O SEMI-AGNOSTICISMO DOS “CARDEAIS” SARAH E MULLER.

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

Escutemos o Papa Pio XII, em passagens da sua Radiomensagem “Con Sempre Nuova Freschezza” de 24 de Dezembro de 1942:

«Amados filhos! Queira Deus que enquanto a nossa voz chega aos vossos ouvidos, o vosso coração se sinta profundamente impressionado e comovido pela infrangível seriedade, a ardente solicitude e o pedido insistente com que vos inculcamos estas ideias, que querem ser um chamamento à consciência universal e um grito que convoque a todos quantos estão dispostos a ponderar e medir a grandeza da sua missão e responsabilidade com a amplitude da calamidade universal.

Grande parte da humanidade, e não recusamos dizê-lo, também não poucos dos que se dizem cristãos, entram, de algum modo, na responsabilidade colectiva do desenvolvimento erróneo, dos danos e da falta de elevação moral da sociedade de hoje em dia. Esta guerra mundial, e tudo quanto se relaciona com ela, sejam os precedentes remotos ou próximos, os seus procedimentos e efeitos materiais, jurídicos e morais, que outra coisa representa senão o esfacelo, inesperado talvez para os incautos, mas previsto e deplorado pelos que penetravam com o seu olhar até ao fundo de uma ordem social que debaixo do enganoso rosto ou máscara de fórmulas convencionais, escondia a sua fatal debilidade e o seu desenfreado instinto de lucro e poderio?

O que em tempos de paz jazia comprimido – explodiu! Ao romper da guerra, numa série de actos em oposição com o espírito humano e cristão. Os acordos internacionais para fazer menos desumana a guerra, limitando-a aos combatentes, e para regular as normas de ocupação e de cativeiro dos vencidos, ficaram letra morta em várias partes; e quem é capaz de ver o fim deste progressivo agravamento?

Querem talvez os povos assistir inertes a tão desastroso progresso? Não devem, ao contrário, reunir-se os corações de todos os magnânimos e honestos sobre as ruínas de uma ordem social que tão trágica prova deu DA SUA INAPTIDÃO PARA O BEM DO POVO, com o voto de não descansar até que em todos os povos e nações sejam legião os grupos dos que, DECIDIDOS A LEVAR DE NOVO A SOCIEDADE AO INDEFECTÍVEL CENTRO DE GRAVIDADE DA LEI DIVINA, ANELEM PELO SERVIÇO DAS PESSOAS E DA SUA COMUNIDADE ENOBRECIDA POR DEUS?

Este voto deve-o a humanidade aos inumeráveis mortos que jazem no campo de batalha: O sacrifício da sua vida no cumprimento do seu dever, E O HOLOCAUSTO A FAVOR DE UMA NOVA E MELHOR ORDEM SOCIAL. Lutai em nome de uma humanidade gravemente enferma e que é preciso curar em nome da consciência levantada pelo cristianismo.(…)

A nossa benção e o nosso paterno augúrio e encorajamento acompanhe a vossa generosa iniciativa e permaneça com todos os que não fogem dos sacrifícios duros, ARMAS MAIS POTENTES QUE O FERRO PARA COMBATER O MAL DE QUE SOFRE A SOCIEDADE. Sobre a vossa cruzada em prol de um ideal social humano e cristão, resplandeça consoladora e incitadora a estrela que brilha sobre a gruta de Belém, astro augural e perene da era cristã. Da sua visão, aufere, e auferirá forças todo o coração fiel: “Ainda que acampem exércitos contra mim, NÃO PERDEREI A ESPERANÇA!”(Sl 26,3). ONDE ESTA ESTRELA FULGURA ESTÁ CRISTO! “SENDO ELE NOSSO GUIA, NÃO NOS DESVIAREMOS, VAMOS POR ELE A ELE, PARA GOZAR POR TODA A ETERNIDADE COM O MENINO QUE HOJE NASCEU (Santo Agostinho).»

O “cardeal” Sarah, sendo considerado o dignitário mais conservador da seita conciliar, talvez pensássemos que nele encontrariamos fundamentos perenes para edificar algo de bom. Mas não.

Ao afirmar que “o melhor da Liturgia antiga, pré-conciliar, se deveria combinar com o melhor da liturgia conciliar”, esse senhor demonstra possuir e desenvolver um pensamento puramente humano e terreno, sem qualquer unção de Fé católica. Efectivamente, nas coisas deste mundo, pensadas com o espírito deste mundo, sem qualquer finalidade que, de algum modo, o transcenda, É QUE SE PROCEDE A COMBINAÇÕES, A AJUSTES TOSCOS, E A APARÊNCIAS MAIS OU MENOS FRAUDULENTAS, QUE PERMITAM IR LEVANDO A “VIDINHA”. Pois que denominada liturgia conciliar, foi gizada por maçons e protestantes, com o objectivo formal de destruir a Fé Católica.

Esquece o “Cardeal” Sarah, que a Liturgia, toda a Liturgia, exprime, e tem de exprimir, necessàriamente, A ADORAÇÃO AO VERDADEIRO E ÚNICO DEUS UNO E TRINO, ADORAÇÃO QUE ALCANÇA O SEU ZÉNITE NA RENOVAÇÃO INCRUENTA DO SACRIFÍCIO DA CRUZ, NA QUAL SE APLICAM OS FRUTOS DA REDENÇÃO. Pois que a própria adoração de Nosso Senhor Jesus Cristo (enquanto Homem) para com toda a Trindade, alcançou na Cruz a sua mais sublime e inefável expressão. Se a Sagrada Liturgia não se consubstanciar nesta Adoração Essencial, isto é, SE ESTIVER PRIVADA DO DOGMA – ENTÃO NÃO É NADA, AINDA QUE SIMULE E MACAQUEIE AS FORMAS TRADICIONAIS. Nunca olvidemos este ponto essencial: LITURGIA SEM DOGMA – NÃO É NADA!

Ora o “Cardeal” Sarah, tal como Muller, possui um discurso de referência positiva e permanente ao amaldiçoado Vaticano 2 e seus “papas”, assegurando-se singularmente alarmado por vivermos numa idade sem Deus. Mas se cogitasse um pouco e estivesse, caracterizadamente, de boa fé, verificaria como o Vaticano 2, não só não opôs nenhuma barreira firme a essa idade sem Deus, MAS PELO CONTRÁRIO A APOIOU, ESTIMULOU, E ATÉ CONSOLIDOU. Só não vê quem não quer, e o pior cego É O QUE NÃO QUER VER.

Sarah manifesta o seu júbilo pelo décimo aniversário da “Summorum Pontificum”, quando este documento de Ratzinger constitui a expressão mais completa da “Liturgia sem Dogma” que atrás referimos.

Insiste-se: O Dogma, a Moral e a sã Filosofia foram plenamente dissolvidos pela proclamação do princípio da liberdade religiosa; essa proclamação não foi efectuada pela Santa Madre Igreja, mas pela maçonaria internacional.

Sarah e Muller encontram-se perfeitamente integrados no liberalismo do Vaticano 2. Gostariam, sem dúvida, de um meio termo; detestam os extremos de niilismo, de anarquismo, de toxicodependência, de revolta; todavia, se invocassem formalmente a verdadeira Teologia Católica, imediatamente concluiríam QUE TAL MEIO TERMO É IMPOSSÍVEL, na exacta medida de que em consequência da ferida na natureza oriunda do pecado original, a esmagadora maioria dos homens TENDEM PARA O NADA AO SER-LHES SONEGADO O FUNDAMENTO DE SER. Ora, o processo Histórico apóstata vem acelerando desde o século XIV, já nos séculos XVIII e XIX eram raríssimos os verdadeiros católicos. O que é que se poderia esperar da usurpação da Santa Madre Igreja pela mesma maçonaria internacional?

Sarah julga resolver o problema pela via Litúrgica, pela própria sacralidade das cerimónias? Mas a Santa Madre Igreja sempre condenou as teses que faziam da Liturgia um meio de nutrir, imanente, arbitrária e directamente uma “fé” cega e estéril. A SAGRADA LITURGIA SÓ NOS PODE ELEVAR DAS COISAS VISÍVEIS ÀS REALIDADES INVISÍVEIS, PELA MEDIAÇÃO COGNITIVA DA FÉ. NÃO SE EXCLUI, BEM PELO CONTRÁRIO, QUE A ASSISTÊNCIA ÀS CERIMÓNIAS SAGRADAS CONSTITUA UMA CONDIÇÃO EXTRÍNSECA PROVIDENCIAL DA GRAÇA DIVINA, MAS TAL PROCESSA-SE NA FÉ CATÓLICA, PELA FÉ CATÓLICA, E SÓ NA FÉ CATÓLICA.

Já há dez anos, perante o entusiasmo dos sacerdotes da Fraternidade São Pio X, com o “Summorum Pontificum”, e a urgência com que procuravam ensinar os padres da seita conciliar a celebrar a Missa de São Pio V, eu me insurgi: Então, e o enquadramento da Fé?

Há contudo uma afirmação do “Cardeal” Sarah que me tocou positivamente: A de que é dessacralizante recitar o Breviário no smartphone ou no tablet. Sem dúvida que o é, porque esses aparelhos possuem outros fins, que embora legítimos, são profanos. Nada tenho contudo a objectar que assim se proceda, em casos necessários. Sempre tenho declarado que as novas tecnologias constituem uma benção para os defensores da verdadeira Fé Católica, pois sòmente através delas conseguem comunicar. Mas devemos reconhecer que a forma digital elimina o corpo do livro, ficando apenas a alma. E o corpo do livro, da Sagrada Escritura, por exemplo, constitui um valor, uma entidade Litúrgica. Com esta afirmação, mais importante do que parece, o Cardeal Sarah demonstra que talvez seja recuperável para a verdadeira Fé. Rezemos por ele.

O “Cardeal” Muller, demitido há pouco da Congregação da Doutrina da Fé, declarou, recentemente, que Bergoglio não se fundamenta numa Teologia sólida. Deveria antes dizer que Bergoglio tudo alicerça num franco ateísmo, ou melhor num antropoteísmo. Tudo nele dimana do ateísmo e conduz ao ateísmo. Considera Muller que Bergoglio permitiu que a magnitude da Doutrina da Fé quase fosse aniquilada; e mostra-se desolado com isso.

Engana-se, porém; não foi Bergoglio que eclipsou a Doutrina da Fé, FOI O VATICANO 2, COM O SEU LIBERALISMO; Bergoglio sòmente explicita a ideologia do Vaticano 2.

Muller também está profundamente chocado com o facto de Bergoglio haver declarado que religião e política são a mesma coisa. Não surpreende tal afirmação, porque para Bergoglio a grande missão da organização diabólica que chefia é implementar institucionalmente o panteão das religiões, o que só se pode lograr com programas e métodos políticos. E a organização supra-nacional que deverá nascer, para Bergoglio, terá de possuir uma soberania moral internacional, pois que deverá constituir o embrião do governo mundial concomitante da plena “divinização” do Género Humano. Tal como predizia Monsenhor Delassus, a face humana do Corpo Místico, uma vez usurpada pela maçonaria internacional, servirá à construção do Panteão das religiões.

A diferença entre estes contestadores de Bergoglio, mas ainda vinculados ao Vaticano 2, e os heresiarcas apóstatas da neo-Fraternidade, é que os primeiros talvez ainda possuam potencialidades para, com a Graça de Deus, alcançarem a verdadeira e íntegra Fé Católica; ao passo que os segundos já exauriram todas essas potencialidades, porque duplamente réus de alta traição.

Apesar de tudo, Sarah, Muller, e outros, por enquanto completamente cegos e estèrilmente balbuciantes, talvez possam, com a Graça de Deus Nosso Senhor, com a Mediação de Maria Corredentora, desenvolver futuramente o embrião do tal movimento eclesial que derrubará o Vaticano 2 como concílio do diabo, amaldiçoando e declarando a invalidade dos seus papas, para restaurar, sobretudo qualitativamente, a pujança da face humana do Corpo Místico, sob a autoridade de verdadeiros Vigários de Cristo.

LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Lisboa, 20 de Setembro de 2017

Alberto Carlos Rosa Ferreira das Neves Cabral

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