Me parece que muitas músicas e filmes atuais estão cheios de padrões dissonantes que criam uma sensação de alheamento e desconexão com a vida e consigo mesmo, sem que isso seja relevante na proposta explícita deles...
Alguém mais nota isso ou só eu?
Me parece que muitas músicas e filmes atuais estão cheios de padrões dissonantes que criam uma sensação de alheamento e desconexão com a vida e consigo mesmo, sem que isso seja relevante na proposta explícita deles...
Alguém mais nota isso ou só eu?
esse livro de neurologista (recomendacao do Olavo) trata mais de bate-estaca, ruido repetitivo e baixa frequencia do que propriamente dissonancia. De qualquer forma, compara com musicas baseadas em melodia e na musica como linguagem, que realmente excitam a parte linguistica do cerebro. A melodia propoe uma sequencia, a segue seguindo regras logicas, e as vezes vem uma surpresa, mas faz parte da linguagem.
A proposta é que bate-estaca é primal, excitando o cerebelo a "parte animal", facilitando o individuo ser controlado por seus proprios apetites ou por instrucoes externas. Daí ser natural que as degradaçoes modernas do rock em diante levem a drogas, ou que funk dissolva o cerebro rapidamente.
Não é 8 ou 80, é uma gradação. Marchas militares do sec XIX ainda tem melodia, mas tem um ritmo de marcha e excitacao pra convencer um jovem a andar pra frente rapido enquanto ve uma linha de marmanjos coloridos atirar nele. "Alons enfants de la patrie..."
https://livraria.seminariodefilosofia.org/musica-inteligencia-e-personalidade
Concordo.
Com 'padrão dissonante' quis dizer que muitas músicas, além dos problemas que conhecemos de letra, harmonia quase ausente e batida repetitiva, produzem uma dissonância cognitiva colocando o ouvite na 'realidade simbólica' da composição da música sem perceber a que aquilo remete (embora no fundo conheça), principalmente com aquele efeito de distanciamento, com as notas descendentes e descompasso na batida, tipo aquele efeito Doppler de objetos emitindo sons se distanciando da capitação do som, que causam ainda mais distanciamento da vida real delas.
Não é atoa que pessoas que não tem nada a ver com a 'realidade' da música e passam a 'gostar', tendem a se comportar exatamente como o instrumental da música, mesmo sem vocal, sugere...
vc enxerga o mesmo fenomeno que o autor, talvez sob outros aspectos e termos.
Pensei que 'dissonancia' referia a 'acordes dissonantes', mas falta de harmonia e batidas repetitivas é bem na direção que ele aponta.
O seu 'distanciamento' ele chama de 'transe' quasi-hipnotico, um estado neurologico facilitador de sugestão, entre os efeitos praticos está o que vc sugere.
Ele lembra uma tribo primitiva uma batida repetitiva de baixa frequencia em troncos de arvores ou instrumentos primitivos incitam um massacre em uma guerra ou rituais 'pesados' em casa. E compara com jovens balancando/batendo a cabeça em um concerto de rock.
Eu diria ainda que desde 100 anos atrás, rádio + direitos autorais aumentaram a tendencia a empurrar musica massificada e nova, inclusive sob outros interesses não-financeiros, de emburrecimento e controle mesmo.
Sem tocar os classicos já com direitos autorais vencidos, perde-se a referencia e a comparação. O Faustao reclamava que não pode trazer talentos de qualidade porque a Som Livre não deixava. Uma forma de amenizar seria abolir direitos autorais de musica. Musico que encha shows, ou vire amador. De qq forma a maior parte do $ do musico é ingresso mesmo, as gravadoras e lojas ficam com a maior parte das vendas de musica.
No fundo, isso é tudo sobre monopólios, tanto o monopólio dos direitos autorais, como o monopólio da mídia por concessão estatal...