MEDITAÇÕES PARA O TEMPO COMUM DEPOIS DE PENTECOSTES

VIA PURGATIVA

13 DE JULHO

As feridas da natureza como conseqüência do pecado

Os sentidos e os pensamentos do coração do homem são inclinados para o mal desde a sua mocidade (Gn 8, 21).

Pela justiça original a razão continha perfeitamente as forças inferiores da alma, e a mesma razão era aperfeiçoada por Deus, estando a Ele sujeita. Porém esta justiça original se perdeu pelo pecado do primeiro pai; e em consequência todas as forças da alma estão de certo modo destituídas da própria ordem com que naturalmente se ordenam à virtude; e a mesma destituição se chama lesão da natureza.

Porém, há quatro potências da alma que podem ser sujeitos das virtudes: a razão, na qual está a prudência; a vontade, assento da justiça; a potência irascível, na qual se acha a fortaleza; e a potência concupiscível, sujeito da temperança. Assim, pois, enquanto a razão é destituída de sua ordem ao verdadeiro, há lesão de ignorância; enquanto ao bem, há chaga de malícia; enquanto a potência irascível é despojada de sua ordem ao árduo, há lesão de debilidade; e enquanto a concupiscência é destituída de sua própria ordem ao deleitável moderado pela razão, temos a ferida da concupiscência.

Assim, pois, estas quatro lesões são as chagas inferidas a toda a natureza humana pelo pecado do primeiro pai, mas, porquanto a inclinação ao bem da virtude se diminui em cada um pelo pecado atual, também são, essas mesmas quatro feridas, conseqüências dos outros pecados, enquanto pelo pecado a razão se embota principalmente no agir, a vontade se endurece para o bem, se acresce a dificuldade para agir bem, e se inflama mais a concupiscência.

-S. Th. Iª IIæ, q, 85, a. 3.

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