MEDITAÇÕES PARA O TEMPO COMUM DEPOIS DE PENTECOSTES

VIA PURGATIVA

22 DE JULHO

O pecado se agrava segundo a condição da pessoa contra quem se peca

Na Sagrada Escritura se vitupera especialmente o pecado que se comete contra os servos de Deus; também o pecado cometido contra os parentes; e por último o pecado que se comete contra as pessoas constituídas em dignidade.

A pessoa contra a qual se peca é, em certo modo, objeto do pecado. A primeira gravidade do pecado se considera por parte do objeto; e em atenção a este se computa tanto maior a gravidade no pecado, quanto mais principal seja o fim de seu objeto. Mas os fins principais dos atos humanos são Deus, o próprio homem, e o próximo; já que tudo o que fazemos o referimos a algum destes três, mesmo que também cada um destes três esteja subordinado ao outro. Pode, pois, considerar-se maior ou menor a gravidade no pecado, segundo a condição da pessoa contra quem se peca.

Primeiro, por parte de Deus, a quem tanto mais se une o homem quanto mais virtuoso seja e mais consagrado a Deus esteja; e, portanto, a injúria inferida a tal pessoa redunda mais contrária a Deus, segundo aquilo: aquele que tocar em vós, toca na menina dos seus olhos (Zc 2, 8). Por conseguinte, o pecado se faz mais grave quando se peca contra uma pessoa mais unida a Deus por sua virtude ou por razão de seu oficio.

Segundo, da parte de si mesmo é manifesto que se peca tanto mais gravemente quanto mais pecar contra pessoa a ele unida, ou por razão de parentesco natural, ou por benefícios ou por qualquer outra união, porque parece que peca mais contra si mesmo, e portanto peca mais gravemente, segundo consta no Eclesiástico: Para quem será bom aquele que é mau para si? (Eclo 14, 5).

Terceiro, por parte do próximo, peca-se tanto mais gravemente quanto maior for o número dos que afete o pecado, e portanto o pecado que se comete contra pessoa pública, por exemplo, contra o rei ou o príncipe, que representam em sua pessoa a toda a multidão, é mais grave que o pecado que se comete contra uma só pessoa privada. Pelo que se diz especialmente: Não amaldiçoarás o príncipe do teu povo (Ex 22, 28). E do mesmo modo a injúria que se faz a alguma pessoa insigne, parece ser mais grave porque redunda em escândalo e perturbação de muitos.

-S. Th. Iª IIæ, q. 73, a.9

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