SEGUNDA-FEIRA DEPOIS DO TERCEIRO DOMINGO DE PÁSCOA

O sacramento da Eucaristia

O que come a minha carne e bebe o meu sangue, tem a vida eterna (Jo 6, 54).

I. Este Manjar espiritual é semelhante ao corporal, por quanto sem ele não pode existir a vida espiritual, o mesmo que a vida corporal não existe sem o manjar corporal; porém, ademais, possui algo mais que o corporal, porque produz, naquele que o toma, vida indefectível, o que não faz o alimento corporal; pois o que o toma não está seguro de viver.

Com efeito, pode ocorrer, como diz Santo Agostinho, que os que lhe comem morram, seja por velhice, seja por doença ou outro acidente, enquanto que o que toma este manjar e bebe do corpo e do sangue do Senhor tem vida eterna, e por isso é comparado à árvore da vida. É árvore da vida para aqueles que lançarem mão d'Ele (Pr 3, 18). Também se chama pão da vida: O sustentará do pão de vida e de entendimento (Eclo 15, 3). Por isso diz: vida eterna. O qual significa que quem come este Pão tem em si a Cristo, que é verdadeiro Deus e vida eterna.

Possui vida eterna o que como e bebe, não somente sacramental, senão também espiritualmente, isto é, não somente tomando o sacramento, senão também chegando até a realidade do sacramento, de tal modo que se transforma nele e chega a fazer-se membro seu; já que este manjar não se converte no que o come, senão que converte em si ao que o toma, segundo o que diz Santo Agostinho: "Sou manjar dos grandes; cresce e me comerás; tu não me mudarias em ti, senão que tu te transformarias em mim". Por isso é um manjar que pode fazer divino ao homem, e embriagá-lo na divindade.

Grande é, portanto, a utilidade deste manjar, porque dá à alma a vida eterna.

II. Mas é também grande a utilidade da Eucaristia, porque dá a vida eterna ao corpo. Por isso se acrescenta: e eu o ressuscitarei no último dia. Pois o que come e bebe espiritualmente, se faz participante do Espírito Santo, pelo qual nos unimos a Cristo com união de fé e de caridade, e pelo qual nos fazemos membros da Igreja. O Espírito Santo nos faz merecer a ressurreição. E, se o Espírito daquele que ressuscitou a Jesus dos mortos, habita em vós, Ele, que ressuscitou a Jesus Cristo dos mortos, também dará vida aos vossos corpos mortais, por meio do seu Espírito, que habita em vós (Rm 8, 11).

Por isso diz o Senhor que ao que come e bebe o ressuscitará para a glória; não para a condenação, porque esta ressurreição não seria proveitosa. Com propriedade se atribui tal efeito a ao sacramento da Eucaristia; porque o Verbo ressuscitará as almas, mas o Verbo feito carne ressuscitará aos corpos. Neste sacramento não somente está o Verbo segundo sua divindade, senão também segundo a verdade da carne; e por conseguinte não é somente causa da ressurreição das almas, senão também dos corpos. Claramente se vê, pois, a utilidade desta manducação.

- In Joan, IV

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