MEDITAÇÕES PARA EXERCÍCIOS ESPIRITUAIS
- 5º DIA -
A utilidade dos votos
Fazei votos ao Senhor vosso Deus e cumpri-os (S) 75, 12).
Fazer uma mesma obra por voto é melhor e mais meritório que a fazer sem voto, por três razões:
Primeiro, porque o fazer voto equivale a um ato de veneração, que é a principal entre as virtudes morais; e a obra da virtude mais nobre é a melhor e mais meritória. Por conseguinte, o ato da virtude inferior é melhor e mais meritório porquanto está sob o império de uma virtude superior, cujo ato se realiza por mandato; como o ato da fé ou da esperança é melhor se está sob o império da caridade; e por isto os atos das outras virtudes morais (como o jejum, que é ato de abstinência, e a continência, que é ato de castidade) são melhores e mais meritórios, se se executam por voto, porque deste modo pertencem já ao culto divino, como certos sacrifícios.
Por isso diz Santo Agostinho ² que nem mesmo a virgindade se honra por ser virtude, senão por estar dedicada a Deus, que é a continência fomentada e conservada pela continência da piedade.
Segundo, aquele que faz voto e o cumpre, sujeita-se mais a Deus que o que somente o executa, pois se submete mais a Deus, não somente quanto ao ato, senão também quanto à potestade, já que daí em diante não pode fazer outra coisa; assim como daria mais a um homem o que o presenteasse com uma árvore carregada de frutos, que o que lhe desse somente o fruto.
Dai nasce que também se dê graças, não somente aos que dão, senão também aos que prometem.
Terceiro, porque pelo voto a vontade se fixa de um modo imóvel no bem, e o fazer algo por uma vontade confirmada no bem pertence à perfeição da virtude; como também o pecar com a vontade obstinada agrava o pecado; pecado que se comete contra o Espírito Santo.
-S. Th. IIª IIæ, q. 88, a. 6
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Rodapé
² De virginitate, c. 8.