Nos últimos dias, estive pensando nas mudanças que a internet sofreu ao longo do tempo. Sou de uma época em que ela estava saindo da fase experimental e começavam a surgir as redes sociais como conhecemos hoje. Nunca fui muito fã dessas redes, então aproveitei o que, anos depois, percebi serem os últimos resquícios de uma internet onde termos como internauta ainda faziam sentido. Naquele tempo, você realmente era um explorador: de um site chegava a outro, criava seu próprio mapa de navegação nos favoritos do navegador e se divertia em fóruns, chans, blogs, joguinhos de flash e muito mais. Era uma experiência completamente diferente da atual, em que abrimos uma rede social, ficamos presos nela por horas e encontramos tudo concentrado em um só lugar.
A internet da minha infância já morreu há anos. Hoje, a maior parte dela está dentro dos muros das redes sociais. Fóruns, chans, blogs e páginas independentes perderam relevância. Já não navegamos mais; até usar o Google se tornou difícil, pois fora das redes sociais existe um mar de sites ruins que se destacam apenas graças a táticas de SEO.
Tudo se transformou em aplicativos, serviços ou redes sociais, e as pessoas simplesmente aceitaram e ajudaram a erguer os monstros que vemos hoje. Se essas plataformas têm tanto poder, é porque, ao longo dos anos, entregamos a elas a função de serem nossa única porta de entrada para a internet.
A rede, que nasceu como uma ferramenta incensurável graças à sua arquitetura descentralizada e distribuída, hoje parece em estado terminal. Poucos sites concentram a maior parte dos acessos, e muitos deles dependem de uma única empresa — a Cloudflare — para serviços de CDN e proteção contra DDoS. Basta um problema nela para que grande parte da internet que conhecemos fique instável. É insano pensar que não foi o governo quem deu os golpes mais fatais, mas nós mesmos.
Trocamos tudo o que era descentralizado por versões centralizadas e agora sofremos as consequências. Mas ainda pode haver esperança. As bases da internet continuam resilientes: ainda estamos apoiados em ótimos protocolos, apenas esquecemos como usá-los e, principalmente, como navegar.
Não acredito que a internet vá morrer. As restrições que estamos vendo podem, inclusive, despertar o interesse das pessoas em aprender novamente o básico sobre o funcionamento da rede — desde o uso de sub-redes virtuais e privadas (VPNs) até a soberania sobre os próprios dados, com self-hosting, servidores locais de e-mail e soluções de armazenamento pessoal.
Este é um breve resumo da minha visão de mundo no momento — e também meu post inicial aqui no Nostr, onde pretendo me dedicar mais ativamente. Já estive por aqui antes, mas sempre com uma postura discreta. Agora decidi mudar: quero compartilhar conhecimentos e experiências do meu dia a dia, principalmente sobre as transformações que o mundo está vivendo e como podemos nos adaptar para não sermos controlados — nem pelas grandes empresas de tecnologia, nem pelos governos, nem por ninguém. Afinal, se não fizermos nada, em pouco tempo perderemos até mesmo o controle total de nossos smartphones e computadores.
