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Ideia da Coerência - Conceito
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fragmentos filosóficos ✍️ philosophical fragments https://satellite.earth/@eduardoluft@iris.to

O diálogo exterior é inviável sem o diálogo interior, o diálogo da alma consigo mesma.

Hoje abri o meu Nostr, descobri um pensador novo (para mim) e fiquei lendo sobre ele.

"Ah, mas o Nostr é vazio, não tem ninguém".

Não, o Nostr está dissolvendo a mídia social e dando uma chance ao diálogo.

Hoje é o dia da intuição :)

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Bom dia, N-tchês, Good Morning!

Um pouco de intuição para amainar a aridez o conceito.

#fotografia #photography

Uma dica:

O pessoal continua reclamando dos vários clientes. Não duvido que alguns tenham problemas mesmo (foi o que constatei também ao início da jornada), mas acho que um pouco disto vem da presença desta diversidade enorme de alternativas aos iniciantes que existe no ecossistema do Nostr, e da tendência natural de se querer experimentar tudo, pulando de galho em galho, testando de tudo um pouco, sem conhecer as manhas de cada alternativa.

E as manhas existem.

Digo isto porque eu tenho sido bem conservador aqui:

- Gossip para postagens de textos;

- Amethyst para postagem de imagens e para leitura (Gossip idem aqui, mas menos);

- Satellite só como portal para visitantes externos na web.

E tudo tem funcionado sem problema algum.

#Nostr

A Fenomenologia do Espírito quer explicitar o modo como a consciência se eleva, de seu nível mais primário de apreensão do mundo, o realismo ingênuo, ao nível sofisticado do conhecimento da totalidade ou à filosofia.

A genialidade de Hegel é ter antecipado, em seus traços básicos, o desenvolvimento da própria consciência científica quando, nos primórdios do século XX, vários pensadores originais buscaram responder a questão básica: o que é ciência?

A estrutura do desenvolvimento histórico da filosofia da ciência¹ espelha a estrutura dialética revelada pela Fenomenologia hegeliana².

¹ https://bra.in/9qaoAE

² https://bra.in/4qzXeb

#filosofia #dialética

O OSSO, A TRÍADE E O COERENTISMO

Às vezes o jogo dialético funciona tão bem que a gente tem a tentação de aplicar a conhecida tríade Tese-Antítese-Síntese indiscriminadamente, até àquele osso encontrado no chão, para lembrar a brincadeira de um filósofo¹.

Mas aqui ela realmente cai muito bem.

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Figura²

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O coerentismo é, de fato, a síntese estrita de fundacionismo e infinitismo em teoria da justificação, ramo quase exaustivamente explorado pela assim-chamada epistemologia analítica.

O fundacionismo termina refém da parada arbitrária ou dogmática no processo de justificação, quer dizer, ele faz com que toda a argumentação dependa da suposta verdade das premissas, mas é incapaz de prová-las.

O infinitismo, a face contrária da posição fundacionista, nega que se deva ou se possa parar em qualquer ponto da cadeia de prova, postulando-o como o seu princípio indubitável. A argumentação segue os seus passos ad infinitum, e o infinitista não vê nenhum problema nisto.

Mas há dois problemas claros aí. O primeiro: um processo infinito de prova não prova nada; o segundo: o resultado do infinitismo é uma espécie de achatamento dos pensamentos, como se todos tivessem o mesmo peso probante no conjunto de uma teoria ou de um vasto campo teórico.

De fato, assim como o fundacionismo corresponde estritamente ao momento positivo ou dogmático da Tese, com sua busca por uma base segura e imutável do conhecimento, a ênfase infinitista no momento meramente negativo ou cético da razão (a Antítese) conduziria, ao natural, à inviabilidade da própria racionalidade científica.

Não é assim que funciona, no entanto, o pensamento e não é desse modo que produzimos as boas teorias: alguns pensamentos são mais importantes do que outros, porque mais centrais, enquanto outros são mais periféricos em dado sistema teórico.

O coerentismo supera e guarda³ as duas posições rivais na teoria da justificação, como a sua síntese viável.

Nega do fundacionismo a ideia de pensamento fundante, certo e indubitável, mas aceita dele a posição de que há pensamentos mais relevantes do que outros, porque as redes semânticas que constituem as teorias apresentam alguns conceitos ou proposições como mais centrais do que outros, os chamados nós centrais (ou hubs) na teoria de redes.

Se não é possível visualizá-los em um grafo, é fácil acessar estes pensamentos nucleares por via negativa: quanto maior a sua centralidade, mais destrutiva para o sistema será a prova de sua falsidade. Esta diferença aparece no contraste entre núcleo e periferia na teoria dos programas de pesquisa do Lakatos. O centro ou o núcleo, ou os variados nós relevantes de uma teoria ou de todo um paradigma, como diria Kuhn, são o análogo coerentista da noção de fundamento, mas não são um ponto fixo, nem imune à crítica.

As redes semânticas são dinâmicas, e nada impede que certos conceitos nucleares se tornem periféricos, e conceitos periféricos se tornem nucleares em momentos distintos da história de um vasto programa de pesquisa.

Por outro lado, do infinitismo o coerentismo nega o regresso ao infinito, aquele enigmático e insustentável "não provar nada", bem como o “achatamento” de pensamentos, mas guarda o potencialmente infinito processo de prova ao afirmar a validade da alguns tipos de circularidades, as boas circularidades*, que só são boas porque mediadas por contingência, quer dizer, porque sempre novamente abertas à refutação.

Bom, é exatamente este o modo como o processo de prova em ciência ocorre segundo os modelos defendidos por Kuhn e Lakatos, mais este do que aquele, ao transmudar o falibilismo fundacionista popperiano em um falibilismo coerentista.

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¹ Eu estava tentado a atribuir esta brincadeira ao E. von Hartmann (https://en.wikipedia.org/wiki/Eduard_von_Hartmann), mas não encontrei a fonte, perguntei à nossa amiga Perplexity (https://www.perplexity.ai/) e, como boa sofista, ela foi inventando nomes; quando chegou no terceiro chute, larguei de mão.

² Imagem extraída do Mapa do Projeto de Sistema (https://bra.in/5pd8KJ).

³ O Aufheben ou superar e guardar dos hegelianos: em vez de simplesmente rejeitar um dos opostos em conflito (no caso, fundacionismo ou infinitismo) e aceitar o outro, busca-se corrigir falhas em cada um deles e encontrar a sua conciliação possível.

* 👇

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Quanto mais escrevo em fragmentos, mais a escrita longa me parece redundante, excessiva.

Melhor do que os fragmentos, só o rumor da contemplação.

E. Luft #fotografia #photography

Extreme thoughts for extreme diets.

ok:

-vegan +carnivore,

but not too much.

👇

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Não há teoria do método.

Há filosofias, e seus caminhos.

✍️

Os melhores argumentos não têm fundamento.

Eu não acho isto algo bom, mas é só abrir os olhos e a gente vê o fenômeno da centralização reemergindo quase em tempo real aqui no Nostr (embora a rede seja muito pequena ainda), e ainda mais claramente no Bitcoin (tema polêmico, por aqui, sei, mas os ETFs de Bitcoin não estão surgindo por nada).

Por que volta a centralização? Ao menos dois motivos mais óbvios (provavelmente outros): surgimento de nós centrais (hubs) + conexão preferencial nas redes de interação social, trazendo centralização de poder e grana, e vice-versa.

O protocolo do Nostr ajuda um pouco, diminui um pouco a centralização (centralização vem em graus), mas não basta e, claro, não temos nenhuma solução política plausível semelhante à vista. Talvez venhamos a descobrir instituições políticas mais efetivas para diminuir ou atenuar este problema do excesso de poder concentrado em poucas mãos, mas por enquanto o modelo que conhecemos pra enfrentar isto é a democracia liberal, e não vejo nenhuma alternativa à vista.

Ah, e não acho, claro, que a democracia liberal esteja bem das pernas.

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Falei um pouco disto aqui, sobre a originalidade da resposta do Nostr, e uma conexão (muito indireta e implícita com o problema político):

nostr:note13fvufqecqyz9nsazwjk8vrc4hdn3epdhslkhu74qel4qltjjv0zs9heplr

resolvi não fazer postagens ocasionais no velho Twitter chamando pra cá, como alguns sugeriram.

deixei meu convite lá, e ponto.

acho que até deste tipo de propaganda as pessoas devem ser poupadas.

ao final, ao termo, as mídias sociais vão ser, estas sim, um longo monólogo da IA propagandeando a si mesma,

e estaremos fora:

nem agentes, nem observadores "passivos" monetizados,

mas pura e simplesmente a u s e n t e s.

QUESTÃO DE MÉTODO

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Analíticos

&

Dialéticos

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👇

https://bra.in/8vmw8J