QUINTO DOMINGO DE PÁSCOA

A oração

Jesus, levantando os olhos ao Céu, disse: Pai, dou-te graças, porque me tens ouvido (Jo 11, 41).

Duas coisas indica o Evangelista:

1ª O modo conveniente de orar, porque levantando os olhos ao Céu, isto é, elevou sua inteligência, levando-a ao excelso Pai pela oração. Se nós queremos orar a exemplo de Cristo, deveremos elevar até Ele os olhos da alma, apartando-nos das coisas presentes, recordações, pensamentos e desejos.

Também levantamos os olhos para Deus, quando, desconfiando de nossos méritos, esperamos só em sua misericórdia, segundo aquilo do Salmo 122, 1-2: Levanto os meus olhos para ti, que habitas nos céus... Como os olhos da escrava nas mãos de sua senhora, assim os nossos olhos estão fixos no Senhor nosso Deus, até que tenha misericórdia de nós. E agrega Jeremias: Levantemos os corações e as mãos para Deus nos céus (Lm 3, 41).

Diz-se na Epístola aos Colossenses: Não cessamos de orar por vós e de pedir (1, 9). A oração é uma elevação da alma para Deus. Pedir é suplicar alguma coisa. A oração deve preceder, para que seja escutado o que pede devotamente, como os que pedem começam pela persuasão, para inclinar a suas necessidades. Do mesmo modo, devemos nós começar pela devoção e pela meditação sobre Deus e sobre as coisas divinas, não para dobrá-lo a Ele, senão para elevar-nos até Ele.

- In Col., I

2ª A eficácia da oração se expressa nestas palavras: Pai, dou-te graças, porque me tens ouvido.

Temos aqui uma prova de que Deus é fácil para outorgar, como se lê no Salmo 9, 17: O Senhor ouviu o desejo dos pobres, quer dizer, que escuta o desejo antes de que se profiram as palavras. E em Isaías: Logo que ouvir a voz do teu clamor, te responderá (Is 30, 19); e mais adiante: Estando eles ainda a falar eu os atenderei (Is 65, 24).

Com maior razão convém considerar que Deus Pai, prevendo a oração de Cristo Salvador, a escutou; porque as lágrimas que Cristo derramou pela morte de Lázaro fizeram as vezes de oração.

No fato de que ao princípio da oração deu ações de graças, se nos dá o exemplo de que, quando queremos orar, demos graças a Deus pelos benefícios recebidos antes de pedir coisas futuras, cumprindo o que diz o Apóstolo: Por tudo dai graças (1Ts 5, 18).

-In Joan, XI

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