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A Academia Brasileira de Letras, para minha surpresa, ao menos em seu canal no YouTube, está associada a algo que preste.

https://youtu.be/f5PAbf-e3Qc

First time using #Primal on Android. All my deleted messages were not deleted and there is no option to delete them. There is no option even to cancel a repost. Why? It would be very nice having an option to make notes ephemeral in clients.

Vico is a challenging thinker and understanding his New Science seems a doomed endeavor, so I looked for help in commentators and stumbled upon Benedetto de Croce's book The Philosophy of Giambattista Vico. I'm still lost but Croce is less obscure than Vico and he can highlight some important ideas as in the following beautiful excerpt about Vico's vision for poetry:

He criticised at once the three doctrines of poetry as a means of adorning and communicating intellectual truth, as merely subservient to pleasure, and as a harmless mental exercise for those who can do it. Poetry is not esoteric wisdom: it does not presuppose the logic of the intellect: it does not contain philosophical judgments. The philosophers, in finding these things in poetry, have simply put them there themselves without realising it. Poetry is produced not by the mere caprice of pleasure, but by natural necessity. It is so far from being superfluous and capable of elimination, that without it thought cannot arise: it is the primary activity of the human mind. Man, before he has arrived at the stage of forming universals, forms imaginary ideas. Before he reflects with a clear mind, he apprehends with faculties confused and disturbed: before he can articulate, he sings: before speaking in prose, he speaks in verse: before using technical terms, he uses metaphors, and the metaphorical use of words is as natural to him as that which we call “natural.” So far from being a fashion of expounding metaphysics poetry is distinct from and opposed to metaphysics. The one frees the intellect from the senses, the other submerges and overwhelms it in them: the one reaches perfection in proportion as it rises to universality, the other, as it confines itself to the particular: the one enfeebles the imagination, the other strengthens it.

Ismália

Quando Ismália enlouqueceu,

Pôs-se na torre a sonhar...

Viu uma lua no céu,

Viu outra lua no mar.

No sonho em que se perdeu,

Banhou-se toda em luar...

Queria subir ao céu,

Queria descer ao mar...

E, no desvario seu,

Na torre pôs-se a cantar...

Estava perto do céu,

Estava longe do mar...

E como um anjo pendeu

As asas para voar...

Queria a lua do céu,

Queria a lua do mar...

As asas que Deus lhe deu

Ruflaram de par em par...

Sua alma subiu ao céu,

Seu corpo desceu ao mar...

Alphonsus de Guimarães

Daqui desse momento, do meu olhar pra fora

O mundo é só miragem

A sombra do futuro, a sobra do passado

Assombram a paisagem

Quem vai virar o jogo e transformar a perda

Em nossa recompensa?

Quando eu olhar pro lado

Eu quero estar cercado só de quem me interessa

Lenine, É o que me Interessa

Os homens da Pré-História não deixaram de notar simetria bilateral em ou tres mamíferos, aves e vegetais. A busca da simetria desde o Paleolítico infere tromeçado há dois milhões de anos) focava tanto os objetos - como foi sugerido em relação aos utensílios de pedra, cujas formas nada tinham a ver com eficáca esim com aspectos estéticos baseados na tradição e na analogia com silhuetas - como a representação pictórica e simétrica de animais nas paredes das grutas A arte do período fazia em ossos incisões decorativas com uma série de traços for- mando pequenos triângulos e losangos dispostos a intervalos regulares, o que na passagem para o Neolítico gerou um esquematismo representativo com figuras abreviadas e abstratas que às vezes antecipam os ideogramas e parecem prefigu- rar as letras. A disposição dos diferentes volumes estilizados (cabeça, seios, ven- tre, quadril, pernas) das estatuetas femininas pré-históricas dava-lhes com frequência formas losângicas; também figuras de animais ou de pessoas eram muitas vezes colocadas de maneira simétrica umas às outras.

Os Três Dedos de Adão, Hilário Franco Júnior

O fato tem existência no tempo e no espaço; o conceito só existe quando pensamos.

Mario Ferreira dos Santos, Convite à Filosofia

Define what can be defined.

Open problem: the number of topologies on a finite set.

Leibniz

Sir Isaac Newton says, that Space is an Organ, which God makes use of to perceive Things by. But if God stands in need of any Organ to perceive Things by, it will follow, that they do not depend altogether upon him, nor were produced by him.

There should be a #nostr client called Schizophrenia. Nothing would be more appropriate.

Afirmo ao senhor, do que vivi: o mais difícil não é um ser bom e proceder honesto; dificultoso, mesmo, é um saber definido o que quer, e ter o poder de ir até no rabo da palavra.

João Guimarães Rosa em Grande Sertão: Veredas

Essa passagem me pega.

Onde você quer chegar?

Quais são seus planos?

O que você deseja?

Esse seu livro é sobre o quê?

Não sei.

Nunca soube.

Temo nunca saber.

Já apaguei todas as minhas notas algumas vezes no #nostr porque tenho problemas mentais. É interessante, e de certa forma previsível, que as notas apagadas ainda apareçam em alguns clientes. O nostr:nprofile1qqs2tz3xvdf7r3j2ae50wnmsdsdutdw9eldhtmnvvngeumqjs7ajjxqpz3mhxue69uhhyetvv9ujuerpd46hxtnfduqs6amnwvaz7tmwdaejumr0dsq3camnwvaz7tmwdaehgu3dxqcju7tpdd5ksmmwdejjucm0d58wzz6u comentou numa nota que eu havia apagado há mais de um mês! Isso mostra que o que você publica aqui, permanece.

Vejam Cem Anos de Solidão na Netflix. Estou mandando. Quem não obedecer será punido com a ignorância de uma obra de arte.

O latim é muito conciso. Por exemplo,

Pedicabo: no cu vou meter

Como no seguinte poema iâmbico de Catulo:

Toda minha admiração para João Angelo Oliva Neto. Quem faz um livro como esse pode morrer em paz.

Em Trópico de Capricórnio, Henry Miller escreve

Quando chegou a época de minhas férias — que eu não tirava havia três anos, tão ávido estava para fazer da empresa um sucesso! — tirei três semanas em vez de duas e escrevi o livro sobre os doze homenzinhos. Escrevi-o direto, cinco, sete, às vezes oito mil palavras por dia. Pensei que um homem, para ser escritor, tinha de escrever pelo menos cinco mil palavras por dia. Pensei que devia dizer tudo de uma vez — num único livro — e desabar depois. Eu não sabia nada sobre a escrita. Me caguei de medo. Mas estava decidido a varrer Horatio Alger da consciência norte-americana. Acho que foi o pior livro já escrito por alguém. Era um tomo colossal e cheio de defeitos do princípio ao fim. Mas foi meu primeiro livro e me apaixonei por ele. Se tivesse dinheiro, como Gide, eu o teria publicado às minhas custas. Se tivesse tido a coragem de Whitman, eu o ofereceria de porta em porta. Todos a quem o mostrei disseram que era terrível. Exortaram-me a desistir da ideia de escrever. Tinha de aprender, como Balzac, que é preciso escrever volumes antes de assinar um deles. Tinha de aprender, como logo fiz, que se deve desistir de tudo e não fazer mais nada além de escrever, escrever, escrever, escrever, mesmo que todos no mundo nos aconselhem contra isso, mesmo que ninguém acredite na gente. Talvez a gente insista exatamente porque ninguém acredita; talvez o verdadeiro segredo esteja em fazer as pessoas acreditarem. Que o livro fosse inadequado, cheio de defeitos, ruim, terrível, como diziam, era simplesmente natural. Eu tentava fazer no começo o que um homem de gênio só tenta no fim. Queria dizer a última palavra no começo. Era absurdo e patético.

E depois continua:

Hoje, quando penso nas circunstâncias em que escrevi aquele livro, quando penso no material esmagador ao qual tentei dar forma, quando penso no que esperava abranger, dou-me tapinhas nas costas. Dou-me nota dez. Orgulho-me do fato de haver feito dele um fracasso tão miserável; se houvesse conseguido, eu seria um monstro. Às vezes, quando reviso meus cadernos de anotações, quando vejo só os nomes daqueles sobre os quais pensei em escrever, me dá vertigem. Cada homem vinha a mim com um mundo seu; vinha a mim e o descarregava em minha escrivaninha; esperava que eu o pegasse e pusesse nos ombros. Eu não tinha tempo de fazer um mundo meu: tinha de permanecer fixo como Atlas, meus pés nas costas do elefante e o elefante nas costas da tartaruga. Perguntar em cima do que ficava a tartaruga teria sido loucura.