se quiser, perspectivas promissoras de futuras promoções, dignidades e cargos de comando. Estão fazendo carreira para se tornarem Monsenhores, chanceleres, bispos e cardeais — sobretudo agora, quando, para alcançar esses postos honoríficos, não se exige ortodoxia, nem pureza de costumes, nem ciência suficiente nos promovidos — basta apenas uma fidelidade exemplar à nova religião.

Este grupo é formado pelos traidores; apóstatas, hereges ou cismáticos; os que não creem em nada, porque perderam o dom sobrenatural da fé. E os pecados contra a fé são pecados contra o Espírito Santo, que dificilmente se perdoam, porque a fé, uma vez perdida, não se recupera facilmente.

A segunda atitude é lamentável, digna de compaixão. Estão enganados; desconfiam, no entanto, de que algo está errado, mas lhes falta decisão para investigar, com verdade e sinceridade de coração, onde está a VERDADE REVELADA: se no Vaticano II, João XXIII e Paulo VI, ou em todos os Concílios anteriores e nos Papas legítimos da Igreja, predecessores dos dois últimos Pontífices. Porque há uma contradição evidente: há duas religiões opostas; há a Igreja das catacumbas e a igreja triunfalista de João B. Montini, que não é a de Cristo.

A indecisão, a covardia não isentam de pecado; nem a ignorância, a menos que esta seja invencível — mas lembremos que, nos batizados, essa ignorância invencível não pode existir quanto às verdades elementares para a salvação, a não ser que se tenha perdido voluntariamente o dom sobrenatural da fé, por um pecado contra a fé.

É isso o que está acontecendo, tragicamente: a fé está se perdendo sem que as pessoas se deem conta; a nova religião foi aceita com uma docilidade incrível, e, ao aceitar a nova religião, necessariamente se perde — de modo progressivo, insensível e rápido — a fé.

Aqui também devemos apontar a gravidade inconmensurável dos pecados contra a fé cometidos pelos bispos e pelos sacerdotes, mesmo que sejam monsenhores ou cardeais, por cuja culpa — ainda que seja apenas por omissão — almas imortais estão indo para o inferno, mesmo que eles digam que o inferno não existe.

Não resta, pois, senão a última postura racional, livre, resoluta, inabalável: a da resistência. Lutaremos, sim, lutaremos, com a graça de Deus; lutaremos até a morte; lutaremos, ainda que em sua fúria Sua Eminência ou pessoas acima de Sua Eminência queiram lançar sobre nós outra “excomunhão”. Se isso, para o Pe. Antonio Brambila, é o mesmo que eu querer excomungar-me, para minha consciência sacerdotal e católica, isso significa querer salvar-me, querer morrer na fé dos meus antepassados.

Que ele, e os que o seguem, tentem realizar o impossível de unir o não-ser com o ser."

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