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Petra Veritatis
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Segunda-Feira - - Da verdadeira

sabedoria.

Et dedit illi scientiam sanctorum – “E deu-lhe a ciência dos santos” (Sb 10,

10)

Sumário.

Oh, que bela ciência, a de saber amar a Deus e salvar a alma. É

esta a ciência mais necessária de todas, porquanto, se soubéssemos tudo

e não nos soubéssemos salvar, nada nos aproveitaria e seríamos

eternamente infelizes; ao passo que seremos eternamente bem-

aventurados se soubermos amar a Deus, ainda que no mais fôssemos

completamente ignorantes. Quantos sábios estão no inferno! Quantos,

que aqui foram ignorantes, gozam no paraíso! Que aproveitou àqueles a

sua sabedoria?… Que prejuízo causou a estes a sua ignorância?

I. Compreendamos bem que os verdadeiros sábios são aqueles que sabem

adquirir a graça de Deus e o paraíso. Que bela ciência a de amar a Deus e

salvar a alma! O livro onde se ensina a salvar a alma é de todos o mais

necessário. Se soubéssemos tudo e não nos soubéssemos salvar, nada nos

aproveitaria e seríamos para sempre desgraçados. Ao contrário, seremos

eternamente felizes se soubermos amar a Deus, ainda que no mais

fôssemos completamente ignorantes. Beatus qui te novit, etsi alia nescit — “Bem-aventurado o que Vos conhece, ó Deus, embora ignore todas as

outras coisas!” exclamava Santo Agostinho.

Certo dia Frei Gil disse a São Boaventura:

– Feliz de ti, padre Boaventura, que sabes tantas coisas, e eu pobre

ignorante nada sei; tu podes ser muito mais santo do que eu.

– Escuta — respondeu-lhe o Santo, — se uma velhinha ignorante souber

amar a Deus mais do que eu, ela será mais santa do que eu.

Surgunt indocti, et rapiunt coelum — “Os ignorantes levantam-se e

conquistam o céu”, disse Santo Agostinho. Quantos rústicos que não

sabem ler, mas sabem amar a Deus, se salvam, e quantos sábios segundo

o mundo se condenam! Aqueles, e não estes, são os verdadeiros sábios.

Que grandes sábios foram um São Pascal, um São Feliz, capuchinho, um

São João de Deus, apesar de ignorarem as ciências humanas! Que grandes

sábios tantos mártires, tantas virgens, que renunciaram a ilustres alianças,

indo morrer por amor de Jesus Cristo! — Numa palavra, os que renunciam

aos bens terrestres para se consagrarem a Deus, são chamados homens

desenganados. Portanto, os que abandonam a Deus pelos bens do mundo,

devem ser chamados homens enganados.

Irmão meu, em qual das duas falanges te queres achar? Para que faças

boa escolha, aconselha-te São João Crisóstomo que visites os cemitérios,

que são as mais excelentes escolas para aprender a vaidade dos bens

terrestres e a ciência dos santos. Proficiscamur ad sepulchra — “Vamos

aos túmulos”. Dizei-me: sabes ali distinguir quem foi rei, nobre ou

literato?

Eu por mim — acrescenta o santo — não vejo senão um montão de ossos,

de vermes e de podridão.

II. Irmão meu, se queres ser sábio, não basta conheceres a importância de

teu fim: é preciso também empregares os meios para o alcançares. Todos

se quereriam salvar e ser santos; mas como não procuram os meios, não

se santificam e perdem-se. É preciso evitar as ocasiões, frequentar os

sacramentos, fazer oração, e mais do que tudo, gravar no coração as

máximas do Evangelho, como sejam: Quid prodest homini, si universum mundum lucretur? (1) “Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro?

É preciso perder tudo, até a vida, para salvar a alma” (2). Para seguir Jesus

Cristo, deve-se recusar ao amor próprio a satisfação que deseja (3). A

nossa salvação consiste em fazer a vontade de Deus (4). São estas as

máximas e outras semelhantes, que devem frequentes vezes ser objeto da

nossa meditação, se nós também quisermos ser verdadeiros sábios e

salvar-nos.

Ó Pai de misericórdia, lançai um olhar sobre a minha miséria e tende

piedade de mim. Iluminai-me e fazei-me conhecer o meu desvairamento

passado, para o deplorar, e a vossa infinita bondade, para a amar. Ó meu

Jesus: Ne tradas bestiis animas confitentes tibi (5) — “Não entregueis às

feras as almas que Vos louvam”. Derramastes o vosso sangue para me

salvar; não permitais que me torne ainda escravo do demônio, como já o

fui no passado. Arrependo-me de Vos ter deixado, o supremo Bem.

Amaldiçôo todos os instantes em que, por minha própria vontade,

consenti no pecado, e uno-me estreitamente à vossa santa vontade, que

só deseja a minha felicidade.

Ó Pai Eterno, pelos merecimentos de Jesus Cristo, dai-me a força para

executar tudo o que é do vosso agrado. Deixai-me antes morrer do que

opor-me à vossa santa vontade. Ajudai-me com a vossa graça a depositar

unicamente em Vós todo o meu amor, e a desligar-me de todos os afetos

que não se referem a Vós. Amo-Vos, ó Deus de minha alma, amo-Vos

sobre todas as coisas e de Vós espero todos os bens, o perdão, a

perseverança em vosso amor e o paraíso para Vos amar eternamente.

— Ó Maria, pedi estas graças para mim. Vosso Filho não vos recusa nada.

Esperança minha, em vós confio.

3º Domingo da Quaresma -- O

demônio mudo e as confissões sacrílegas.

Erat (Iesus) eiciens daemonium, et illud erat mutum – “Estava (Jesus)

expelindo um demônio, e ele era mudo” (Lc 11, 14)

Sumário.

O demônio mudo de que fala o Evangelho, significa o falso pejo

com que o espírito infernal, depois de seduzir o cristão a ofender seu

Deus, procura fazê-lo ocultar o pecado na confissão. Ah, quantas almas

caem todos os dias no inferno por este ardil diabólico! Meu irmão, se

jamais o demônio te vier tentar assim, pensa que, se é vergonhoso

ofender a Deus tão bom, não o é o confessar o pecado cometido e o livrar-

se dele. Quantos santos são venerados sobre os altares, que até fizeram

uma confissão pública!

I. O demônio mudo de que fala o Evangelho é o falso pejo com que o

espírito infernal procura fazer-nos calar na confissão os pecados

cometidos, depois de primeiro nos ter cegado para não vermos o mal que

cometemos e a ruína que nos preparamos ofendendo a Deus. — Com

efeito, exclama São João Crisóstomo, o demônio faz em todas as coisas o

contrário do que Deus faz. O Senhor pôs vergonha no pecado, para que

não o cometamos; mas depois de o havermos cometido, anima-nos a

confessá-lo, prometendo o perdão a quem se acusa. O demônio, ao

contrário, inspira confiança ao pecador com a esperança do perdão; mas

cometido o pecado, cobre-o de vergonha, para que se não confesse.

Por este ardil diabólico, ó, quantas alma já foram precipitadas e ainda se

precipitam cada dia no inferno! Sim, porque os miseráveis convertem em

veneno o remédio que Jesus Cristo nos preparou com seu preciosíssimo

sangue, e ficam presas com uma dupla cadeia, cometendo depois do

primeiro pecado outro mais grave: o sacrilégio.

Irmão meu, se por desgraça a tua alma está manchada pelo pecado,

escuta o que te diz o Espírito Santo: Pro anima tua ne confundaris dicere

verum (1). Sabe, diz ele, que há duas qualidades de vergonha; deves fugir

daquele que te faz inimigo de Deus, conduzindo-te ao pecado; mas não da

que se sente ao confessá-lo e te faz receber a graça de Deus nesta vida e a

glória do paraíso na outra.

Se, pois, te queres salvar, não te envergonhes de fazer uma boa confissão;

aliás a tua alma se perderá. As feridas gangrenosas levam à morte, e tais

são os pecados calados na confissão; são chagas da alma que se

gangrenaram.

II. Meu filho, vergonhoso é o entrar nesta casa, mas não o sair dela. Assim

falou Sócrates a um seu discípulo que não quis ser visto ao sair de uma

casa suspeita. É o que digo também àqueles que, depois de cometerem

um pecado grave, tem pejo de o confessar. Meu irmão, coisa vergonhosa

é ofender a um Deus tão grande e tão bom; mas não o é confessarmos o

pecado cometido e livrar-nos dele. Foi porventura coisa vergonhosa para

Santa Maria Madalena o confessar em público aos pés de Jesus Cristo, que

era uma mulher pecadora? Foi motivo de pejo confessar-se uma Santa Maria Egipcíaca, uma Santa Margarida de Cortona, um Santo Agostinho, e tantos outros penitentes, que algum tempo tinham sido grandes

pecadores? Por meio de sua confissão fizeram-se santos.

Ânimo, pois, meu irmão, ânimo! (Falo a quem cometeu a falta de ocultar

por vergonha um pecado.) Tem ânimo e dize tudo a um confessor. Dá

glória a Deus e confunde o demônio que, como diz o Evangelho, quando

saiu do homem, anda por lugares secos, buscando repouso, e não o acha.

— Porém, depois de teres confessado bem, prepara-te para novos e mais

violentos assaltos da parte do inimigo infernal. Ai de quem o deixa entrar

novamente, depois de o haver expulso! Et fiunt novíssima hominis illius

peiora prioribus — “O último estado do homem virá a ser pior do que o

primeiro”.

Ó meu amabilíssimo Jesus! Iluminai o meu espírito, a fim de que nunca

mais me deixe obcecar pelo espírito maligno a cometer de novo o pecado.

Pesa-me de Vos haver ofendido, e proponho com a vossa graça antes

morrer que tornar a ofender-Vos. Mas, se por desgraça recair, dai-me

força para sempre vencer o demônio mudo e confessar-me sinceramente

ao vosso ministro. “Peço-Vos, Deus Todo-Poderoso, que atendais propício

às minhas humildes súplicas, e que em minha defesa estendais o braço de

vossa majestade”. (2)

† Doce Coração de Maria, sede minha salvação.

Sábado - - Maria Santíssima, modelo de amor para com Deus.

Ego Mater pulchrae dilectionis – “Eu sou a Mãe do belo amor” (Eclo 24,

24)

Sumário.

O fogo de amor em que ardia o Coração da Santíssima Virgem foi

tão veemente, que ela não repetia os atos de amor, como fazem os outros

santos, mas por um privilégio singular amou a Deus sempre atualmente

com um contínuo ato de amor. Mas se Maria amou e ama tanto a seu

Deus, certamente ela não exige outra coisa de seus devotos, senão que O

amem também. Como é que tu O amas? Se por ventura te sentes frio,

chega-te com confiança a tua amada Mãe e roga-lhe que te faça seu

semelhante.

I. Deus, que é amor, veio ao mundo para acender em todos a chama do

seu divino amor; mas nenhum coração ficou tão abrasado como o Coração

de sua Mãe, o qual, sendo todo puro dos afetos terrenos, estava todo

disposto para arder neste santo fogo. Por isso o Coração de Maria se

tornou todo fogo e chamas, como se lê nos Cânticos sagrados: Lampades

eius, lampades ignis atque flammarum (1)? “As suas lâmpadas são umas

lâmpadas de fogo e de chamas”. Fogo, ardendo interiormente, como

explica Santo Anselmo, e chamas resplandecendo para fora com o

exercício das virtudes.

Revelou a própria Maria a Santa Brígida, que neste mundo ela não teve

outro pensamento, outro desejo, nem outro gosto senão Deus. Eis porque

a sua alma bendita absorta sempre nesta terra na contemplação de Deus,

fazia inúmeros atos de amor. Ou, para melhor dizer, como escreve

Bernardino de Bustis, Maria não multiplicava os atos de amor, como

fazem os outros santos; mas, por um privilégio singular, ela amou a Deus

atualmente com um contínuo ato de amor. Qual águia real sempre tinha

os olhos fixos no divino Sol, de maneira (diz São Pedro Damião) que nem

as ações da vida lhe impediam o amor, nem o amor lhe impedia a ação.

Acrescentam Santo Ambrósio, São Bernardino e outros, que nem mesmo

o sono interrompia o ato de amor da Santíssima Virgem; de modo que

podia verdadeiramente dizer com a sagrada Esposa: Ego dormio, et cor

meum vigilat (2)? “Eu durmo e o meu coração vela”. Foi figura de Maria o

altar propiciatório, no qual nunca se extinguia o fogo, nem de dia, nem de

noite. Numa palavra, afirma o Bem-aventurado Alberto Magno que Maria

foi cheia de tão grande amor, que quase não podia caber mais amor numa

pura criatura terrestre. Os próprios serafins podiam descer do céu, para

aprenderem no Coração de Maria como se deve amar a Deus. No reino

celeste ela só, entre todos os santos, pode dizer a Deus: Senhor, se não

Vos amei quanto mereceis, ao menos amei-Vos quanto me foi possível.

II. Já que Maria ama tanto a seu Deus, não há certamente coisa alguma

que ela exija tanto de seus devotos como que O amem igualmente. É o

que a divina Mãe disse à Bem-aventurada Ângela de Foligno, num dia em

que esta tinha comungado; é o que ela disse também a Santa Brígida:

“Filha, se queres cativar o meu amor, ama o meu Filho”.

Pergunta Novarino, porque a Santa Virgem, à imitação da Esposa dos

Cantares, rogava aos anjos que fizessem saber ao seu Senhor o grande

amor que lhe consagrava, dizendo: Adiuro-vos… ut nuntietis ei, quia

amore langueo (3)? “Eu vos conjuro… que lhe façais saber que estou

enferma de amor”. Por ventura não sabia Deus quanto ela O amava? Com

certeza sabia-o, responde o autor sobredito, que a Virgem quis fazer

patente a nós o seu amor; a fim de que, assim como ela estava ferida de

amor, nos infligisse a mesma ferida: Ut vulnerata vulneret. Porque foi toda

fogo em amar a Deus, por isso, como diz São Boaventura, abrasa e torna

seus semelhantes todos os que a amam e a ela se avizinham. Pelo que

Santa Catarina de Sena chamava a Maria Santíssima portatrix ignis: a

portadora do fogo do amor divino. Se queremos também arder nesta

beata chama, procuremos sempre avizinhar-nos à nossa Mãe santíssima

com súplicas e afetos.

Ah, Rainha do amor, Maria! Sois vós, no dizer de São Francisco de Sales, a

mais amável, a mais amada e a mais amante de todas as criaturas. Ah,

minha Mãe! Vós que ardestes sempre e toda em amor a Deus, dignai-vos

dar-me ao menos uma faísca desse amor. Rogastes a vosso Filho por

aqueles esposos aos quais faltava o vinho: Vinum non habent (4)? “Eles

não têm vinho”: não rogareis por nós a quem falta o amor a Deus, ao qual

temos tanta obrigação de amar? Dizei somente: Amorem non habent?

“Eles não têm amor”, e alcançar-nos-eis o amor. Outra graça não vos

pedimos senão esta. Ó minha Mãe! Porquanto amais a Jesus, atendei-nos,

rogai por nós.

Sexta-Feira - Comemoração do Sagrado Sudário de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Et depositum (corpus) involvit sindone – “Tendo descido (o corpo),

amortalhou-o num lençol” (Lc 23, 53)

Sumário.

Para que estivéssemos sempre lembrados de seu amor, quis

Jesus Cristo deixar a sua sagrada efígie estampada no santo Sudário.

Não faltam na vida de Jesus feitos gloriosos cuja imagem nos podia deixar.

Sendo, porém, a cor rubra da Paixão a mais apropriada para representar o

amor, deixou de parte todos os demais fatos da sua vida, e quis representar perante nós o Homem das dores, a fim de que nos fosse tanto mais amável, quanto mais desfigurado. Amemo-Lo, pois, de todo o coração e soframos de boa mente alguma coisa por seu amor.

I. “Duas coisas”, escreve Cícero, “fazem conhecer um amigo: fazer-lhe

bem e sofrer por ele; e esta última coisa é a maior prova de um verdadeiro

amor.” Deus já tinha feito brilhar o seu amor para com os homens, em

grande número de benefícios; mas, diz São Pedro Crisólogo, logo, julgou

muito pouco para seu amor, somente fazer-lhes bem, se não achasse

outro modo de lhe mostrar quanto o amava, sofrendo e morrendo por ele,

como fez tomando a natureza humana. Por isso escreve o Apóstolo São

Paulo, que a morte de Jesus Cristo pela salvação dos homens demonstrou

até onde chegava o amor de Deus para conosco, as suas miseráveis

criaturas: Apparuit benignitas et humanitas Salvatoris nostri Dei (1) —

“Apareceu a benignidade e o amor de Deus, nosso Salvador”.

A fim de que sempre nos lembrássemos deste seu excesso de amor,

depois de consumada a Redenção do gênero humano, quis deixar-nos a

sua imagem estampada no Sudário em que o envolveram depois da

morte. Não faltavam, de certo, na vida de Jesus mil feitos gloriosos, cuja

representação nos podia deixar, tais como sejam a adoração dos Magos, a

transfiguração no Tabor, a ressureição de Lázaro, a multiplicação dos pães

e mais outros. Mas, no dizer de São Bernardo, porque “a cor rubra da

Paixão é a mais apropriada para representar o grau supremo e

incomparável de amor, Jesus deixou de parte todo o fato glorioso, para se

nos representar no estado de miséria predito por Isaías: Como homem de

dores, objeto de desprezo e o último dos homens, ferido por Deus e

humilhado como um leproso, o mais miserável dos filhos dos homens,

coberto de chagas desde a cabeça aos pés, maltratado e desfigurado, até

não ter mais parecença de homem: unde nec reputavimus eum (2).

Ah, meu amantíssimo Senhor, em vista de tantos testemunhos do vosso

amor, quem poderá deixar de Vos amar? Tinha razão Santa Teresa, ó meu

amabilíssimo Jesus, de dizer que, quem não Vos ama, prova que não Vos

conhece.

II. O Padre Segneri Júnior aconselhou a uma sua confessada, escrevesse ao

pé do Crucifixo estas palavras: Eis aí como se ama! Parece que é isso

também o que pelo sagrado Sudário Jesus Cristo quer dizer a cada um de

nós, particularmente quando, para evitar algum incômodo, abandonamos

o bem que mais Lhe agrada, e chegamos talvez a renunciar à sua graça: Eis

aí como se ama! — Com razão dizia São Francisco de Sales: “Todas as

chagas do Redentor são outras tantas bocas que nos dizem que devemos

sofrer por amor d’Ele; e a ciência dos santos consiste em sofrer

constantemente por Jesus”.

Amemos, pois, a Jesus (assim nos exorta o amante Santo Agostinho),

amemos a Jesus ao menos por gratidão, amemos de todo o coração ao

Esposo Celeste, que nos deve ser tanto mais querido e aceito, quanto mais

desfigurado se nos mostra. Devemos patentear este nosso amor sofrendo

de boa vontade alguma coisa por Jesus, aceitando com resignação o que

Ele mesmo nos envia para nosso bem.

Ó meu amado Salvador Jesus! Vejo-Vos todo coberto de chagas; fito o

vosso rosto, já não mais belo, mas todo horrendo de ver e manchado de

escarros e sangue. Quanto mais desfigurado Vos vejo, tanto mais belo Vos

acho e digno de amor. Que são estas chagas e contusões, senão sinais de

vosso amor e de vossa ternura para comigo? Quisestes ser maltratado

assim para tornar bela a minha alma e limpá-la das manchas do pecado.

Agradeço-Vos, meu Senhor; pesa-me de ter-me ajuntado aos algozes para

Vos maltratar. Aceito em espírito de penitência todas as cruzes que

queirais enviar, e prometo amar-Vos sempre de todo o meu coração.

Ajudai-me com a vossa graça a ser-Vos fiel. “Ó meu Deus, Vós, que

deixastes os vestígios da vossa paixão no santo Sudário, no qual José de

Arimatéia envolveu o vosso sacratíssimo Corpo: concedei-me, propício,

que pelos merecimentos de vossa morte e sepultura chegue à glória da

ressurreição.” (3) Fazei-o pelo amor do Coração aflitíssimo de Maria.

Quinta-Feira - - Jesus presente nos

altares para ser acessível a todos.

Venite ad me omnes, qui laboratis et onerati estis; et ego reficiam Vos –

“Vinde a mim todos os que estais cansados e carregados e eu vos aliviarei”

(Mt 11, 28)

Sumário.

Nesta terra não é permitido a todos os súditos falar ao príncipe.

O mais que os pobres podem esperar é falar-lhe por meio de terceira

pessoa. Não é assim com o Rei do céu, que está no Santíssimo Sacramento.

Com este pode falar quem o deseje, e sem acanhamento.

Procuremos, portanto, ir muitas vezes à sua audiência e expor-Lhe todas

as nossas necessidades. Peçamos-Lhe particularmente que desligue o

nosso coração de todas as coisas terrestres e o encha do seu santo amor.

I. Dizia Santa Teresa que nesta terra não é permitido a todos os súditos

falar a seu príncipe. O mais que os pobres podem esperar é falhar-lhe por

meio de terceira pessoa. Mas para conversar convosco, ó Rei do céu, não se precisa de terceira pessoa; quem quiser, pode achar-Vos no Santíssimo

Sacramento, e falar-Vos à vontade e sem acanhamento. Por isso a mesma

Santa dizia que Jesus Cristo velou a sua majestade sob as aparências do

pão, para nos inspirar mais confiança e nos tirar todo o temor de nos

aproximarmos d’Ele.

Ah! Parece que lá dos altares Jesus ainda cada dia exclama e diz: Venite ad

me omnes, qui laboratis et onerati estis, et ego reficiam vos ― “Vinde a

mim todos os que estais cansados e carregados, e eu vos aliviarei”. Vinde

a mim, vós pobres, vinde enfermos, vinde atribulados, vinde justos e

pecadores; em mim achareis o remédio para todos os vossos males e

aflições. O que Jesus Cristo deseja é consolar a quem a Ele recorre.

Permanece presente sobre os altares tanto de dia como de noite para ser

acessível a todos e comunicar a todos as suas graças.

Por isso os santos achavam na terra tão grande satisfação em estar na

presença de Jesus sacramentado, que os dias e noites se lhes afiguravam

como instantes. A condessa de Feria, depois de entrada na ordem de

Santa Clara, nunca se fartava de ficar no coro a visitar o Santíssimo

Sacramento. Perguntada uma vez o que fazia tanto tempo diante do santo

Tabernáculo, respondeu que eram tão grandes as delícias que nisso

gozava, que queria ficar ali toda a eternidade. ― São João Francisco Regis,

depois de passar o dia no confessionário ou no púlpito, passava as noites

na igreja, e achando-a alguma vez fechada, deixava-se ficar à porta

exposto ao frio e ao vento, para ao menos de longe fazer companhia a seu

amado Senhor. São Felipe Neri exclamava à vista do Santíssimo

Sacramento:

“Eis aí o meu amor! Eis aí todo o meu amor!”

Ah! Se Jesus Cristo fosse também todo o nosso amor, a nós também os

dias e noites passadas na sua presença se nos afigurariam como instantes!

II. Em todas as vossas necessidades particulares, como no tomar ou dar

conselho, nos perigos, nas aflições, enfermidades e tentações,

especialmente nas contra a pureza, recorrei sempre a Jesus

sacramentado, e não podendo fazê-lo de corpo, fazei-o pelo menos em espírito. Achando-vos diante do santo Tabernáculo, dizei muitas vezes

com São Felipe Neri: “Eis aí o meu amor! Eis aí todo o meu amor!”

Sim, meu amado Redentor, só a Vós quero amar; quero que sejais o único

amor de minha alma. Sinto-me morrer de dor à lembrança de ter outrora

amado as criaturas e minhas satisfações próprias mais que a Vós, e de ter

virado as costas a Vós, ó Bem infinito. Vós porém, para não me verdes

perecer, me suportastes com tanta paciência, e em vez de me punirdes,

me feristes o coração com tantas setas de amor, de sorte que não pude

mais resistir às vossas finezas e me dei todo a Vós. Vejo que me quereis

inteiramente para Vós. Mas já que o quereis, fazei-o; porquanto a Vós

pertence fazer que assim seja.

Livrai-me de todo o apego à terra e a mim mesmo, e fazei com que eu

procure agradar somente a Vós, não pense senão em Vós, não fale senão

de Vós, e não deseje senão arder de amor para convosco, viver e morrer

por Vós. Ó amor de meu Jesus, vem e apodera-te de todo o meu coração e

expele dele todo o amor que não é para Deus. Amo-Vos, ó Jesus

sacramentado, amo-Vos, minha vida, meu tesouro, meu amor, meu tudo.

― Ó Maria, minha esperança, rogai por mim e dai-me ser todo de Jesus.

Obrigado pelos ZAP #[0] Deus lhe pague e abençoe

Não se engane, a Seita modernista do Vaticano segundo não é a verdadeira Igreja católica

Andrew Tate ao mesmo tempo que é Estóico, é também hedonista.

Ao ponto que dá aos mais jovens conselhos de como construir riquezas.

Por outro lado dá conselhos de gastar toda a riqueza adquirida com carros de luxo e centenas de mulheres.

🤔

Acabei de ver um recorte de video do Ian neves com aquele cérebro de ameba dele, conseguiu perceber o que é óbvio aos olhos de qualquer pessoa consciente e sã consegue se da conta. Kkkk

Quarta-Feira - Da dignidade de São José, Esposo da Virgem Maria.

Iacob autem genuit Ioseph, virum Mariae, de qua natus est Iesus – “Jacob

gerou a José, esposo de Maria, da qual nasceu Jesus” (Mt 1, 16)

Sumário.

Para formarmos uma ideia da dignidade de São José, basta

ponderarmos que, na qualidade de esposo de Maria e chefe da sagrada

Família, tinha verdadeiros direitos sobre a Mãe de Deus e seu divino Filho,

que assumiram a obrigação de lhe obedecer, e lhe obedeceram em tudo.

Quanto devemos, pois, honrar àquele a quem Deus honrou tanto! Quanto

devemos confiar na eficácia de sua proteção! ― E tu, és-lhe realmente

devoto?... Recorres prontamente a ele em tuas necessidades?

I. Considera em primeiro lugar a dignidade de São José por ser esposo de

Maria. Nesta qualidade adquiriu o direito de lhe dar ordens, e Maria, na qualidade de esposa, assumiu a obrigação de obedecer a São José.

O humílimo São José nunca se serviu de mandos para com a santa Virgem,

mas somente de pedidos, por venerar nela a grande santidade e a

dignidade de Mãe de Deus.

A humílima Esposa, porém, entre todas as criaturas a mais humilde, considerava sempre aqueles pedidos como outras tantas ordens. ― Ó Maria, ó José, ó Esposos santíssimos, que por vossa grande humildade vos fizestes tão amados de Deus, suplico-vos que

me alcanceis o perdão de todos os meus atos de soberba, e a graça de

sofrer d’aqui por diante com paciência todos os desprezos e injúrias que

me vierem da parte dos homens, porquanto hei merecido ser pisado aos

pés dos demônios no inferno.

Considera em segundo lugar a alta dignidade de São José por lhe ser

conferido por Deus o ofício de pai de Jesus Cristo: Et erat subditus illis (1)

― “E era-lhes submisso”. Quem é que estava submisso? O Rei do mundo,

o Filho de Deus e também verdadeiramente Deus todo-poderoso, eterno,

perfeito, em tudo igual ao Pai. Este é quem na terra quis estar submisso a

São José. Por si mesmo não tinha José autoridade sobre Jesus, por não ser

o pai verdadeiro, mas tão somente o pai putativo. Como esposo, porém, e

chefe de Maria, foi o chefe também de Jesus Cristo, enquanto homem,

por ser o fruto das entranhas de Maria. Quem é dono de uma árvore, o é

também dos frutos.

Eis porque a Beata Virgem o chamou pai de Jesus: Pater tuus et ego

dolentes quaerebamos te (2) ― “Eu e teu pai angustiados te procuramos”.

Foi portanto a São José, como chefe daquela pequena Família, que coube

o ofício de mandar, e a Jesus o de obedecer; de sorte que Jesus nada fazia,

não se movia, não tomava alimento nem repouso, senão segundo as

ordens de José. Ó dignidade inefável!

II. Devemos honrar muito aquele a quem Deus mesmo tanto tem

honrado. E grande confiança devemos pôr na proteção de São José, que

viu nesta terra o Senhor do mundo submisso às suas ordens. Escreve

Santa Teresa: “O Senhor nos quis dar a entender que, assim como na terra

quis ficar submisso a São José, assim faz agora no céu tudo o que o Santo

Lhe pede”.

Meu santo Patriarca, pela grande reverência que, como a seu esposo, vos

teve Maria, rogo-vos que me recomendeis a ela, e me alcanceis a graça de

ser o seu verdadeiro e fiel servo até à morte. E pela submissão que na

terra vos mostrou o Verbo encarnado, obtende-me a graça de Lhe

obedecer e de amá-Lo perfeitamente. No céu Jesus se compraz em

conceder todas as graças que vós pedis em favor daqueles que a vós se

recomendam. Eu também, miserável como sou, me recomendo a vós,

escolho-vos por meu advogado especial e prometo honrar-vos cada dia

com algum obséquio particular. Meu Pai, São José, por piedade, alcançai-

me aquela graça que vós sabeis ser mais útil à minha alma, e especialmente a virtude da santa pureza.

“Sim, glorioso São José, pai e protetor das virgens, guarda fiel, a quem

Deus confiou Jesus, a mesma inocência, e Maria, a virgem das virgens, eu

vos peço e conjuro por Jesus e Maria, este duplo depósito a vós tão caro,

com vosso eficaz auxílio dai-me conservar meu coração isento de toda

mancha, e que, puro e casto, sirva constantemente a Jesus e Maria em

perfeita castidade” (3). ― E vós, ó Mãe de Deus e minha Mãe Maria, pela

santa humildade e obediência com que executastes tudo que vosso santo

Esposo José vos pedia, alcançai-me de Deus a graça da santa humildade e

da perfeita obediência a seus preceitos divinos (4).

Sábado - 24 de Fevereiro - Segunda dor de

Maria Santíssima – Fugida para o Egito

Accipe puerum et matrem eius, et fuge in Aegyptum – “Toma o Menino e

sua Mãe, e foge para o Egito” (Mt 2, 13)

Sumário.

A profecia de São Simeão acerca da Paixão de Jesus e das dores de Maria começou desde logo a realizar-se na fugida que teve de fazer

para o Egito, a fim de subtrair o Filho à perseguição de Herodes.

Pobre Mãe! Quanto não devia ela sofrer tanto na viagem como durante a sua

permanência naquele país entre os infiéis! Vendo a Sagrada Família na sua

fugida, lembremo-nos que nós também somos peregrinos sobre a terra.

Para sentirmos menos os sofrimentos do exílio, à imitação de São José

tenhamos conosco no coração a Jesus e Maria.

I. Como cerva, que ferida pela flecha, aonde vai leva a sua dor, trazendo

sempre consigo a flecha que a feriu; assim a divina Mãe, depois da

profecia funesta de São Simeão, levava sempre consigo a sua dor com a

memória contínua da paixão do Filho. Tanto mais, que aquela profecia

começou desde logo a realizar-se na fugida que o Menino Jesus teve de

fazer para o Egito, a fim de se subtrair à perseguição de Herodes: Surge et

accipe puerum et matrem eius et fuge in Aegyptum — “Levanta-te, toma

o Menino e sua Mãe, e foge para o Egito.”

Que pena, exclama São João Crisóstomo, devia causar ao Coração de

Maria, o ouvir a intimação daquele duro exílio com seu Filho! “Ó Deus”,

disse então Maria suspirando, como contempla o Bem-aventurado Alberto

Magno, “deve, pois fugir dos homens aquele que veio a salvar os

homens?”

Cada um pode considerar quanto padeceu a Santíssima Virgem naquela

viagem. A estrada, conforme à descrição de São Boaventura, era áspera,

desconhecida, cheia de bosques, pouco frequentada, e sobretudo muito

longa, de modo que a viagem foi ao menos de trinta dias. O tempo era de

inverno; por isso tiveram de viajar com neves, chuvas e ventos, por

caminhos arruinados cheios de lama, sem terem quem os guiasse ou

servisse. Maria tinha então quinze anos, e era uma donzela delicada, não

acostumada a semelhantes viagens. Que dó fazia ver aquela Virgenzinha

com o Menino nos braços e acompanhada somente de São José!

Pergunta São Boaventura: Quomodo faciebant de victu? Ubi nocte

quiescebant? — “De que alimentavam-se? Onde passavam as noites?” E

de que outra coisa podiam alimentar-se, senão de um pedaço de pão duro, trazido por São José, ou mendigado? Onde deviam dormir,

especialmente no extenso deserto pelo qual deviam passar, senão sobre a

terra, ao relento, com perigo de ladrões ou de feras em que abunda o

Egito? Oh! Quem tivera encontrado aqueles três grandes personagens,

por quem as haveria então reputado senão por três pobres mendigos e

vagabundos?

II. Opina Santo Anselmo que os santos peregrinos no Egito habitaram a

cidade de Heliópolis. Considere-se aqui a grande pobreza em que deviam

viver nos sete anos que ali permaneceram, como afirma Santo Antônio

com Santo Tomás e outros. Eram estrangeiros, desconhecidos, sem

rendimentos, sem dinheiro, sem parentes. Como diz São Basílio, chegaram

com dificuldade a sustentar-se com os seus pobres trabalhos. Escreve

Landolfo de Saxônia (e isto seja dito para consolação dos pobres), que

Maria se achava em tão grande pobreza, que algumas vezes não tinha

nem sequer um pouco de pão, que o Filho lhe pedia, obrigado pela fome.

Ver assim Jesus, Maria e José andarem fugitivos, peregrinando por este

mundo, ensina-nos que também devemos viver nesta terra como

peregrinos, sem que nos apeguemos aos bens que o mundo oferece, pois

que em breve os havemos de deixar e de ir para a eternidade: Non

habemus hic manentem civitatem, sed futuram inquirimus (1) — “Não

temos aqui cidade permanente, mas procuramos a futura”. Demais,

ensina-nos que abracemos as cruzes, já que neste mundo não se pode

viver sem cruz. — A Bem-aventurada Verônica de Binasco, Agostiniana, foi

levada em espírito a acompanhar Maria com o Menino Jesus na viagem ao

Egito, finda a qual lhe disse a divina Mãe: “Filha, acabas de ver com

quantas fadigas chegamos a este país; sabe, pois, que ninguém recebe

graças sem padecer.”

Quem deseja sentir menos os trabalhos desta vida, deve, à imitação de

São José, tomar consigo Jesus e Maria: Accipe puerum et matrem eius —

“Toma o Menino e sua Mãe”. A quem pelo amor traz no coração este Filho

e esta Mãe, se lhe tornam leves, quiçá doces e estimáveis, todas as penas.

Amemo-los, pois, e consolemos a Maria acolhendo o seu Filho dentro dos

nossos corações, que ainda hoje é continuamente perseguido pelos homens com os seus pecados.

4. Sábado depois das cinzas: O grão de trigo.

«Em verdade, em verdade vos digo que, se o grão de trigo que cai na terra não

morrer, fica infecundo» (Jo 12, 24)

I. — O grão de trigo é de dois modos usado: para o feitio do pão e para a

semeadura. O versículo acima diz respeito ao grão de trigo como semente,

não como matéria do pão, pois, nesse último caso, não precisa fecundar para

dar fruto. Se o grão de trigo não morrer, não que perca sua virtude seminal,

mas porque muda de espécie. «o que tu semeias não toma vida, se primeiro

não morre» (1 Cor 15, 36)

Ora, assim como o Verbo de Deus é semente na alma do homem, no

sentido de que é introduzida por voz sensível, para produzir o fruto da

boa obra, cf «A semente é a palavra de Deus» (Lc 8, 11); assim o Verbo de

Deus, revestido de carne, é semente enviada ao mundo para originar uma

grande seara. Por isso, também é comparado com o grão de mostarda,

como se lê nas Escrituras(Mt 13). Nosso Senhor diz: Vim como semente

para frutificar e, por isso, em verdade vos digo, «se o grão de trigo que cai na

terra não morrer, fica infecundo», isto é, se Eu não morrer, o fruto da

conversão das gentes não se produzirá. Também se compara ao grão de trigo

por que veio para restaurar e sustentar as vidas humanas: ora, é sobretudo

isto o que faz o pão de trigo. «o pão robustece o coração do homem» (Sl 103,

15) e «e o pão que eu darei é a minha carne para a salvação do mundo» (Jo 6,

52).

II. — «mas, se morrer, produz muito fruto.» (Jo 12, 24).

Nosso Senhor alude aqui à utilidade da paixão,e é como se dissesse: a não

ser que Eu caia por terra, humilhado, na minha Paixão, nenhum proveito se

seguirá, pois se o grão de trigo não morrer, fica infecundo. Mas, se morrer, isto

é, se Eu for castigado e morto pelos judeus, muito fruto se produzirá:

1. O fruto da remissão dos pecados. «todo o fruto será a expiação do seu

pecado» (Is 27, 9). Este fruto a Paixão de Cristo produziu, cf.«Porque

também Cristo morreu uma vez pelos nossos pecados, ele, justo pelos injustos,

para nos oferecer a Deus» (1 Pd 3, 18).

2. O fruto da conversão dos gentios a Deus. «fui eu que vos escolhi a vós, e

que vos destinei para que vades e deis fruto, e para que o vosso fruto

permaneça» (Jo 15, 16). Este fruto a Paixão de Cristo produziu, cf. «E eu,

quando for levantado da terra, atrairei tudo a mim»(Jo 12, 32).

3. O fruto da glória. «o fruto dos bons trabalhos é glorioso» (Sb 3, 15). E,

também este fruto, a Paixão de Cristo produziu, cf. «Portanto, irmãos, temos

nós confiança de entrar no Santo dos Santos pelo sangue de Cristo, pelo

caminho novo e vivo que nos abriu através do véu, isto é, através de sua

carne» (Heb 10, 19)

In Joan, XII

(P. D. Mézard, O. P., Meditationes ex Operibus S. Thomae.)

Sinceramente não sei se algum dia as pessoas que se opõe esse "sistema" irão entender que essa tal "Nova Ordem Mundial" é só um nome bonito, um nome de guerra.

O que está sendo colocado em prática é o reinado do anticristo.

Meditação para a sexta-feira da semana da quinquagésima.

Meditação de Santo Afonso Maria de Ligório.

Comemoração da Coroa de espinhos de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Et milites plectentes coronam de spinis, imposuerunt capiti eius – “E os soldados tecendo de espinhos uma coroa, lha puseram sobre a cabeça”

(Jo 19, 2)

Os bárbaros algozes, não contentes com a horrível carnificina feita em Jesus com a flagelação, Lhe põem por escárnio uma coroa de espinhos na cabeça e apertam-na de modo que os espinhos penetraram até ao cérebro. Eis como o Senhor quis reparar a maldição fulminada contra a terra, isto é, contra Adão, em conseqüência da qual a natureza humana não pode produzir senão abrolhos e espinhos de culpas! Eis como Jesus quis expiar os nossos maus pensamentos!

I

Os bárbaros algozes ainda não contentes com a horrenda carnificina feita no corpo sacrossanto de Jesus Cristo com a flagelação, instigados pelos demônios e pelos judeus, querendo tratá-Lo de rei de comédia, Lhe põem aos ombros um farrapo de um vestido vermelho, à guisa de manto real; uma cana verde na mão à guisa de cetro, e na cabeça um feixe de espinhos entrelaçados em forma de coroa. E para que esta coroa não só Lhe servisse de ludibrio, mas também Lhe causasse grande dor, foi feita, na opinião comum dos escritores, em forma de capacete ou chapéu, de sorte que cobria toda a cabeça do Senhor, descia até sobre a testa.

Além disso, colhe-se do Evangelho de São Mateus, que os algozes com a mesma cana batiam nos espinhos compridos, a fim de entrarem mais dentro na cabeça. Com efeito, no dizer de São Pedro Damião, chegaram a penetrar até ao cérebro: spinae cerebrum perforantes. Se um só espinho encravado no pé de um leão o faz ressoar toda a floresta com seus dolorosos gemidos, imagina quão acerba deve ter sido a dor de Jesus Cristo que teve toda a sagrada cabeça perfurada, a parte mais sensível do corpo humano, ao qual se reúnem todos os nervos e sensações.

Tão atroz tormento não foi para Jesus de curta duração; bem ao contrário, foi o mais longo da sua Paixão, porquanto durou até à sua morte. Visto que os espinhos ficavam encravados na cabeça, todas as vezes que lhe tocavam na coroa ou na cabeça, sempre se lhe renovavam as dores. E o Cordeiro manso deixou-se atormentar à vontade dos algozes, sem proferir uma só palavra. ― Era tão grande a abundância de sangue que corria das feridas, que Lhe cobria o rosto, ensopava os cabelos e a barba, e Lhe enchia os olhos. São Boaventura chega a dizer que não era já o belo rosto de Senhor que se via, mas o rosto de um homem esfolado. Eis aí, exclama o Bem-aventurado Dionísio Cartusiano, como quis ser tratado o Filho de Deus, para obter para nós a coroa de glória no céu.

II

Maledicta terra in opere tuo… spinas et tribulos germinabit tibi (1) ― “A terra será maldita na tua obra… ela te produzirá espinhos e abrolhos”. Esta maldição foi lançada por Deus contra Adão e toda a sua descendência; pois que pela terra, não se entende tão somente a terra material, senão também a natureza humana, que estando infectada pelo pecado de Adão, não produz senão espinhos de culpas. ― Para cura desta infecção, diz Tertuliano, foi mister que Jesus Cristo oferecesse a Deus o sacrifício do seu longo tormento da coroação de espinhos. Por isso Santo Agostinho não hesita em dizer que os espinhos não foram senão instrumentos inocentes; mas que os espinhos criminosos, que propriamente atormentaram a cabeça de Jesus Cristo, foram os nossos pecados, e em particular, os nossos maus pensamentos: Spinae quid nisi peccatores? É isso exatamente o que Jesus Cristo mesmo deu a entender, quando apareceu certa vez a Santa Teresa, coroado de espinhos. Quando a Santa Lhe testemunhava a sua compaixão, disse-lhe o Senhor:

“Teresa, não te compadeças de mim pelas feridas que me abriram os espinhos dos judeus, mas antes pelas que me causam os pecados dos cristãos”

― Ó minha alma, tu também atormentaste então a cabeça de teu Redentor com o teu frequente consentimento no pecado. Por piedade! Abre ao menos agora os olhos, vê e chora amargamente o grande mal que fizeste.

Ah, meu Jesus, Vós não tínheis merecido ser tratado por mim como Vos tenho tratado. Reconheço a minha ingratidão; arrependo-me de todo o meu coração. Peço-Vos que não somente me perdoeis, mas que me deis tão grande dor, que durante a minha vida toda continue a chorar as injúrias que Vos fiz. Sim, Jesus meu, perdoai-me, visto que Vos quero amar sempre e sobre todas as coisas. “E Vós, ó Eterno Pai, concedei-me que, venerando na terra, em memória da Paixão de Jesus Cristo, a sua coroa de espinhos, mereça ser um dia por Ele coroado no céu com uma coroa de glória e honra” (2). Fazei-o pelo amor do mesmo Jesus Cristo e de Maria, sua Mãe.

Lord Jesus Christ, Son of God, have mercy on me, a sinner.

Into the desert we go.