Acredito que era uma prática para todas as classes sociais.
Discussion
Rapaz, mesmo hoje em dia eu não conheço muita gente que coma salame com frequência
hj em dia vc tem acesso a carne fresca barata. Mas veja a tradição portuguesa da feijoada... Quando não se tinha a carne fresca, se comia carne salgada e as "charcuteries" (paio, calabresa, linguiças toscanas, etc).
As carnes secas são mais caras do que as frescas (exceto corte nobres), isso numa época industrial, imagina antigamente. Charcutaria barata é só de subproduto, que inclusive faz esses subprodutos infinitas vezes mais tragáveis do que seriam frescos, e que as pessoas só comprariam frescos se estivessem morrendo de fome.
sim, porque a carne fresca só era acessível a quem mora perto de quem produz, nos períodos próprios de produção. No resto do ano (inverno das regiões temperadas), você tem de comer carne conservada de alguma forma, seja seca, salgada, defumada, embutida, etc. E quem mora longe dos locais de produção também só tinha acesso a carne processada. Por isso os portugueses comem muito bacalhau e sardinha. A conserva da sardinha e a salga do bacalhau são feitos ainda em alto mar, os navios já chegam em terra com os peixes "conservados".
Hoje em dia é muito fácil vc transportar num vagão ou caminhão frigorífico algumas toneladas de carne fresca por milhares de quilômetros. A 500 anos atrás, o transporte era praticamente impossível por distâncias longas (no máximo 40km por dia). O animal precisava ser transportado vivo e abatido "in loco", e consumido quase imediatamente.
Sim, era inviável, mas esse processo já encarecia o produto em comparação à aqueles que tinha acesso ao fresco (havia lojas de caçadores também).
Charcutaria era uma gourmetização mesmo que necessária.
Mas linguiça de paio, ou calabresa sim, bacon tbm. Esse é o meu ponto, até hoje a charcutaria como consumo existe, mas na sua grande maioria presunto pata negra não é e nunca foi pra todos.
quando eu era "pobre", uma das poucas proteínas que comíamos era linguiça de frango. Não era defumada, mas era charcutaria mesmo assim. (comíamos a de frango porque mesmo sendo pobres, minha mãe ainda tentava cuidar da saúde da família).