O Canto 18 da Ilíada é uma coisa sem igual. O lamento de Aquiles e seu retorno à guerra:

“Assim falou; e uma nuvem negra de dor se apoderou de Aquiles. Levantando com ambas as mãos a poeira enegrecida, atirou-a por cima da cabeça e lacerou seu belo rosto.

Sobre a sua túnica perfumada caiu a cinza negra. E ele próprio, grandioso na sua grandiosidade, jazia estatelado na poeira e com ambas as mãos arrancava o cabelo. As servas que Aquiles e Pátroclo tinham arrebatado como espólio gritaram bem alto na angústia do coração e correram porta afora junto do fogoso Aquiles. Todas com as mãos batiam no peito e a cada uma delas se enfraqueceram os joelhos.

Por seu lado Antíloco lamentava-se e chorava muitas lágrimas, segurando nas mãos de Aquiles, que gemia no seu glorioso coração; é que receava que com o ferro ele cortasse a própria garganta.

Medonhos foram os gritos de Aquiles. Ouviu-o a excelsa mãe, sentada nas profundezas do mar junto do ancião, seu pai. Logo lançou um grito ululante. E as deusas vieram rodeá-la, todas quantas eram Nereides nas profundezas do mar.”

(...)

Ou mesmo esse épico discurso:

“Agora escolho o glorioso renome.

E porei alguma das Troianas e das Dardânias de fundas cinturas com ambas as mãos a limpar as lágrimas das faces macias, no meio de lamentações incessantes: e assim ficarão sabendo que há muito eu estava afastado da guerra. Não me impeças de combater, por mais que me ames: não me convencerás.”

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