Respeito, Wenderson. Tudo isso segue fielmente a lógica naturalista.
Mas eu me reservo ao direito de desafiar a lógica naturalista usando um pressuposto diferente. E nas escolhas de pressupostos não podemos dizer com a razão quem está certo e quem está errado, só com crença.
**Pressuposto**
• Deus é o único e exclusivo proprietário do que Ele criou e readquiriu com sangue e todo universo é propriedade privada dele. (Podemos depois comentar o fato da reaquisição não ter implicado que Deus perdeu a propriedade de nada).
**Inferências**
• Não existe propriedade privada na esfera humana.
• Humanos são administradores de propriedade alheia por concessão.
• Não existe usucapião da propriedade divina, pois Ele está ativamente presente no uso de cada partícula subatômica do universo
• Se o direito está vinculado à propriedade, só Deus teria direitos naturais.
• O homem não tem direitos naturais.
• Deus criou direitos positivos para o bem dos seres inteligentes.
• O direito dos homens é positivo, baseado no contrato com Deus e é Ele quem define o alcance e limites de todas os administradores e também suas obrigações.
• O aparato estatal colocados por Deus, devem ser respeitados e mantidos com os recursos de Deus que administramos.
• O estado também está sujeito a Deus e não devemos obedecê-los nas coisas que quebrem o contrato com Deus. Por exemplo, o direito do governante é de apenas 10% dos rendimentos líquidos da administração de cada humano.
• Haverá o dia do acerto de contas da administração, chamada de juízo.
**Sobre ética e emprego da violência**
• Há dez mandamentos.
• Há a missão de cuidar da propriedade de Deus, dando prioridade aos bens espirituais e a humanidade. É meio descabido destruir propriedades mais importantes para"proteger" as menos importantes. Embora seja bem discutível a relevância de propriedades menos relevantes para prover sobrevivência de um ou mais seres humanos, a propriedade mais importante de Deus.
• Toda ação é feita para Deus, Ele é o beneficiado ou o prejudicado primário em cada ação.
• A violência só é permitida na legítima defesa pessoal, é discutível a questão da defesa da propriedade, depende do contexto.
• O estado não tem o monopólio da punição exemplar. Ela pode ser feita pelos pais, pelas organizações das quais os antiéticos fazem parte, gerando disciplina, exclusão temporária ou permanente, etc. Mas só o estado pode infligir as penas extensas de privação da liberdade (maior do que o castigo dos pais de não deixar o filho sair para brincar) e a pena capital.
• A ideia de furtar/roubar não se restringe a tomar itens de Deus que estão sob administração alheia sem consentimento, mas de não usar os itens de Deus para os propósitos que ele ordena e dar outros usos, isso se aplica ao dinheiro e bens em contextos como dízimo, ofertas e ações solidárias pro Reino de Deus e também ao tributo para o estado, mas também ao tempo, não dar outro fim ao tempo sagrado ou ao tempo vendido num contrato de trabalho, ou em outros contextos bem profundos e únicos.
Como você pode perceber, alterando o pressuposto, se vê de formas diferentes a mesma realidade.