Ceratocone: conheça causas, sintomas e tratamentos da doença na córnea que pode afetar adolescentes e ser motivo de transplante

Córnea que se projeta para fora é um sinal do ceratocone.

TV Globo/Reprodução

Visão embaçada ou distorcida, coceira forte nos olhos, dor de cabeça e, às vezes, aumento no astigmatismo. Os sintomas, quando separados, são geralmente considerados comuns à população, mas, quando combinados, existe a chance de ser um diagnóstico positivo para o ceratocone.

A doença, que atinge uma pequena parcela da população - cerca de 54 a cada 100 mil pessoas - afeta a córnea, conhecida como a estrutura transparente do olho, de forma direta. Com o passar do tempo, o órgão vai ficando cada vez mais fino e, consequentemente, adquirindo um formato de cone.

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O oftalmologista Diógenes Caldeira, de Sorocaba (SP), explica que, na maioria das vezes, os primeiros sintomas da doença surgem ainda na adolescência, sendo também comum o diagnóstico no início da vida adulta.

"A doença é relacionada à córnea, que recobre a parte da frente dos olhos. Ela não é contagiosa, e sim genética com predisposições causadas por fatores externos e ambientais, como o hábito frequente de coçar os olhos, geralmente associado a alergias oculares", diz.

Ao g1, o profissional, que é especialista em cirurgia plástica ocular, afirma que, dependendo do caso, a intensidade do ceratocone pode variar e, consequentemente, o seu tratamento também.

"A gravidade do ceratocone depende do grau de afinamento e deformação da córnea. Nos casos leves, muitas vezes é possível corrigir a visão apenas com óculos ou lentes de contato especiais. Nos casos moderados a graves, a distorção é maior e pode ser necessária intervenção cirúrgica ou até mesmo um transplante", conta.

Diógenes é coordenador do pronto-socorro oftalmológico do BOS

Banco de Olhos de Sorocaba/Divulgação

"Me lembro de um adolescente que chegou com ceratocone avançado nos dois olhos, com muita dificuldade de enxergar e com a rotina escolar comprometida. Conseguimos estabilizar a doença com crosslinking - procedimento que fortalece as fibras de colágeno da córnea - e um transplante de espessura parcial, que permite menores taxas de rejeição. Foi um sucesso, a diferença no dia a dia é nítida", complementa.

Além da especialidade, Diógenes é coordenador do pronto-socorro oftalmológico do Banco de Olhos de Sorocaba (BOS). O local é considerado referência nacional para tratamentos de problemas envolvendo a visão e, de acordo com ele, isso se deve ao êxito na captação de córneas.

"O banco fez com que a distribuição desse tecido para todo o interior do estado fosse maior. Isso ajudou na rapidez dos transplantes e, com essa evolução, conseguimos desenvolver tecnologias que ajudassem no tratamento de doenças diversas envolvendo a córnea, como o crosslinking e o transplante com a técnica mais atual possível", comenta.

O médico ainda pontua que, mesmo com a predisposição genética, há métodos de prevenção. Entre elas, está o diagnóstico precoce e a realização de exames oculares com uma certa frequência, impedindo que o ceratocone atinja estágios mais avançados.

"A principal forma de prevenção é controlar alergias, evitar coçar os olhos e realizar consultas oftalmológicas periódicas, especialmente se houver histórico familiar da doença. O diagnóstico precoce é fundamental para iniciar o tratamento adequado e impedir a progressão do ceratocone", destaca.

"O ceratocone é uma doença que pode ser controlada se diagnosticada a tempo. A conscientização sobre a doença é essencial para garantir um futuro visual saudável para muitas pessoas. No BOS, discutiremos em breve as novidades no tratamento das doenças da córnea em um simpósio", completa.

Dependendo do caso, ceratocone pode ser motivo de transplante

Divulgação

Tratamento desde 2010

Rosana Rozendo é de Salto (SP) e, desde 2010, leva o filho para tratar o ceratocone no BOS. Ela conta que, antes do diagnóstico, o então adolescente sentiu uma forte coceira nos olhos por meses.

"Na época, ele sentia muita coceira no olho. Ele praticava natação e, por conta disso, nós achávamos que o sintoma era causado pelo ozônio que usavam para tratar a piscina. O olho ficava extremamente vermelho e o Guilherme coçava os olhos até quando dormia", lembra.

Ao levar o filho no hospital, Rosana revela que passou por três unidades diferentes. Em uma das consultas, o médico disse apenas que "o menino sentia vontade de usar óculos".

"Diziam que era manha e que ele só queria usar óculos. Só depois de um tempo veio o diagnóstico do ceratocone e disseram que ele precisava de uma lente de contato rígida, mas não conseguia usar de jeito nenhum porque machucava. Em um período de seis meses, encaminharam ele ao BOS", relata.

Guilherme foi diagnosticado com ceratocone em 2010

Arquivo pessoal

"Era muito difícil conseguir tratamento pelo Sistema Único de Saúde (SUS) na época. Era um tratamento caro e meu marido dizia que teríamos que vender até a casa para conseguirmos algo para o Guilherme. Os médicos também não conseguiam entender muito bem, já que uma hora o exame dele tinha resultados ruins, outra hora eram bons", complementa.

A mãe diz que, apesar da doença já estar relativamente avançada, Guilherme enxergava bem em comparação aos demais. Como continuidade do tratamento, os médicos decidiram pelo crosslinking em ambos os olhos - e o resultado foi positivo.

"O ceratocone dele era tão avançado que não dava nem para saber o motivo dele conseguir enxergar. O procedimento fez com que melhorasse ainda mais e a necessidade de transplante foi descartada e ele se trata até hoje no mesmo local. Nós devemos muito a eles", celebra.

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*Colaborou sob supervisão de Gabriela Almeida

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