MEDITAÇÕES PARA O TEMPO COMUM DEPOIS DE PENTECOSTES

VIA PURGATIVA

12 DE JULHO

As trevas e a sombra da morte

Tirou-os das trevas e da escuridão (SI 106, 14).

1° Existem três classes de trevas, a saber: a) As trevas de ignorância. Não sabem nem entendem os seus deveres, andam nas trevas (SI 81, 5). Estas são trevas da razão, consideradas em si mesmas, enquanto que se ofuscam por si mesmas. b) As trevas de culpa, e a estas se refere o Apóstolo quando diz: Outrora éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor (Ef 5, 8). Estas são também da razão humana, não produzidas por si mesmas, senão pelo apetite, enquanto que, maldisposto pelas paixões ou pelo hábito, anseia por algo como se um bem fosse, ainda que na verdade não seja um bem. c) Por último, estão as trevas de condenação eterna. E a esse servo inútil lançai-o nas trevas exteriores (Mt 25, 30). As duas primeiras espécies de trevas se dão na vida presente; porém a terceira, ao término da vida.

Porém Cristo tirou-os das trevas, porque é a luz do mundo, não um sol criado, senão autor da criação do sol; e no entanto, como diz Santo Agostinho, a luz que criou o sol foi feita sob o sol, e está coberta pela nuvem da carne, não para obscurecê-la, senão para abrandá-la. E porque esta luz é universal, por isso expulsa universalmente todas as trevas. O que me segue não anda nas trevas (Jo 8, 12), quer dizer, nas trevas da ignorância, porque Eu sou a verdade; nem da culpa, porque Eu sou o caminho; nem da condenação eterna, porque Eu sou a vida.

-In Joan., VIII

2º A noite se entende de duas maneiras. Uma que resulta da subtração da graça atual, à qual leva o pecado mortal, e quando chega esta noite ninguém pode executar obras meritórias da vida eterna.

A outra é a noite consumada, quando se é não somente privado da graça atual pelo pecado mortal, mas também da faculdade de alcançá-la, por causa da condenação eterna no inferno, onde existe noite profunda, que envolverá aqueles de quem se diz: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno (Mt 25, 41). Então ninguém poderá agir, porque não é tempo de merecer, senão de receber o merecido. Por conseguinte, enquanto vives, faz o que deves fazer. Por isso aconselha a Escritura: Faze com presteza tudo quanto pode fazer a tua mão, porque na sepultura, para onde te precipitas, não há nem obra, nem razão, nem ciência, nem sabedoria (Ecl 9, 10).

In Joan., IX

3º A morte é a condenação no inferno. Eles serão pasto da morte (SI 48, 15). A sombra da morte é a semelhança da condenação futura que existe nos pecadores. Mas a pena maior dos que estão no inferno é a separação de Deus; e posto que os pecadores já se separaram de Deus, por isso têm uma semelhança de condenação futura, ao contrário do que ocorre aos justos, que possuem uma semelhança da futura bem-aventurança.

-In Matth., V

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