Só quis apresentar outra perspectiva, considerando que muitas coisas do que expomos acaba não sendo entendidas pelos outros e nem sequer abstraídas, como venho percebendo recentemente comigo mesmo e ao observar outras pessoas, mesmo ao falar de temas que as envolveriam.
Porém, na minha perspectiva, eu sempre tendo a um meio termo entre essas posições particulares e uma visão mais ampla das coisas, pois nós temos experiências em escala subjetiva (individual), intersubjetiva (coletiva) e objetiva (concreta), embora a depender da nossa personalidade e momento de vida, a gente acabe aflorando mais umas do que outras e não perceba tão bem as demais.
Por exemplo, eu incluiria também uma escala mais onírica (subconsciente) da experiência, sendo bem mais interpretativa, artística, abstrata e profunda, onde os poetas e outros artistas costumam estar mais presentes, criando analogias e interconexões, geralmente mais emocionais, para encontrar e produzir mais significado, beleza e profundidade na vida. Mas é um tipo de experiência geralmente bem mais distante das nossas necessidades físicas mais diretas e mais incompreensível até para quem busca ou as sente mais diretamente, e ainda menos perceptível e tangível, pelos outros.
Fora que buscar algo a mais na esfera interior pode também ser um caminho de via dupla (como em qualquer esfera de experiência), pode amplificar positivamente as nossas experiências mais diretas e realizações em algo mais significativo, mas pode também nos distanciar do lado mais prático e definido na vida, se tornando algo perigoso, como em uma fuga, um alheamento mais profundo ou em um conflito mais direto com as coisas.
quando a gente se abre pra isso que acontece entre as relações, os entendimentos diferentes ampliam a nossa perspectiva. se não ampliarem a nossa percepção sobre o assunto em si, trazem pistas do nosso modo de nos relacionarmos com o assunto. será que estamos falando algo que realmente vivemos na prática? será que o outro aponta para as nossas próprias lacunas? e nada disso é doloroso se estamos nesse espaço aberto. é apenas movimento.
eu acho que falo de um jeito muito abstrato, mas em todas as nossas interações aqui eu senti uma ampliação e uma tentativa de me trazer mais pra concretude das coisas. e eu realmente tenho uma tendência a ficar mergulhada em mim, mas isso não é a experiência desse espaço entre as relações, mas uma tentativa de capturar a minha própria singularidade, de ter total domínio sobre quem eu sou.
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