China deve ‘trocar’ petróleo venezuelano pelo brasileiro, diz ex-diretor da Petrobras
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O ex-presidente da Petrobras Jean Paul Prates afirmou que o Brasil tende a assumir um papel estratégico como fornecedor de petróleo para a China em substituição à Venezuela. Ele esclareceu a projeção em entrevista à emissora CNN nesta segunda-feira, 5.
Segundo Prates, o Brasil reúne atributos que o credenciam como parceiro confiável de Pequim no setor. “O Brasil tem um petróleo de alta qualidade, uma produção crescente e consolidada no pré-sal, onde há empresas chinesas com participação direta nesses blocos.”
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Nesse cenário de disputa geopolítica, Prates avalia que os contratos da China com a estatal venezuelana Petróleos de Venezuela S.A. — responsáveis por cerca de 80% da produção da estatal venezuelana — ficam sob risco diante da influência dos Estados Unidos. “Assim, o backup do petróleo da Venezuela para a China será o Brasil”, concluiu.

Na entrada da sede da Petróleos de Venezuela S.A (PDVSA), localizada na Avenida 5 de Julio em Maracaibo, pode-se ler a frase ao fundo: “Pátria, Socialismo ou Morte” | Foto: Wikimedia Commons
O ex-diretor da Petrobras também citou a "estabilidade institucional" brasileira, em contraste com a situação venezuelana. “Temos estabilidade institucional e não sofremos sanções. Não estamos no centro dessas disputas", explicou. "Na prática, passamos a ser o principal fornecedor relevante de petróleo para a China fora dos eixos de influência que ela já possui.”
Produção de petróleo da Venezuela está muito abaixo do potencial
Prates avalia que a atual situação da Venezuela, cuja produção está muito abaixo do potencial, cria uma janela de oportunidade para os Estados Unidos. “A Venezuela poderia estar produzindo 3 milhões de barris por dia, mas está abaixo de 1 milhão, devido às ineficiências e à falta de investimentos que a PDVSA enfrentou ao longo do tempo.”
Na análise dele, Washington tentará transformar o país em um exemplo de recuperação. “O governo Trump vai tentar fazer na Venezuela algo que nunca fez antes", pondera. "Talvez algo comparável apenas ao pós-guerra, na reconstrução da Europa e do Japão. A ideia é transformar o país em um ‘case’ de sucesso.”
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