Argumenta bem.
A ideia sobre tradição não é de todo excluída, Paulo falou sobre a tradição que deveriam seguir, a tradição de trabalhar e não ficar vadiando, como era comum na Tessalônica, e Paulo até trabalhou lá para mostrar que convinha trabalhar. Ele até disse que era para notar quem não seguia essa tradição e se afastar dessa pessoa.
O problema, amigo, é fazer da tradição superior às Escrituras, como Cristo repreendeu os líderes judaicos que ensinavam mais os pensamentos dos antigos rabinos do que a Tanakh (Antigo Testamento) em si.
Não acho que o Novo Testamento é uma tradição, seria se fosse escrito por outras gerações, talvez, mas foi escrito pelas testemunhas oculares e por um missionário que viu o Senhor ressuscitado e que era contemporâneo dos apóstolos. Enquanto os evangelhos e cartas não chegavam, todos tinham o Antigo Testamento como fonte de doutrina cristã. Sim, ele mesmo. Afinal a maior parte da doutrina de Cristo era repetir o que os profetas e salmistas escreveram. Muita gente fala que os dois maiores mandamentos eram novos, mas já estavam escritos em Levítico e Deuteronômio cerca de quinze séculos antes de Cristo.
A Bíblia ensina a Sola Scriptura, sim, desde o Antigo Testamento. Quando Salomão e João diz para não acrescentar ou tirar à palavra de Deus, eles querem dizer que a doutrina não precisa de conteúdo externo, mesmo aquele produzido pelas mentes piedosas. Eles podem ter conselhos bons, mas não são normativas universais.
Veja o que Jesus disse que veio cumprir a Escritura, não a tradição rabínica. Se você perceber, Ele frustrou praticamente tudo o que os rabinos ensinavam em suas tradições como o Messias seria. Mas você poderia argumentar que eles escreveram suas tradições sem a autorização e direção de Deus. E eu concordarei com você. Agora, como provar que o que aconteceu com os rabinos não está se repetindo agora com a Sé da igreja? Para mim, é a mesma coisa, só a história se repetindo, trocando só o nome da instituição e dos personagens, mas o mesmo propósito humano de colocar sua visão e achar que a Escritura é insuficiente. Era isso que pensavam os rabinos.
Não estou dizendo que os livros de mentes piedosas são ruins, pelo contrário, mas eles só nos servem enquanto tiverem fundamento bíblico. Se não for assim, pode ser apenas uma fábula para ensinar uma lição de moral, se for só isso, os escritores e roteiristas clássicos fazem até melhor.