Existe uma coisa que se chama qualia, que é a experiência subjetiva individual que temos sobre uma mesma coisa...

Até hoje não conseguimos fazer diferentes pessoas terem a mesma exata experiência subjetiva sobre a mesma coisa, pois nunca conseguimos comunicar exatamente o que sentimos, nunca conseguimos tranferir para o outro a totalidade das nossas sensações, percepções e memórias, pois o outro está sempre em outra perspectiva e vivência.

Mesmo que o outro entrasse na nossa mente para ter aquela experiência que sentimos, ainda assim manteria os seus próprios julgamentos e referenciais. E nunca perceberia da mesma forma.

Um caso curioso é que a língua e cultura em que se vive molda boa parte da nossa experiência de vida... Para nós, o semáforo verde tem a cor verde, mas para um japonês, eles reconhecem a mesma cor sob a palavra de 'azul' (aoi).

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Discussion

Legal, não sabia que tinha nome pra isso.

É um termo filosófico. E o Alexandre Porto, um dos principais youtubers libertários, falava sobre isso às vezes no youtube. Aprendi muitas coisas por conta dele.

Ele até já apareceu lá no início do Flow falando desse tema, mas não soube ser didático e ficou parecendo uma pessoa brizada, assim como em outros assuntos filosoficos mais densos kk

Mas hoje ele não parece mais tão libertário, já vi ele defendendo o corporativismo...

Espero que não tenha caído na onda da moeda Nano, indicada por ele, rs. Zoeira, rs.

Soube disso desde que era raiblocks, mas nunca entrei. Ninguém acerta em tudo.

Até o próprio Fraga que tanto defendeu o Bitcoin lá no início, tinha defendido fortemente o Bitcoin Cash e aparentemente trocou um pelo outro.

Sim, mas no caso do Fraga, eu entendo ele, pois fazia sentido. As taxas estavam altas, toda indústria estava se movendo para o Bitcoin Cash, a maior mineradora lá da China e as grandes empresas como a Bitpay, Blockchain.com e etc. O que me espanta na verdade, foi o Bitcoin Cash ter perdido essa batalha, tendo todo esse apoio.

Obs. nunca fui a favor de Bitcoin Cash.

Agora achar que raiblocks teria futuro é meio inocência.

O caminho que o Porto tava trilhando era mais filosófico que econômico, eu lembro como foi a coisa na época... Não era tão óbvio como é hoje.

Fora que a maioria dos maximalistas atuais precisaram passar por enganos até entenderem que era mais seguro e coerente permanecer no bitcoin.

Não acho adequado desqualificar uma pessoa como um todo por um erro, principalmente quando ela própria estava inserida e parou de propagar. Até porque assim se deixa de perceber e até de colher com o todo o resto do que ela fez de bom.

Sim, é preciso passar por enganos, eu já passei. Não desqualifico ninguém, pois é fácil olhar para o passado e julgar. Mas é aquela coisa, se uma pessoa está disposta a ser uma pessoa pública, ela poderá ter ganhos dessa exposição mas também tem que aceitar as críticas de decisões erradas que influenciaram pessoas. Não dá para simplesmente apagar a história e fingir que nada aconteceu.

A pessoa deveria pelo menos se redimir e explicar os motivos que o levou a se enganar.

Todos nós somos pessoas públicas em algum grau e nem sempre percebemos que erramos ou lembramos de nos redimir...

Sim, mas existem graus de influência, e com certeza não estamos no patamar de influência do Porto. Mas enfim, no caso dele, ele sabe que influenciou muita gente, e se ele mudou de ideia hoje, com os dados de hoje, ele poderia fazer um vídeo se redimindo. Mas talvez ele não o faça pois ele ainda acredita na tecnologia da Nano e não se importando com a questão de preço.

Enfim.

Se ele se arrependeu e se preocupa com a própria reputação e tem respeito pelos seguidores dele, acho que se redimir é o caminho. Mas talvez ele não tenha se arrependido.

a singularidade das experiências me encanta. e poderia ser algo muito solitário, e eu acho que a gente tem muito medo disso - e talvez por isso também não se abra pra expressar a singularidade mais profundamente, mas é o que também torna a complementariedade e a riqueza de experiências possível.

mas você falou disso pelo que eu trouxe sobre esse espaço entre as relações? parece que eu estou sugerindo o fim das singularidades? me fala mais?

Só quis apresentar outra perspectiva, considerando que muitas coisas do que expomos acaba não sendo entendidas pelos outros e nem sequer abstraídas, como venho percebendo recentemente comigo mesmo e ao observar outras pessoas, mesmo ao falar de temas que as envolveriam.

Porém, na minha perspectiva, eu sempre tendo a um meio termo entre essas posições particulares e uma visão mais ampla das coisas, pois nós temos experiências em escala subjetiva (individual), intersubjetiva (coletiva) e objetiva (concreta), embora a depender da nossa personalidade e momento de vida, a gente acabe aflorando mais umas do que outras e não perceba tão bem as demais.

Por exemplo, eu incluiria também uma escala mais onírica (subconsciente) da experiência, sendo bem mais interpretativa, artística, abstrata e profunda, onde os poetas e outros artistas costumam estar mais presentes, criando analogias e interconexões, geralmente mais emocionais, para encontrar e produzir mais significado, beleza e profundidade na vida. Mas é um tipo de experiência geralmente bem mais distante das nossas necessidades físicas mais diretas e mais incompreensível até para quem busca ou as sente mais diretamente, e ainda menos perceptível e tangível, pelos outros.

Fora que buscar algo a mais na esfera interior pode também ser um caminho de via dupla (como em qualquer esfera de experiência), pode amplificar positivamente as nossas experiências mais diretas e realizações em algo mais significativo, mas pode também nos distanciar do lado mais prático e definido na vida, se tornando algo perigoso, como em uma fuga, um alheamento mais profundo ou em um conflito mais direto com as coisas.

quando a gente se abre pra isso que acontece entre as relações, os entendimentos diferentes ampliam a nossa perspectiva. se não ampliarem a nossa percepção sobre o assunto em si, trazem pistas do nosso modo de nos relacionarmos com o assunto. será que estamos falando algo que realmente vivemos na prática? será que o outro aponta para as nossas próprias lacunas? e nada disso é doloroso se estamos nesse espaço aberto. é apenas movimento.

eu acho que falo de um jeito muito abstrato, mas em todas as nossas interações aqui eu senti uma ampliação e uma tentativa de me trazer mais pra concretude das coisas. e eu realmente tenho uma tendência a ficar mergulhada em mim, mas isso não é a experiência desse espaço entre as relações, mas uma tentativa de capturar a minha própria singularidade, de ter total domínio sobre quem eu sou.