Com 66 mortes, Ribeirão Preto tem 'explosão' de doenças respiratórias graves

Vacinação abaixo da meta e tempo seco agravam situação. Cidade já soma mais de 800 internações neste ano. Número de pessoas com síndrome respiratória grave dispara em Ribeirão Preto, SP

O número de casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) quase dobrou em Ribeirão Preto (SP) no segundo trimestre deste ano. Segundo a Secretaria Municipal da Saúde, foram 284 casos notificados entre janeiro e março e 563 entre abril e junho, um aumento de 98%.

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O avanço da doença tem lotado unidades de saúde e provocado internações. Ao todo, 847 pessoas foram hospitalizadas entre janeiro e junho, sendo 328 crianças de até 9 anos e 364 idosos. O município também contabilizou 66 mortes no período.

Entre os principais causadores está o vírus Influenza, com 250 casos confirmados.

Ribeirão Preto tem 'explosão' de doenças respiratórias

Reprodução/EPTV

Vacinação abaixo da meta

Especialistas apontam que a baixa cobertura vacinal contra a gripe está entre os fatores que contribuíram para a alta dos casos. Mesmo com a campanha iniciada em abril, a procura pelos imunizantes foi baixa, principalmente entre os grupos prioritários.

Até o dia 30 de junho de 2025, foram vacinados:

49,08% dos idosos

41,48% das gestantes

32,06% das crianças

O médico infectologista Fernando Crivelenti Vilar alerta que a vacinação nos grupos de risco deveria ter acontecido antes da chegada do período de maior circulação dos vírus.

“A gente começa a vacinar em abril para que, no fim de maio e começo de junho, as pessoas já estejam protegidas. Como a meta não foi atingida, ampliamos a vacinação para todos. Se a população tivesse buscado o imunizante, teríamos menos casos de gripe, menos SRAG e, consequentemente, menos pneumonia”, afirma o especialista.

O médico também reforça que, nos primeiros sintomas, é importante procurar rapidamente atendimento médico, principalmente se o paciente faz parte dos grupos de risco.

“Idosos acima de 65 anos, crianças abaixo de cinco, gestantes, puérperas e pessoas com comorbidades graves. Se apresentarem febre súbita, tosse, dor de garganta ou dor no corpo, precisam procurar atendimento em até 48 horas. A rede pública tem o antiviral para oferecer a esses pacientes”, explica.

Com o tempo seco e as baixas temperaturas do inverno, a tendência é de que os casos continuem. Por isso, a vacinação ainda é recomendada, mesmo após o período de campanha.

Em Ribeirão Preto, há 39 salas de vacinação disponíveis. A população pode consultar a mais próxima no site da Prefeitura.

Movimento baixo em sala de vacinação em Ribeirão Preto; cobertura vacinal contra gripe não atingiu 50% entre grupos de risco.

Freepik

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Luta contra a pneumonia

Beatriz Bernardes, de Ribeirão Preto, enfrentou uma pneumonia ao lado do pai, de 62 anos. Eles passaram mais de dez dias com tosse, febre e dores no peito.

Um sobrinho de apenas três meses também foi internado com problemas respiratórios.

“Meu pai ficou com os mesmos sintomas que eu: peito cheio, dor de cabeça e febre. Fomos até no médico juntos. É uma doença muito difícil. Além disso, meu sobrinho também tem problema de respiração e está internado. Ele é muito novinho, estamos muito apreensivos por causa dele", desabafa Beatriz.

Beatriz Bernardes e o pai, de 62 anos, enfrentaram juntos uma pneumonia após mais de dez dias com tosse, febre e dores no peito.

Reprodução EPTV

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