MEDITAÇÕES PARA O TEMPO COMUM DEPOIS DE PENTECOSTES
VIA ILUMINATIVA
26 DE AGOSTO
As virtudes cardeais
I. São quatro: prudência, justiça, fortaleza e temperança. Alguns consideram que as quatro mencionadas virtudes significam certas condições gerais da alma humana, as quais se encontram em todas as virtudes, e segundo isto a prudência não é outra coisa que certa retidão de discrição em quaisquer atos materiais; a justiça, certa retidão da alma, pela qual o homem faz o que deve em qualquer matéria; a temperança, "certa disposição da alma que impõe moderação a quaisquer paixões ou ocasiões, a fim de que não ultrapassem para além do devido; e a fortaleza, certa disposição da alma por meio da qual se afirma no que está conforme com a razão e contra quaisquer ímpetos das paixões ou trabalhos das ações.
Porém outros consideram com mais acerto estas quatro virtudes na medida em que se determinam a matérias especiais, referida cada uma delas, certamente, a uma só matéria, na qual se encontra principalmente aquela condição geral que dá seu nome à virtude; e, segundo isto, as virtudes mencionadas são hábitos diversos, segundo a diversidade dos distintos objetos.
II. Dois graus se distinguem nestas virtudes segundo a diversidade do movimento e do termo, de modo que umas são virtudes de coisas transcendentes e que tendem à semelhança divina; estas virtudes se chamam purgativas porquanto o homem submergido nas coisas mundanas aspira ao descanso da contemplação. Assim, a prudência despreza todas as coisas mundanas pela contemplação das divinas, e dirige todo pensamento da alma somente às divinas, a temperança abandona, quanto a natureza o permite, as coisas que requer o uso do corpo; a fortaleza faz que a alma não se aterre por seu apartamento do corpo e aproximação às coisas do alto; e a justiça, no fim, que toda a alma consinta no caminho de tal propósito.
Porém há outras virtudes próprias dos que conseguem já a semelhança divina, e se chamam virtudes da alma purificada, quer dizer: prudência que unicamente contemple as coisas divinas, temperança que não somente refreie os desejos terrenos, senão que os desconheça, fortaleza que não somente vença as paixões, senão que as ignore, justiça que se associe em perpetua aliança com a mente divina e a imite, virtudes que, certamente, dizemos são próprias dos bem-aventurados ou de alguns muito perfeitos nesta vida.
S. Th. Iª IIæ, q. 61, a. 4 e 5