talvez vocĂȘ estivesse esperando uma oportunidade pra escrever do jeito que te encantou, e aquela parecia uma boa oportunidade pra mostrar. nĂŁo? talvez nĂŁo tĂŁo conscientemente.
foi a primeira vez que vocĂȘ tentou escrever e compartilhar um poema?
talvez vocĂȘ estivesse esperando uma oportunidade pra escrever do jeito que te encantou, e aquela parecia uma boa oportunidade pra mostrar. nĂŁo? talvez nĂŁo tĂŁo conscientemente.
foi a primeira vez que vocĂȘ tentou escrever e compartilhar um poema?
Sim para as duas perguntas. VocĂȘ entende as crianças, nostr:nprofile1qqsyuzy0xzrldfl8p97wtlnlmzzwcpxac60ddnwn0327yq8hw3930yspzdmhxue69uhhwmm59e6hg7r09ehkuef0ezk39t đ
essa coisa de entender Ă© forte pra vocĂȘ, nĂ©? talvez seja tambĂ©m pra todo mundo. Ă© difĂcil mesmo sentir que a gente nĂŁo entende algo.
quando vocĂȘ falou isso eu observei meus pensamentos dizendo que era uma obrigação eu entender as crianças.
como é sua relação com "entender" as coisas?
Sempre me senti o burrinho entre os pares. Hoje lido melhor com isso. đ
Interessante. Por que obrigação? Por causa dos filhos? Parece que a maternidade foi algo muito significativo pra vocĂȘ, hum?
eu sentia como obrigação saber das coisas também, nunca perguntava nada na escola e precisava descobrir sozinha. também sentia como obrigação tirar as melhores notas da sala, mesmo sem me esforçar muito. tinha uma obrigação de fazer as coisas certas e tinha que saber sozinha, ou eu não seria boa de verdade. mas eu lembro de me sentir burra nas coisas da vida e anunciar isso na escola. acho também que a escola contribui muito pra nossa sensação de burrice.
mas quanto às crianças, eu as observo desde criança e sempre gostei de cuidar dos pequenos. sempre quis muito ter filhos e me interessava por educação, então acabei seguindo a vida com esse objetivo de olhar de perto pra educação e como eu poderia fazer pra que as crianças se sentissem confortåveis e potentes sendo elas mesmas. aà acho que a sensação de obrigação vem mais forte ainda.
eu me sinto zero intelectual, embora eu goste muito de pensar, eu praticamente não leio literatura. eu às vezes quero ler sobre algum tema e mergulho nele, como hå 2 anos eu li tudo o que encontrei sobre morte, luto e cuidados paliativos. eu acho que não ler tanto também tem alguma relação com a obrigação de saber antes.
eu sinto um espanto toda vez que vocĂȘ traz alguma referĂȘncia de algum autor. nesses momentos vocĂȘ se sente inteligente?
Eu me sinto inteligente sĂł quando entendo algo. đ Quando cito algum autor Ă© por duas razĂ”es: (a) pessoas mais inteligentes que eu jĂĄ refletiram sobre o assunto (b) tento ocupar meu interior com coisas bonitas, visto que sempre morei em lugares feios e acho vou morrer num lugar feio. Ă a Ășnica forma de contrapor a feiĂșra ao meu redor.
Legal isso de estudar por assunto. Eu acho que Ă© o jeito certo: estudar o que nos interessa, e nĂŁo por beletrismo e/ou intelectualismo vazio. đŻ
Legal a primeira e a segunda partes do seu relato. Obrigado por compartilhar. E muito obrigado pela prosa, nostr:nprofile1qqsyuzy0xzrldfl8p97wtlnlmzzwcpxac60ddnwn0327yq8hw3930yspzdmhxue69uhhwmm59e6hg7r09ehkuef0ezk39t âșïž
eu acho que vocĂȘ estava me dando tchau, mas vou perguntar mais uma coisa: feio como? nĂŁo tem uma ĂĄrvore, uma plantinha, nĂŁo passam passarinhos, nĂŁo dĂĄ pra ver o cĂ©u?
sabe que eu estava justamente conversando sobre isso com uma amiga? eu tive o privilĂ©gio de ter sempre belezas ao olhar pela janela. mas ver tanta beleza me doĂa um pouco porque eu queria que fosse compartilhada com todo mundo. uma fala da minha amiga, dizendo que o que eu vejo pela janela Ă© algo que todo mundo pode acessar - e Ă© verdade mesmo, eu sĂł nĂŁo tinha me dado conta, me ajudou a aceitar olhar pra beleza e receber essa dĂĄdiva. eu olhei pela janela e me deixei ser tocada pela vista. me arrepiei com a beleza, depois de 3 anos morando aqui.
Sim, Ă© uma dĂĄdiva ter beleza ao alcance dum relance de olhos. đ
Oh, nĂŁo quis ser rude nem nada. Fiquei constrangido por me ver falando de mim. NĂŁo sou assunto interessante. đ Prefiro ouvir ou ler sobre outras coisas/pessoas.
Por Ășltimo, moro num lugar tipo esse do vĂdeo:
https://blossom.primal.net/d0089345bb5dd269719de527d7d093e0ca255b16bb1d5e0509ebc530e426cdef.mp4
nĂŁo achei rude. e eu acho que ninguĂ©m Ă© rude sem que tenha sentido algum desconforto, entĂŁo Ă© sempre compreensĂvel tambĂ©m. obrigada por dizer do seu constrangimento. eu tambĂ©m fico incomodada de falar muito de mim e prefiro ouvir, normalmente. entĂŁo tambĂ©m entendo perfeitamente.
sĂł queria te sugerir uma coisa: vĂȘ se alguma beleza te espanta pelo caminho, pela janela, ao redor da sua casa e conta aqui? pode ser por foto, por texto... nĂŁo precisa aceitar a sugestĂŁo, tĂĄ? mas fiquei curiosa pra saber se dĂĄ pra ver algo alĂ©m. Ă s vezes o nosso olhar se acostuma tanto com algo, principalmente se a gente desde criança vĂȘ a mesma coisa e sente certo desconforto com o que vĂȘ. acho que a gente acaba nĂŁo querendo olhar demais, nĂ©? mas vĂȘ se te toca essa sugestĂŁo.
Ah, obrigado. JĂĄ aceitei sugestĂŁo antes mesmo de sugerida. đ Se me permite, alguns desses haicais (3, 4, 6, 10 e 12) foram inspirados em fugazes episĂłdios e cenĂĄrios de onde vivo:
https://batsiq.npub.pro/post/4tpkgi3adadakdm12sekv/
VocĂȘ estĂĄ corretĂssima: Ă© necessĂĄrio (sempre) renovar o olhar. đ